quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Manifesto Europa Magna - Parte II

Por: Alexandr DuginTradução: Juraci Júnior da Silva
Nacionalistas franceses pertencentes ao movimento pan-europeu "Generation Identitaire" numa manifestação pública (fonte da foto: Breitbart)


M a n i f e s t o   E u r o p a   M a g n a
Desconstruindo Europa. Reconstruindo Europa. Governo Solar.

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Parte 2: Reconstruindo Europa



Se a situação atual continuar, o colapso final da Europa será inevitável. Movendo-se pela mesma rota, a Europa desaparecerá enquanto cultura, civilização, entidade geopolítica soberana e como comunidade histórica de destino. 

Compreendendo muito bem a profundidade da catástrofe contemporânea sugerimos algumas soluções que poderiam considerar-se como um esboço da alternativa.


Política/Ideologicamente

A essência ideológica e política da catastrófica situação contemporânea na Europa é o liberalismo em todos os seus significados. Precisamos criar uma plataforma político-ideológica oposta. Não sendo o liberalismo dominante atual nem de Esquerda nem de Direita, esta alternativa não pode ser tampouco nem de Direita nem de Esquerda. Deve ser construída como uma espécie de Anti-Centro, evitando que qualquer tendência antiliberal se una a esse campo. 

As alternativas históricas ao liberalismo – o comunismo e o fascismo, assim como o tradicionalismo e o conservadorismo radical – têm perdido a batalha. Apelar a elas uma vez mais é prolongar a vida dos liberais, que ganharão dos inimigos autênticos e efetivarão seus simulacros pós-modernos muito mais facilmente. O novo anti-liberalismo não pode ser comunista, socialista, fascista ou tradicionalista. Necessitamos de uma doutrina bastante nova.

Todos os meios políticos clássicos são ineficazes na luta contra a elite liberal global. Essa elite não apenas controla as sociedades europeias existentes, mas também conseguem ser imitados, insistindo na virtualidade que se converte na única realidade disponível.


Geopoliticamente

Geopoliticamente, precisamos criar uma visão continental de Europa como Potência Terrestre, não como Potência Marítima. Isso poderia estar baseado em muitos exemplos históricos – desde as antigas comunidades romanas, gregas, celtas, germanas ou eslavas, até Carlos Magno ou Napoleão. 

A União Européia é geograficamente uma coisa boa, devido a ideia principal de unir os povos europeus; mas, na situação atual, a base desta unificação não é o espírito, a tradição, o objetivo comum ou a Ideia, mas sim os interesses financeiros e princípios morais altamente duvidosos, que agora não unem, mas sim aglomeram a Europa, sendo ela uma assembleia de condenados e não uma assembleia de um Grande Projeto.

A identidade continental pressupõe a independência do Poder Marítimo, os EUA, e a estratégia global anglo-saxã. A Inglaterra, em suas raízes, e depois de ceder sua missão aos Estados Unidos, pode ser parte dela ou permanecer fora. O mais importante é reivindicar a soberania geopolítica e a independência para seguir sua própria estratégia avaliada desde o ponto de vista europeu, e não desde o atlantista.

Sendo realista, o continentalismo não pode preceder as alianças concretas; mas, em geral, deveria estabelecer esse pacto pró-europeu com todos os grandes espaços que tendem a afirmar sua independência no marco da multipolaridade global.

A Europa  continental só pode existir no contexto do mundo multipolar. A saída da OTAN e a criação de um sistema militar e de segurança europeu independente é a única solução.


Economicamente

O capitalismo pós-moderno é um desastre. Terminará em uma catástrofe global que destruirá o planeta e sua infraestrutura social, ecológica e econômica. Está baseado na crença acrítica no crescimento ilimitado. Temos que opor um conceito alternativo que poderia incluir diferentes soluções, começando desde algumas suaves (Keynes ou Friedrich List) até projetos de decrescimento ecológicos, autonomistas e assim sucessivamente. 

Com o capitalismo, a economia se tem convertido no destino. Temos que colocá-la em seu devido lugar: ela não é mais que um instrumento da humanidade para realizar sua missão na terra. O instrumento não pode ser o objetivo em si mesmo: ele deve servir, e não dominar. 

Assim, a economia e o aspecto material da vida devem ser relativizados pela política, a cultura, a moral e a educação. O capitalismo contemporâneo cria não só oferta senão demanda. Está baseado na avareza insana e em esforçar-se por objetivos completamente fictícios e desnecessários. Não é a satisfação das necessidades naturais, senão a correria artificial pelo luxo, o motor desta pervertida ideologia economicista.

A economia deveria tornar a situar-se em um nível de preocupação secundário. Hoje, ela é uma paranoia enferma. O sociólogo francês Louis Dumont tem demonstrado muito oportunamente que os regimes econômicos mais bem sucedidos da Modernidade são aqueles que prestaram menos atenção à economia e mais à psicologia. 

A economia superestima o lado material do ser humano e a visão de mundo do homem. Necessitamos de uma atitude mais complexa, na qual a economia deve ser parte de um todo, e não a obsessão absoluta. Necessitamos falar menos sobre economia e mais sobre sociedade, sobre humanidade e o ser. A economia não deve ser economicista, senão existencial.


Cultura/Valores

Para reviver a Europa culturalmente, necessitamos substituir o atual sistema de valores. A modernidade e sua guinada pós-moderna estão equivocados. Devemos ser bastante audazes – os europeus, no passado, eram muito atrevidos – para dizê-lo abertamente. 

É desnecessário insistir em que teríamos razão quando é bastante óbvio que não a tenhamos. Precisamente, temos cometido o erro fatal de eleger a Modernidade no lugar da Tradição, ou talvez temos escolhido a Modernidade equivocada. Sem dúvida, o erro está feito e quanto antes comecemos a melhorar, melhor.

Não podemos salvar o sexo normal (clássico), a família natural e a identidade humana do amanhã lutando só por eles e continuar compartindo as outras premissas da weltanschauung moderna. Não podemos salvar a família sem o contexto nacional, nem podemos salvar o Estado nacional sem a missão espiritual religiosa. Deveríamos voltar exatamente ao mesmo ponto em que tudo isto começou. É um passo muito importante. É um passo muito importante. 

Precisamos revisar a cultura moderna e os valores do Renascimento. A ideia da liberação do ser humano de sua humanidade – o que agora vemos claramente. O homem não é nada sem o outro: a sociedade, a nação, a igreja, Deus. É o Outro que nos torna aquilo que somos. 

A cultura alternativa deve encontrar-se no passado, não como restauração (o que é impossível), mas sim como reabertura da fonte da Eternidade. Os valores modernos se baseiam no tempo. Excluem a eternidade. A Tradição abre os caminhos à Eternidade. É assim que a verdadeira Tradição é eternamente jovem.

Milhões de pessoas na Europa estão comprometidas com o esforço de salvar a família. Gastam seus esforços em vão lutando por seu caso como uma questão isolada. Não podem salvar a família sem salvar o contexto tradicional mais amplo da agressão individualista liberal: a sociedade, a nação, a igreja, o Estado. Para salvar uma pequena parte da tradição (a família e o último remanescente da instituição tradicional), estamos obrigados a salvar (a restaurar) toda a tradição. A tradição como algo que não pertence ao passado, senão que pertence a Eternidade.


Imigração/Identidade

A identidade europeia deve ser reafirmada. As raízes europeias se encontram nas culturas mediterrâneas greco-romanas, nas tradições dos antepassados celtas e germanos. A identidade europeia tem uma longa história gloriosa e dramática, encapsulada no grande edifício do conhecimento histórico e na arte espiritual. 

Esta herança deve ser livremente aceita e reafirmada em toda sua riqueza, em todos seus turnos paradoxais e extensões. A história, a linguagem, as artes e as crenças da Europa devem ser conhecidas e compreendidas (interpretadas de mil maneiras) pelo coração dos europeus. 

O cristianismo representa o ponto espiritual mais alto da história europeia, que tem assimilado os aspectos mais apreciados das épocas antigas e pré-definido os aspectos mais profundos da modernidade, dando-lhes traços trágicos e mártires. No final das contas, a Modernidade é a prova, o juízo que ajuda a distinguir os eleitos dos condenados. E esse é o seu sentido espiritual: quem puder permitir-se resistir ao niilismo da Modernidade europeia e vencê-lo, voltando ao Sagrado, será um verdadeiro europeu. Tudo o demais não merecem ser chamados por este nome. A Europa foi sequestrada. Uma vez mais. Nossa proeza é encontrá-la e salvá-la.

O problema com a imigração não pode ser resolvido sem a solução do problema da Identidade europeia. Mas, se imaginarmos a identidade europeia fortemente reafirmada, imediatamente obteremos o critério de como julgar se o imigrante é aceitável ou não. Se alguém, disposto a viver na Europa, aceita a identidade europeia – a língua, a cultura, a espiritualidade, o modo de pensar, o comportamento e outros elementos mais, então esse alguém  pode viver livremente na Europa; caso contrário, ele é livre para abandoná-la. 

Não há nenhuma outra saída: com a ideologia liberal sendo dominante, não teremos nenhuma possibilidade de sanar essa situação. A resposta para a imigração é a Tradição. Ou aceitas a Europa como um todo, ou não o fazes. Isso é tudo. A Europa é um destino espiritual que deve ser vivido ou abandonado.


Parte 3 - Conclusão: Governo solar


Para por isto no quadro real, só necessitamos duma coisa: a catástrofe fundamental. Para aqueles que vêm, que já estão desertos, a catástrofe está aqui, agora mesmo. Quem está dormindo, hipnotizado pelo onipresente relato pós-moderno liberal, perceberá que algo tem falhado definitivamente, mas só fara isso quando a catástrofe for explícita e lhe atingir diretamente. 

Isto não se dará num só momento. O despertar passa por etapas. A luta pelas famílias naturais na Europa é o sinal de que uma pequena parte começa a mover-se. Outro bom sinal são os resultados das eleições pan-europeias com um crescimento considerável de partidos inconformistas voltados para a população, e sobretudo a esmagadora vitória do Fronte Nacional. Isso não é mais do que o princípio. A inevitável crise econômica, social, étnica e política despertará o outro passo. Isso será preparado.

Mas temos que atuar agora mesmo. Antes da alva. Na profundidade da atual noite liberal. É hora de preparar nossa própria agenda, uma espécie de mapa de estradas da pós-modernidade. Necessitamos imaginar uma nova plataforma ideológica mais além das teorias políticas clássicas: mais além do liberalismo (em todas as suas formas, de direita ou de esquerda), mais além do comunismo e mais além do fascismo. Tudo isso pertence ao passado e reflete um lado diferente do horror principal comum a todos eles: a Modernidade. Assim, temos que reafirmar a Tradição. A Tradição europeia. A Tradição que tem sua raiz no espírito europeu e unicamente europeu.

Os liberais têm seu governo na sombra, um governo maligno. Devemos ter um Governo Solar, destinado a aparecer no dia claro quando este dia chegar e a noite repousar. O filósofo alemão Martin Heidegger tem criado o conceito da Filosofia do novo princípio. Assim é que somos os novos principiantes da Europa que re-emerge do abismo da presente decadência.



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