sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Relembrando Muammar al-Gaddafi e a grande Jamahiriya da Líbia

Por: Gerald A. Perreira*
Tradução: Jean A. G. S. Carvalho

Gaddafi (ao centro, com o braço erguido) foi um forte defensor da união africana e aliado do nacionalismo árabe


O dia 20 de outubro de 2017 marca o sexto aniversário do martírio de Muammar al-Gaddafi, o revolucionário pan-africano e herói do Sul Global. Este dia também marca o sexto aniversário da batalha histórica de Sirte, onde Gaddafi, juntamente com um exército heróico (incluindo seu filho Mutassim Billal Kadafi e o veterano lutador da liberdade, Abu-Bakr Yunis Jabr) lutaram até que seu comboio fosse bombardeado pela aviação francesa. Feridos e desmobilizados, eles foram capturados pelos mercenários Qatari e executados pelos agentes da Al-Qaeda.

Os corajosos homens da União dos Oficiais Livres, que eram guias e líderes da então Revolução de Al-Fatah, ocorrida há 42 anos, demonstraram extraordinária força revolucionária, heroísmo e audácia diante dos inimigos. Como homens jovens de vinte anos, derrubaram a monarquia líbia instalada pelo Ocidente e inauguraram a Jamahiriya e, como anciãos em seus setenta anos, recusaram-se a deixar a Líbia e, ao invés disso, lutaram até o fim amargo, na linha de frente, ao lado de seu povo.

O exemplo deles brilhará para sempre como uma luz eterna nos corações de todos aqueles que lutaram ao seu lado para construir a coisa mais próxima duma democracia real e dum Estados Unidos da África que a história moderna jamais viu. A execução de Muammar al-Gaddafi e daqueles que lutaram ao lado dele, bem como a destruição da Jamahiriya na Líbia, são alguns dos maiores crimes deste século.

Os responsáveis por esse crime, incluindo Nicolas Sarkozy, Barack Obama, Hillary Clinton, David Cameron, o rei Salman bin Abdulaziz Al Saud e o emir Tamin bin Hamad Al Thani deveriam ser julgados por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Outubro de 2011: a cidade devastada de Sirte é uma prova da ferocidade da batalha heróica organizada por forças leais contra os invasores




Aquilo que já sabíamos o tempo todo agora é um fato fundamentado e indiscutível: nunca houve uma revolta em massa em Benghazi ou em qualquer lugar da Líbia. O povo líbio, em seus milhões, deixou claro que apoiavam a Revolução Al-Fatah.

Uma coalizão de ímpios, que incluía forças estadunidenses e a OTAN, regimes árabes semi-feudais como Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Sudão, e um grupo de monarquistas e a Al-Qaeda, ligados a terroristas dentro da Líbia, que trabalhava com a CIA e o M15 há décadas, foi montado e unido em seu objetivo. Para eles, a destruição total era a única solução.

Kadafi e seus apoiadores fizeram de tudo para negociar uma solução pacífica, inclusive convidando observadores internacionais para o país para que pudessem ver por eles mesmos o que realmente estava ocorrendo, algo que os imperialistas não podiam permitir. Pra eles, essa era a oportunidade de ouro para destruir Gaddafi e a Jamahiriya, um plano que estavam esperando para executar durante anos.

Houve levantamentos em massa de ambos os lados da Líbia, na Tunísia e no Egito. O Ocidente já havia criado o termo "Primavera árabe" e estava ocupado organizando revoltas em outro lugar. O tempo era da essência. Na verdade, naquilo que só pode ser descrito como um frenesi, eles podem ter estabelecido um recorde mundial para a velocidade com que conseguiram aprovar uma resolução ilegal na ONU, a máscara deles para justificar a invasão.

Heroes: the millions of armed Libyan men and women who stepped up to defend their RevolutionHeróis: milhões de homens e mulheres que se ergueram em defesa de sua Revolução


As notícias falsas e a falsa máquina de narrativa estavam em pleno andamento. Em 24 horas, os órgãos da ONU transformaram Gaddafi duma pessoa prestes a receber o Prêmio de Direitos Humanos da ONU num homem que “matou seu próprio povo”. A Jamahiriya foi alvo de destruição e nada iria detê-los.

As forças estrangeiras, incluindo a CIA, os fuzileiros navais holandeses, militares franceses e sudaneses, forças especiais do Qatar, combatentes da Al-Qaeda - facilitados pelos sauditas, pois estão apoiando a Al Qaeda no Iêmen hoje – estavam se preparando semanas antes dos protestos iniciados em Benghazi em fevereiro de 2011. Esta foi uma operação bem planejada e coordenada.

“Algumas vezes, o inimigo é o melhor professor”

Kwame Ture, revolucionário pan-africanista e ex-membro executivo do World Mathaba, disse que, às vezes, o inimigo é o melhor professor. Ele nos instruiu a estudar a estratégia e as táticas do inimigo e lembrar que o inimigo só vai atrás daqueles os quais acredita ser uma ameaça real para seus interesses imperiais. O pan-africanista e ex-presidente da Guiné, Ahmed Sekou Toure, disseram que "se o inimigo não está incomodado com você, então saiba que você não está fazendo nada".

As forças do imperialismo do eixo EUA-UE sempre estavam incomodando Muammar al-Gaddafi. Eles estavam inclinados a desacreditar, demonizar e encontrar uma maneira de destruir ele e a Jamahiriya na Líbia, desde a sua criação em 1969, até que finalmente alcançaram seu objetivo nefasto em 2011.

Referindo-se a Gaddafi como "o cão louco do Oriente Médio", Ronald Reagan, numa transmissão nacional, disse que o objetivo de Gaddafi era a "revolução mundial", alegando que ele (Gaddafi) promovia "uma revolução fundamentalista muçulmana, que visava muitos de seus próprios compatriotas árabes".

Há um ditado africano que diz: "A boca se abre, a narrativa pula". O que Ronald Reagan estava descrevendo soa como o plano imperialista. Foi Ronald Reagan quem acolheu os líderes dos Mujahadeen afegãos que estavam lutando contra os soviéticos na época, em pleno Salão Oval [na Casa Branca], referindo-se a eles como combatentes da liberdade jihadista. Hoje, quando enfrentamos a Al-Qaeda e seus vários ramos, incluindo o infame Estado Islâmico, estamos testemunhando os resultados devastadores desse sinistro plano de jogo imperialista.

The Libyan people were an armed people and Qaddafi often moved among them with minimal security only present to control the crowds that wanted to greet him and shake his hand. Repressive dictators do not arm their people.
O povo líbio era um povo armado, e Gaddafi muitas vezes andava em meio ao povo apenas com uma segurança mínima, presente exclusivamente para controlar as multidões que queriam apertar sua mão e saudá-lo. Ditadores repressivos não armam seus povos.



Desde os dias em que as forças coloniais britânicas facilitaram a criação do reino Wahhabi da Arábia Saudita, os imperialistas encorajaram, apoiaram e financiaram o crescimento dos grupos fundamentalistas islâmicos. 

Eles entenderam que esse era um imperativo caso quisessem contrariar o ressurgimento da teologia dum Islã de libertação, na tradição revolucionária de Abu Dharr al Ghifari, e como proposto nos tempos contemporâneos por destacados pensadores islâmicos, como Muammar al-Gaddafi, Ali Shariati, Kaukab Siddique , Ayatollah Mahmoud Taleghani, Muhammad Iqbal e Mahmoud Ayoub.
Mais uma vez, podemos aprender com o inimigo. 

Assim como os imperialistas e os fundamentalistas cristãos de Direita travaram uma guerra implacável contra o Movimento do Evangelho Social e a Teologia da Libertação cristã, como articulado por teólogos revolucionários como Gustavo Gutierrez, Miguel Bonino, James Cone e Enrique Dussel, eles sabiam muito bem que a libertação islâmica por meio da teologia deve ser combatida. 

O inimigo entendeu o poder desta teologia em termos de sua capacidade de atuar como um baluarte contra a hegemonia imperial. Eles sabiam que este Islã autêntico e revolucionário os impediria de exercer controle sobre um mundo muçulmano despertado.

Reagan tinha razão sobre uma coisa: Muammar al-Gaddafi tinha como objetivo a revolução mundial - era uma solução que colocaria em prática os princípios da teologia da libertação islâmica. A concepção de Gaddafi sobe essa revolução era holística. 

Sua revolução desafiaria todos os aspectos da epistemologia eurocêntrica e seu racismo inerente. A revolução da Líbia foi mais do que uma revolução social, política e econômica; não era nada menos que uma revolução espiritual e cultural. Isso confundiu não só as potências imperialistas, mas também os seus sátrapas árabes reacionários.


O Mundo Mathaba

O Mundo Mathaba, estabelecido por Muammar al-Gaddafi em 1982, teve como missão declarada "Resistir ao imperialismo, ao racismo, ao fascismo, ao sionismo, ao colonialismo e ao neocolonialismo". O termo Mathaba denota o lugar onde as pessoas se reúnem para um propósito nobre.

Baseado na Líbia, se tornou um termo para definir o local de encontro para forças revolucionárias e progressistas de todo o mundo. Semelhante à Casa da Sabedoria em Bagdá, que se tornou um importante centro intelectual durante a Idade de Ouro Islâmica e a Universidade de Sankore em Timbuktu, onde os estudiosos da época convergiram para discutir e debater ideias e formular novas propostas, o Mathaba tornou-se um fórum para o avanço de uma Terceira Teoria Universal além do capitalismo e do comunismo.

Antes da Mathaba, as únicas formações internacionais para organizações progressistas e revolucionárias eram o Comintern dominado pelos soviéticos, que exigia uma lealdade ideológica ao marxismo-leninismo e à Internacional Socialista, que reunia partidos social-democratas. A rigidez ideológica destas duas formações internacionais excluiu organizações e movimentos que rejeitaram as ideologias eurocêntricas, incluindo muitas organizações indígenas e pan-africanas que encontraram um lar em Mathaba.

Por meio da Mathaba, Gaddafi ajudou todos aqueles que lutavam pela libertação e pela autodeterminação, independentemente de ter sido ou não um dos interesses geopolíticos da Líbia fazer isso. Sob a liderança visionária de Gaddafi, foram oferecidos assistência material e o apoio moral aos oprimidos de todos os cantos da Terra, independentemente da religião ou da ideologia deles.

Todos foram ajudados - dos povos da Europa Oriental aos Kanak da Nova Caledônia no Sudoeste do Pacífico, até o povo Rohinga, que atualmente está sendo purificado etnicamente pelos budistas chauvinistas de Mianmar e aos quais a ONU recentemente se referiu como "as pessoas mais amigáveis". O que a hipócrita ONU não conseguiu mencionar foi que eles já tinham encontrado um amigo em Muammar al-Gaddafi.

Em muitas ocasiões, Gaddafi observou que a Revolução da Líbia tinha um dever sagrado de ajudar todos os que estavam em necessidade legítima e sofrendo perseguição, já que isso estava em acordo com os ensinamentos do Alcorão, que era a Constituição da Líbia. O fundamento do Islã consiste em ordenar o que é bom e condena o que é errado e injusto. 

Qualquer muçulmano, independentemente de sua interpretação dos ensinamentos do Alcorão, admitirá que o Alcorão afirma claramente que a resposta mais fraca à injustiça é odiá-la em seu coração, e que a segunda resposta mais fraca é falar contra isso e a resposta mais forte é opor-se a isso de todos os modos possíveis.


Uma Revolução Espiritual

Muro em homenagem à memória de Gaddafi

Líder da Frente de Libertação Nacional Moro nas Filipinas, Nur Misuari, numa palestra feita por ele em 1990 no Green World Institute [Instituto Mundo Verde] em Trípoli, explicou que a inserção da palavra "islâmico" no nome de um país ou organização, como a "República Islâmica do Paquistão” ou “Front Islâmico de Libertação” é algo que, por si só, não faz do país ou da organização algo islâmico.

Declarar-se um país "islâmico", como a Arábia Saudita e o Qatar, não o torna islâmico. Para ser uma sociedade e uma nação verdadeiramente islâmica, deve haver uma revolução espiritual. Uma revolução que levanta a consciência espiritual das pessoas. Uma revolução que contesta o falso islamismo promovido pelos opressores, que abole o capitalismo e as relações sociais semi-feudais sustentadas pelas elites dominantes na Arábia Saudita, no Qatar, nos Emirados Árabes Unidos e no Sudão.

É por isso que Gaddafi foi uma ameaça para os imperialistas e seus representantes muçulmanos. Ele não estava apenas propondo ideias perigosas, ele estava construindo uma nova sociedade (uma Jamahiriya), um Estado das massas, uma verdadeira democracia baseada nos ensinamentos revolucionários do Alcorão que, segundo o politólogo sul-africano Themba Sono, "criou condições para que muitos pudessem se guiar".

Sono continua a explicar: "Para Gaddafi, isso é parte da ordem natural em que a maioria se rege, ao invés duma minoria exercer poder sobre uma maioria [...] Gaddafi nega que as emanações das atividades de participantes eleitorais nunca podem ser chamadas de governo, não só porque essa regra seria antiética e, por conseguinte, instável, mas também porque contradiz a essência e o princípio fundamental da democracia, que define que, para ser tautológica, povos livres podem e devem governar a si mesmos naturalmente”.

Isso foi um precedente perigoso que os imperialistas não podiam tolerar.

Como Sono observa em seu livro intitulado “The Kadhafi Green Syndrome: Shaking the Foundations” [“A Síndrome Verde de Gaddafi: Balançando as Estruturas”]: "Kadhafi não se preocupa em investigar se as pessoas são ou não capazes de se governar, pois ele se questiona sobre como seremos capazes de fazer isso sem ao menos dar às pessoas não só o direito, mas a oportunidade de fazê-lo? Quem deve saber de antemão e, portanto, decidir a priori se as pessoas não estão qualificadas para se governar?".

O povo líbio apoiando Gaddafi




Ideias Realmente Perigosas

A aplicação dos princípios da Terceira Teoria Universal de Gaddafi transformou a Líbia de um dos países mais pobres do mundo não só para um dos países mais prósperos da África, mas, em muitos aspectos, um dos países mais prósperos do mundo. Os fatos e os números comprovam essa afirmação. 

A Líbia não tinha dívida externa e, na verdade, depositou pagamentos de receitas de petróleo nas contas bancárias de seus cidadãos. Como já está bem documentado, os líbios tinham acesso a cuidados de saúde gratuitos, educação gratuita de enfermagem para nível universitário, aluguel de habitação gratuito, eletricidade gratuita, alimentos subsidiados - um nível de vida muito alto.

Os imperialistas odeiam esses tipos de precedentes. E se, ao ver essas conquistas, outras nações decidissem ignorar os sistemas de governo do estilo ocidental e o modelo capitalista neoliberal que simplesmente ampliam o fosso entre aqueles que têm e aqueles que não têm?

E se os países da África, vendo o progresso e a prosperidade da Líbia, decidissem se livrar da falsa tradição democrático-liberal que habilita que 1% da humanidade governe mais de 99%? E se outros povos decidissem rejeitar o circo eleitoral multipartidário, destinado a dividir e fragmentar nossos países ao longo das linhas étnicas e tribais e, ao invés disso, optassem por uma Jamahiriya ou um Estado das Massas?

During the invasion of Libya, 1.7million people - 95% of the population of Tripoli and one third of the entire population of Libya - gathered in downtown Tripoli in what has been called the largest demonstration in world history to support Qaddafi and the revolution. Syrians living in Libya can be seen in the centre of the photo waving the Syrian flag.
Durante a invasão da Líbia, 1,7 milhões de pessoas (95% da população de Trípoli e um terço de toda a população da Líbia) reuniram-se no centro de Trípoli naquilo que foi chamado de a maior manifestação na história mundial para apoiar Gaddafi e a Revolução. Os sírios que viviam na Líbia podem ser vistos no centro da foto acenando com a bandeira síria.


Uma vez questionado por um jornalista sobre qual era a única coisa que ele queria alcançar em sua vida, Gaddafi respondeu que era " mudar o mundo". E ele estava chegando perto disso. Muammar Gaddafi e a poderosa Jamahiriya da Líbia lideravam o movimento para estabelecer um Estado Unidos da África com uma força militar unida e uma única moeda, um dinar apoiado pelas reservas de ouro da África. Isso teria realmente destronado o dólar dos EUA e deslocado o desequilíbrio econômico global. Isso realmente mudaria o mundo.

Assim, em 20 de outubro de 2011, as forças satânicas que estiveram em guerra com Gaddafi e a Jamahiriya da Líbia desde a sua criação em 1969, deram o último golpe no homem conhecido pelos revolucionários em todo o mundo como o Líder- Irmão e revolucionário Muçulmanos em toda a África e em todo o mundo como o "Comandante dos fiéis".


"Se eles passaram pela Líbia, então virão atrás de você..."

Seis anos já se passaram e as consequências desse ato criminoso ainda são sentidas em todos os lugares. Os principais projetos de desenvolvimento em toda a África, financiados pela Líbia, estão todos estagnados. Arábia Saudita e o Qatar, atores-chave na queda da Líbia, estão agora muito entretidos ocupando grandes extensões de terra na África. Isso não teria sido possível se Gaddafi ainda estivesse vivo.

A expansão do AFRICOM, a expansão das bases militares dos EUA e a construção de novas bases militares pelos chineses e turcos na África também não seriam possíveis se Gaddafi estivesse vivo. Na verdade, haveria uma resistência feroz à atual re-colonização e remodelagem da África se Muammar al-Gaddafi estivesse vivo e a Jamahiriya Líbia florescesse como antes.

É claro que a necessidade urgente de recolonizar uma África que estava despertando para o seu próprio poder e capacidade de se unir e autodeterminar foi a própria razão para a derrubada de Gaddafi e da revolução da Líbia. Não é de se surpreender que os franceses tenham liderado a acusação. Em março de 2008, o ex-presidente francês Jacques Chirac disse: "Sem a África, a França seria rebaixada ao nível de poder dum país de Terceiro Mundo". Já em 1957, muito antes de se tornar presidente, François Mitterrand disse que: "Sem a África, a França não terá história no século XXI".

Thousands of loyalists and migrants from other African countries languish in prisons.
Milhares de homens e mulheres leais a Gaddafi e imigrantes de outros países africanos estão definhando nas prisões



A Líbia transformou-se em uma entidade neocolonial disfuncional, onde uma série de milícias se enfrentam num território devastado por espólios. Sua vasta massa terrestre tornou-se um refúgio seguro e um campo de treinamento para o Estado Islâmico e outros ramos da Al-Qaeda. Milhares de líbios e outros cidadãos africanos ainda estão detidos sem julgamento, que só podem ser descritos como campos de concentração. 

Muitos foram torturados e executados nesses mesmos campos, e o único crime deles foi sua lealdade a Gaddafi. Aqueles que agora controlam a Líbia odiavam os objetivos pan-africanos de Gaddafi. Eles são supremacistas árabes e perseguem os líbios negros e outros cidadãos africanos.

Africanos, que antes viajavam para a Líbia para trabalhar e enviar fundos muito necessários para suas famílias em suas terras natais, agora estão atravessando o Mediterrâneo. Embarcações lotadas de pessoas, incluindo mulheres e crianças, se afogam quando fazem a perigosa jornada. 

Nossos antepassados ​​já foram capturados e forçados a embarcar contra a vontade deles, e muitos morreram durante esse cruzamento; hoje, estamos clamando para garantir um lugar em barcos que nem sequer são navegáveis ​​para escapar das condições criadas pelos nossos antigos carrascos. Muitos continuam morrendo.

Gaddafi muitas vezes se lamentava, dizendo que "o mundo se agita, mas não muda". Trabalhadores de países tão distantes como Filipinas, Índia, Paquistão, Bangladesh, China, Turquia, Alemanha, Inglaterra, Itália, Malásia e Coréia perderam seus empregos. Toda a crise dos refugiados em toda a Europa é resultado direto da destruição da Jamahiriya.

O empurrão para estabelecer um Estado-Membro da África, que antes da morte da Líbia era uma iniciativa dinâmica e energizada, atualmente é um sonho deferido. O pan-africanismo revolucionário sofreu um enorme revés. Os líderes africanos de hoje, com exceção de alguns, só são bons para falar sobre o Pan-africanismo nos corredores da sede da União Africana. Fora destes confins, eles estão empenhados em manter as velhas relações neocoloniais que mantêm a África em regime de escravidão.

Nós o Saudamos

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Gaddafi, o homem que transformou radicalmente a Líbia



Neste dia, todos aqueles que resistem à opressão e à tirania em todo o mundo saúdam o grande guerreiro da liberdade e nosso Líder-Irmão, Muammar al-Gaddafi, e todos os outros líderes revolucionários da Al Fatah. Prestamos homenagem à sua luta dedicada e vitalícia pela emancipação e dignidade humanas. Nós somos inspirados para sempre por sua luta corajosa até o fim, e por sua fé inquebrantável e seu serviço a Deus.

Agradecemos o amor generoso pelo continente africano e por toda a humanidade. Saudamos os milhões de homens e mulheres da Líbia que resistiram heroicamente à invasão de seu país e que continuam a sofrer até hoje. Nós somos solidários com a família de Muammar al-Gaddafi e as famílias de todos os mártires.

Nós nos solidarizamos com os milhares de prisioneiros políticos dentro da Líbia e os mais de 1,5 milhões de pessoas leais a Gaddafi, que foram exiladas de seu país. Comprometemos nosso apoio total à luta travada pelas forças patriotas e nacionalistas para libertar e reunificar a Líbia mais uma vez.

Para o revolucionário verde, a morte não é o fim, mas a entrada para um novo começo. Os mártires nunca morrem.




* Gerald A. Perreira é presidente do Movimento de Consciência Negra da Guiana, Guyana (BCMG) e  da Organização para a Vitória do Povo (OVP). Ele é um membro executivo da Seção Caribenha da Rede de Defesa da Humanidade. Ele viveu na Líbia por muitos anos, serviu na Marcha Verde, um batalhão internacional para a defesa da Revolução Al Fatah, e foi membro fundador da World Mathaba, com sede em Trípoli, na Líbia. Ele pode ser contactado pelo seguinte e-mail: mojadi94@gmail.com.




Postado originalmente em: Countercurrents.org

Traduzido originlamente para: CEM.com


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Um comentário:

  1. quando você está contra o sistema, sempre será visto como o vilão, pois eles determinam o que é e o que não é no mundo globalizado...

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