segunda-feira, 4 de junho de 2018

Irã, Israel e o equilíbrio regional

Por: Diego Pappalardo
Tradução: Jean A. G. S. Carvalho

Geopoliticamente, o Irã tem sido um entrave tanto ao organismo sionista materializado em Israel quanto à petromonarquia saudita - um equilíbrio de poder no Oriente Médio


Se conseguir assegurar seus interesses, uma entidade estatal surge com aspirações de projeção geral e plasma essas aspirações insistentemente sobre a factualidade, tornando-se, de modo evidente, um contrapeso na disputa sobre o domínio da concorrência interestadual. 

Geralmente, no fundo desta competição, não são os valores de um sistema de governo ou as regras e hábitos de comportamento social que se fazem presentes, mas sim a biologia pura e a vontade que uma comunidade (minoria ou maioria) tem de registrar na história sua capacidade de Poder.

Essa luta ocorre de todas as formas possíveis, utilizando todos os meios disponíveis que não são separados principalmente em atos legais ou ilegais que foram ou ainda serão cometidos, porque o que importa são os resultados específicos que proporcionam o progresso e o destaque a seus expoentes.

A justaposição de interesses vitais e a sobrevivência no Oriente Médio impõem uma dinâmica acelerada na complexidade das relações de poder que se desenvolvem na região.

As facções do poder sionista que sustentam a liderança política do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não concebem um Estado de Israel geográfica e geopoliticamente limitado. Para esses grupos, a existência da entidade estatal israelense requer um aumento territorial e o exercício de um papel como eixo regional.

Seu ambiente geopolítico deve ser reconstituído de forma que o projeto de Grande Israel seja uma realidade consistente com fundações de convergência religiosas, políticas e econômicas que lhe forneçam sua razão de ser. 

É aí que reside o principal problema da estabilidade e da segurança de Israel, ou seja, em sua pretensão de ser e estar lá, o que se torna constante é o confronto com os seus concorrentes, que não são limitados por qualquer razão objetiva (seja de natureza religiosa, histórica, geopolítica, política etc.) para produzir, humilde e obedientemente, seus próprios projetos geopolíticos e, acima de tudo, o seu direito de não sofrer interferência por parte do agente sionista ou de qualquer outro pólo externo de poder.

Para os estrategistas de Israel, a criação de um Oriente Médio caracterizado pela instabilidade, pelo conflito e o caos é algo elementar para enfraquecer seus oponentes, neutralizar seus adversários perigosos e alcançar o domínio de sua estrutura.

Para as referidas decisões sionistas, é imperativo operar simultaneamente com diferentes manobras, mantendo o suporte espacial ativo, expandindo-o e absorvendo mais territórios, recursos e participando ativamente da construção de blocos geoestratégicos benéficos, como é o caso da aliança que sionista com a Arábia Saudita e outras petromonarquias e a associatividade mediterrânea com Chipre e Grécia. 

Ao mesmo tempo, os sionistas praticam uma série de atividades de sedução, pressão e injunção contra os líderes políticos supra-regionais, para que não pensem em diminuir a cooperação política, militar e econômica que têm em relação a Israel.

O Irã, com óbvia importância geoestratégica, tendo sido contido pelo sionismo durante décadas (e por certas facções governantes ocidentais), foi reconstituído em um centro de gravidade para retomar um papel histórico que inevitavelmente colide com a estratégia de Grande Israel. Teerã protege as entidades que Israel agride e ataca e, junto com elas, divide o corredor Teerã-Beirute, desafiando o conluio Israel-Arábia Saudita.

Por isso, proeminentes vozes israelenses afirmam que o Irã é seu maior inimigo.

A hegemonia israelense está sofrendo a contração como agente moral e o enfraquecimento como concorrente no sistema internacional, o que obriga o sionismo a acentuar ainda mais a situação regional por seus próprios interesses, posições e oportunidades.



Disponível originalmente em: Geopolitica.Ru



Share:

0 comentários:

Postar um comentário

Visitas

Marcadores