sexta-feira, 15 de junho de 2018

A 66ª reunião do Clube Bildeberg: Globalismo Plutocrático

Por: Diego Pappalardo
Tradução: Jean A. G. S. Carvalho

Foto do NH Torino Lingotto Congress, onde ocorreu a 66ª reunião do Clube Bildeberg em 2018, na Itália


Desde os anos 1950, para unificar as elites ocidentais com o claro propósito de não perder espaço e poder, os segmentos da Atlântida forjaram a criação do Grupo Bilderberg, unindo as elites anglo-americanas e seus pares da Alemanha, Itália e França, as quais possuíam grande influência no Vaticano. Desde então, o Clube Bilderberg realiza anualmente suas reuniões em lugares da Europa e da América do Norte.

O Comitê Diretivo do Clube é formado por 33 membros, sendo presididos pelo empresário globalista francês Henri de Castries, acompanhado pela banqueira espanhola Ana Patricia Botín, por Paul Achleitner - presidente do Deutsche Bank -, José M. Durão Barroso (presidente da Goldman Sachs International), Kenneth M. Jacobs (dono do Lazard Bank), Radosław Sikorski (ministro polonês), Zanny Minton Beddoes (editor-chefe do The Economist), John Elkann (sucessor do empório Agnelli) e Peter Thiel (dono da Shiel Capital), dentre outros.

Entre os antigos membros do Comitê Diretivo e da seção permanente do Clube estão figuras como o príncipe Bernardo, dos Países Baixos, David Rockefeller, o Barão Peter Carrington, Joseph H. Retinger, Umberto Agnelli, Henry Kissinger e Edmond de Rothschild, além de Sharon Percy Rockefeller, Romano Prodi, James A. Perkins, Robert Zoellick e os espanhóis Jaime Carvajal e Urquijo, Matías Rodríguez Inciarte, José Luis Cebrián e Ana Botín.

Em 2018, o exclusivo e elitista Clube Bilderberg realiza sua 66ª conferência na cidade italiana de Turim. O complexo que abrigou o encontro de banqueiros, estrategistas geopolíticos, executivos de empresas transnacionais, acadêmicos, políticos, militares, agentes de inteligência e jornalistas foi o hotel NH Torino Lingotto Congress. De quinta-feira a domingo (7 a 10 de junho), os membros do Comitê Diretivo, membros fixos e convidados de 23 países, compartilharam a agenda pública preestabelecida, mas também coordenaram uma agenda que contem relações de poder e procedimentos que devem ser colocados em prática; fraturas e/ou acordos foram estabelecidos, sem fundamento e depoimento e condenações fulminantes.

O acesso aos registros do evento é restrito, e suas discussões são mantidas em segredo, mas o Clube listou os tópicos genéricos que foram discutidos pelos participantes, a saber: o populismo na Europa, o desafio da desigualdade, o futuro do trabalho, a inteligência artificial, a computação quântica, a situação nos Estados Unidos, a liderança mundial, o livre comércio, a Rússia, a relação de tensão e de conflito entre a Arábia Saudita e o Irã, o mundo da pós-verdade e outros eventos vibrantes da política internacional também foram debatidos.

Entre aqueles que se dirigiram ao NH Torino Linotto Congress Hotel estão, além do Comitê de Gestão: Henry Kissinger, Cardeal Pietro Parolin, Albert Rivera Díaz, Williams J. Burns, Mark J. Carney, Vittorio Colao, Ana Brnabic, John Hickenlooper, Ursula von der Leyen, Bernard Émié, Charles Michel, Dambisa Moyo, François-Philippe Champagne, Jens Stoltenberg, Gerhard Zeiler, Matthew Turpin, Mehmet Simsek, Soraya Sáenz de Santa Maria, Niall Ferguson, Paula Amorim, Eamonn Brennan, Jared Cohen, Pascoal Luke Donohoe Vidar Helgesen, Wolfgang Ischinger, Jüri Ratas, Greg Hajdarowicz, Günther Oettinger, entre muitos outros.

A presença do cardeal Parolin, secretário de Estado do Vaticano, não nos causa estranheza, pois os componentes de certas esferas vaticanistas mantêm conexão com o fórum transnacional desde sua fundação. Não há russos entre os convidados deste ano, embora a posição da Rússia na ordem mundial continue sendo um tema quente para os Bilderberianos. 

Em outras edições, havia figuras russas como Grigory Yavlinsky, Anatoli Chubais e Sergei Guriev. Há muito dinheiro na associação internacionalista Bilderberg, mas também há muitos mitos em torno dela. Não há nela a natureza ou a função de um super-governo atuando nas sombras: o grupo funciona como uma plataforma que aglutina e dirige as elites capitalistas de acordo com uma agenda de hegemonia. O aroma aristocrático típico de seus tempos de fundação praticamente evaporou-se.

O Clube é uma estrutura de poder real, mas sua gravitação na gestão de processos globais está diminuindo progressivamente. Nem tudo o que é decidido em Bilderberg se torna realidade. Embora esse Clube supranacional pretenda sustentar e aprofundar a globalização com foco em finanças e implementar o esquema de Soros com a máxima eficácia, ele já não pode mais evitar o alargamento da divergência existente entre o Projeto de Trump e os componentes do sistema Bilderberg. O atual ocupante da Casa Branca está ligado a corporações capitalistas, mas não está ligado à agenda de Bilderberg.

Outro convidado, o governador do Colorado John Hickenlooper, está sendo confirmado como um candidato presidencial na eleição de 2020 para retirar Trump da 1600 Pennsylvania Avenue, em Washington. Da mesma forma, o conglomerado atlantista filiado ao Clube Bildeberg não será capaz de bloquear a ascensão da Rússia como um hegemon global e os populismos e a práxis dos antagonistas do globalismo não serão retardados pelo ataque combinado de inteligência artificial, informação quântica, controle de redes sociais e aprimoramento da mídia convencional.

A edição de 2018 de Bilderberg ocorre em uma situação mundial com terremotos tectônicos na geopolítica internacional e uma guerra manifesta entre clãs capitalistas em meio a mudanças na fase da história. 



Postado originalmente em: Geopolitica.Ru


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