segunda-feira, 16 de abril de 2018

Quatro elementos terríveis em nossa cultura que estão destruindo os garotos

Por: Matt Walsh
Tradução: Jean A. G. S. Carvalho




Nossa cultura é muito ruim para os garotos. Ela também é ruim para as meninas. É ruim pra todo mundo. Mas acho que falhamos em reconhecer e apreciar as batalhas singulares que os garotos enfrentam. Parcialmente, falhamos em reconhecê-las porque estamos ocupados demais nos preocupando com a perseguição do patriarcado contra as mulheres. Em parte, falhamos em reconhecê-las porque, coletivamente, simplesmente não nos importamos tanto assim com os garotos. E, em parte, falhamos em admitir isso porque os homens não falam muito sobre suas próprias dificuldades. E, parcialmente, o homem não vai falar sobre isso porque, todo mundo, incluindo seus amigos, só vão rir dele e minimizar o problema. 

Há muitos fatores em jogo, e todos eles levam a uma situação bastante terrível. Os homens são informados o tempo todo sobre seus privilégios; mas, se você olhar as coisas honestamente, não verá muitas evidências desse privilégio. Pelo contrário, você verá várias desvantagens profundas sofridas pelos homens em geral - e pelos meninos em particular.

Aqui, acho que estão as quatro principais desvantagens:


1. Nossa cultura ataca implacavelmente as fraquezas dos meninos

Vamos imaginar o mundo no qual qualquer menino comum de 13 anos de idade habita. Ele já foi exposto à pornografia pesada por muito tempo e, provavelmente, a assiste regularmente. Então, a puberdade chega. Seus hormônios aumentam. Seu cérebro se esforça para se concentrar obsessivamente no sexo. 

Ele não pode realmente resolver isso. Agora, o menino é fértil, mesmo quando as meninas de sua idade, na maior parte, não o são. Ele sente o impulso biológico de sair e encontrar uma parceira sexual, embora ele não entenda quase nada sobre esse impulso e sua concepção sobre a sexualidade humana tenha sido pervertida e confundida pelo vício em pornografia que ele desenvolveu na sexta série.

O menino não pode fugir do sexo. Está tudo no computador dele. Está  no telefone dele. Está em toda a mídia social. Por toda a TV. Em toda a música que ele ouve. Ele vai para a escola e suas colegas de classe estão vestidas como strippers. Ele vai a qualquer lugar e é assim que as mulheres estão vestidas. Parece que todo mundo está fazendo de tudo para torná-lo um degenerado, mesmo quando eles exigem que ele se controle. 

Pedimos que o garoto tenha autodisciplina e autocontrole, sem fornecer ferramentas para desenvolver isso. Em vez de apoio, nós lhe demos tentação. Tentação incessante, em todo lugar que ele vai, o dia todo, todos os dias - e no momento em que seu cérebro é menos capaz de superar isso.

E, mesmo que o menino possua uma força moral quase sobre-humana necessária para buscar a castidade e a pureza em meio à névoa sufocada pelo sexo que o engolfa, ele só encontrará zombaria e desânimo por parte da nossa sociedade. As próprias pessoas que exigem que ele "respeite as mulheres" e "controle a si mesmo" vão desprezá-lo se ele tentar fazer exatamente isso. Novamente, o menino precisará apelar à sua coragem sobre-humana para ignorar as zombarias, assim como ele rejeita as tentações, de modo que ele possa trilhar o caminho da virtude por conta própria, sem a ajuda de ninguém.

A maioria dos meninos não têm essa coragem. A maioria dos adultos não possui isso. No entanto, esperamos dos nossos meninos uma virtude que não possuímos e nunca demonstramos.


2. Existe uma ausência catastrófica de modelos masculinos

Nos EUA, cerca de 17 milhões de crianças vivem em lares sem a figura do pai. Na comunidade negra, cerca de 70 ou 80% não têm pai.

Quase todas as crianças têm mães. E eles têm quase que só professoras. Eles são mais propensos a ter avós do que avôs, já que os homens morrem significativamente mais cedo. Uma menina não terá escassez de modelos femininos, o que é um fato que vale a pena comemorar. É também uma vantagem profunda da qual muitos garotos, com seu "privilégio", não desfrutam.

Mesmo os meninos que têm pais podem não ter modelos masculinos. Muitas vezes, apesar da presença física do pai, a mãe ainda é a líder espiritual do lar. Há muitos pais que ficam por perto, mas depois se recusam a participar da formação moral de seus filhos. Eles são corpos calorosos ocupando espaço e, talvez, levando para casa um salário, mas eles não lideram suas famílias nem fornecem um exemplo que valha a pena para seus filhos.

Se um menino quer saber como é ser homem, ele terá que depender de sua mãe para mostrar-lhe o caminho, ou então ele ligará a TV e imitará aquilo que vê na tela. Ele aprenderá sobre masculinidade com cantores, estrelas de cinema e super-heróis. Ele desenvolverá uma idéia vazia e caricatural sobre a masculinidade - e ele se tornará um homem oco e caricato.

O que mais podemos esperar? É difícil ser um bom homem hoje em dia. É quase impossível se ninguém nunca te mostrou como.


3. O sistema de edução é projetado para meninas

Há uma razão pela qual as meninas superam os meninos na escola. As meninas não são mais espertas, em média, mas elas têm mais facilidade porque a sala de aula é montada para recompensar o comportamento calmo e organizado mais natural delas. Os meninos são mais indisciplinados; eles têm mais energia física; eles são menos capazes de ficar parados e menos capazes de se concentrar atentamente em uma tarefa tediosa por um período prolongado de tempo. O ambiente típico de sala de aula é a tortura de um menino. Penaliza-o por ser ele mesmo. Penaliza-o por ser um menino.

Como resultado, os meninos obtêm notas mais baixas. Os meninos são mais propensos a desistir da escola. Os meninos têm mais chances de serem expulsos. Talvez, o pior de tudo: meninos são duas vezes mais propensos a serem diagnosticados com TDAH. No ensino médio, 20% dos meninos são diagnosticados com o transtorno. No entanto, nunca paramos para nos perguntar por que os meninos são mais suscetíveis a essa condição mental misteriosa. Nós nunca paramos para considerar que talvez não estejamos diagnosticando tanto meninos quanto diagnosticando a própria infância como uma "doença".

Se o sistema escolar não se baseasse em sentar e memorizar as coisas (e não precisa ser assim), não haveria TDAH. Decidimos arbitrariamente que toda criança deve ser o tipo de criança que vive nesse ambiente, mesmo que tenhamos que enfiar comprimidos em sua boca para forçar o problema. As meninas não são drogadas com tanta frequência porque a maioria delas já é o tipo de pessoa que o sistema escolar prefere. O sistema pode não necessariamente preferir meninas, mas prefere pessoas que tenham características mais comuns em meninas, o que dá no mesmo.


4. A masculinidade é desprezada

Você pode pensar que já fizemos o suficiente por esses meninos. Nós fizemos a nossa parte. Nós colocamos o sexo na cara deles, os privamos de modelos, e os forçamos a um sistema educacional que trata sua personalidade como uma doença. Mas não estamos satisfeitos. Finalmente, caso algum garoto tenha sobrevivido ao desafio, tentamos enterrá-lo em auto-aversão.

A feminilidade é atacada em nossa cultura também, mas não de forma tão explícita ou direta. Ninguém jamais chamaria a feminilidade de "tóxica" ou "frágil". Ninguém fala em "privilégio" feminino - embora, como demonstrei, as mulheres desfrutem de muitos privilégios únicos. Ninguém rotularia todas as mulheres de "perigosas" ou "monstros em potencial a serem temidos". Estas são as ofensas reservadas especialmente para a masculinidade.

Isso não seria tão ruim se não fosse pelo fato de os meninos estarem emergindo da infância já quebrados. Eles não estão em condições de suportar o ataque anti-masculino. Então, eles vão ficar destruídos - e nós não vamos reconhecer que eles estão quebrados, e não vamos encarar o fato de que somos nós que os destruímos.



Publicado originalmente em: Daily Wire

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