sexta-feira, 25 de maio de 2018

Somos macacos dependentes de petróleo

Por: Jean A. G. S. Carvalho

Cena do clássico "Planeta dos Macacos", de 1968 - ao menos a civilização deles não dependia de petróleo


Temos satélites artificiais, redes de conexão de informações, pesquisas médicas avançadas, tecnologia aeroespacial, dispositivos nucleares, nanotecnologia em desenvolvimento, próteses e pesquisas para produção de órgãos sintéticos e comunicação em massas, mas continuamos dependendo de combustíveis fósseis. Depender de petróleo quando já temos à disposição alternativas renováveis mais rentáveis, com melhor desempenho e danos menores mostra o quanto  ainda somos primatas com brinquedinhos um pouco melhores.

Toda nossa espécie pode literalmente sucumbir, todo nosso sistema pode colapsar com a simples escassez de uma fonte energética facilmente substituível. Produção de alimentos, saúde, transportes, comunicações, forças de segurança, centros de pesquisa - quase tudo depende praticamente de um único tipo suprimento: petróleo. 

Se a humanidade é capaz de desenvolver alternativas energéticas superiores e tecnologicamente mais evoluídas, por qual razão ela ainda não as adotou em larga escala? A resposta é simples: toda a estrutura econômica atual é inegavelmente ilógica. As "questões de mercado" e as "leis econômicas" que os liberais equalizam às leis da física e da química não são pautadas em aspectos racionais e de gerenciamento lógico dos recursos, mas simples lucro.

É mais lucrativo manter a dependência de um combustível com baixa rentabilidade e que não é renovável. Manter fontes energéticas e matrizes de produção limpas com custos muito mais baixos e um preço final quase gratuito ao consumidor não é interessante à "lógica" de mercado atual.

A dependência do petróleo também serve como leit motiv para a indústria bélica. Ela pode gerenciar crises sistêmicas e a "demanda" por novos conflitos para assegurar fontes de petróleo. A guerra é o motor condutor das potências mundiais e, com outras fontes de energia que não obedecem essa lógica, seria difícil conduzir uma política belicista e conflitos globais.

Não é interessante, nesse sistema, a adoção de outras fontes de energia porque, obviamente, isso significaria a dependência em relação ao petróleo e o desmantelamento de todos os lobbys que lucram com a série de fenômenos desencadeados por isso.

O verdadeiro debate não deve ser sobre privatização ou estatização, sobre impostos na gasolina ou redução deles, sobre políticas técnicas ou sobre a validade ou invalidez de uma ou mais greves, mas sim se nossa espécie deve continuar atrelada à dependência da indústria petrolífera. A resposta mais inteligente provavelmente é um simples não.

Ainda somos primatas brincando de civilização.


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