sexta-feira, 23 de março de 2018

A guerra na Síria é uma guerra de informações

Por: Jean A. G. S. Carvalho

Soldados sírios em antigo posto policial na cidade de Damasco, na Síria


O conflito na Síria ganhou novamente destaque nos noticiários - e, infelizmente, esse destaque e o fluxo incessante de informações não significa necessariamente informação real sobre a guerra mais importante da contemporaneidade. 

A maior parte das informações sobre as áreas em conflito são fornecidas pelos "White Helmets" (Capacetes Brancos), organização de imprensa "autônoma" com ligações comprovadas com a Al-Qaeda e outros grupos terroristas. 

Isso significa que, longe de colher informações de observadores neutros, a mídia ocidental continua repetindo materiais produzidos por grupos radicalmente opostos ao governo de Bashar al-Assad.

Há uma retórica constante, envernizada por um falso humanismo, de que o governo sírio está massacrando sua população civil. O que a própria mídia não questiona é o fato de essa população civil ter sido tomada como refém por organizações terroristas. 

A "oposição" de Assad não fez, em territórios por ela dominados, nada além de impor um regime de terror - tanto que, nas regiões retomadas pelo governo, a população síria celebra a reconquista.

Muitas das fotos divulgadas pela imprensa, geralmente em tom sensacionalista e emotivo, já foram comprovadamente mostradas como falsas - e continuam sendo usadas pela mídia[1]

Basicamente, a maior parte do trabalho de "cobertura midiática" sobre a Guerra na Síria consiste em reaproveitar mentiras, boatos e fraseologias já desgastadas desde o início do conflito. Mesmo a informação de que Assad usou armas químicas contra civis, já desmentida pelo próprio secretário de Defesa dos EUA[2], continua sendo propagada pela maior parte da imprensa ocidental. 

Com a continuidade de Bashar al-Assad no poder, a reconstrução da Síria e as derrotas consecutivas contra grupos terroristas (como o Daesh, o "Estado Islâmico", praticamente eliminado da Síria), a hegemonia está usando a melhor de suas armas: a guerra de informações.

A intenção é repetir aquilo que foi feito no Iraque e na Líbia. E, se o objetivo se concretizar e o Oriente Médio colher os frutos do trabalho desses "guerreiros da liberdade", o que se seguirá vai ser exatamente o mesmo silêncio midiático que hoje impera sobre a Líbia.

A entrada da Rússia no quadro de operações da guerra na Síria foi decisiva não só para refrear a expansão do Estado Islâmico, mas também para manter as áreas reconquistadas, fornecer auxílio na reconstrução das cidades afetadas e apoiar logística e estrategicamente as forças leais ao governo sírio. 

Entretanto, isso não é mostrado nos noticiários. Ao contrário: qualquer abordagem em relação à participação russa no conflito sírio se limita a denunciar os ataques contra civis ou fazer uma correlação direta entre as ações russas e a crise de imigração e a onda de mortos. 

Não há absolutamente nenhuma palavra nesses meios sobre o apoio logístico e a entrega de armamentos aos terroristas por parte dos EUA e seus adidos europeus, muito menos sobre o regime de terror imposto aos civis subjugados pelos opositores radicais e "moderados". 

O problema não está nos agentes que sequestraram as populações sírias, mas sim naqueles que estão justamente libertando-as - essa é a "lógica" dessa retórica midiática preponderante.

Todo o interesse e toda a comoção da mídia ocidental que representa o projeto hegemônico desaparecerão assim que a agenda for concluída. O que importa não é a questão dos civis sírios ou das vítimas de guerra, mas sim a conclusão de um imperativo geopolítico: derrubar Bashar al-Assad, destruir a Síria enquanto organismo político. Toda a retórica humanitária é apenas um meio de mascarar as verdadeiras intenções. 

A falsa face humanitária da imprensa é justamente um sinal evidente de sua completa desconsideração pela vida humana que, em relação à Síria, inclusive, se manifesta na forma da discussão em torno da crise de refugiados e da desconsideração pela origem do problema: grupos terroristas criados para destroçar uma nação por dentro.

A cobertura midiática do conflito na Síria tem consistido, desde o início, em desinformação pura e simples. Não há nenhuma palavra sobre os verdadeiros causadores do conflito e da onda de refugiados, mas há uma verborragia incessante contra os elementos que estão reconstruindo e estabilizando novamente o país. Para a imprensa, esses são os vilões.



Fontes e referências:

[1] Globo.com; "Imagens de crianças vítimas de guerras viralizam como se fossem na Síria".


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