quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

A Ginotopia feminista e o Fim da Mulher

Por: Marcus Valerio XR
Ilustração representando um sistema de reprodução humana artificial (Fonte da imagem: io9)


Dos tempos em que eu me considerava feminista, a ilusão que hoje mais me impressiona foi a de que eu conseguia me cegar para um fato óbvio a respeito de um possível futuro desaparecimento de um dos gêneros.


Não apenas Valerie Solanas realmente acreditou que a automação e reprodução artificial permitiriam viabilizar o fim dos homens, como certos cientistas supuseram que a Partenogênese ou a mera clonagem de espermatozóides X possibilitaria repor a humanidade apenas com mulheres, bem como uma legião de escritores de Ficção Científica conceberam as mais diversas Ginotopias, das quais muitas envolvem mundos exclusivamente femininos[1].

Eu próprio escrevi, 5 anos atrás, um texto exatamente com o título 'GINOTOPIA/Hipergamia V'[2], onde declarava essa possibilidade, como mais provável que uma Androtopia, por já ser possível congelar espermatozoides e repor rapidamente a humanidade caso subitamente os homens desaparecessem, ao passo que o contrário seria mais difícil, visto que precisaríamos de úteros artificiais e há muito menor disponibilidade de óvulos.

Até hoje muitos se perguntam para que servem os homens, e ainda se pode ver regozijos feministas de que eles poderiam ser facilmente descartados no futuro com vindouros métodos de reprodução artificial.

Com tanta fantasia, mesmo os mais perspicazes parecem ter perdido de vista que a implementação de uma reprodução artificial nos moldes de feministas visionárias como Sally Miller Gearhart, Shulamith Firestone ou Donna Haraway teria como consequência justo o completo oposto.

Seria o sexo feminino que desapareceria, e é verdadeiramente impressionante que em um século de Ficção Científica tão poucos se deram conta disso. No Brasil, o escritor Daniel I. Dutra é uma honrosa, ainda que parcial, exceção, concebendo um futuro sem mulheres em seu livro "A Eva Mecânica"[3].
Na verdade, são essas mesmas feministas que terminam acrescentando o elemento que tornaria isso não apenas provável, mas praticamente infalível, uma vez criado um sistema de reprodução artificial suficientemente sofisticado para dispensar a natural.

Superada a dificuldade de prescindir de óvulos, que uma recente descoberta já antecipou[4], mulheres não seriam mais necessárias para engravidar, gestar e amamentar, eliminando com isso a única coisa que somente elas podem fazer e o motivo primordial porque toda a humanidade sempre se organizou em termos de papeis de gênero. A simples maior valorização da vida feminina que resulta de uma necessidade natural, por serem incomensuravelmente mais valiosas em termos reprodutivos, perderia o sentido, não mais havendo necessidade de custosas políticas de Saúde Reprodutiva (no sentido real, não no sentido feminista igual a 'aborto'), visto ser mais fácil eliminar o sistema reprodutivo feminino em si, pondo fim a ciclos menstruais, problema cervicais, câncer de mama, etc.

Mas a eliminação da principal função social feminina, a Reprodução, em nada diminuiria a necessidade da Produção, que, embora sempre possa empregar mulheres, é em vários setores esmagadora ou mesmo totalmente masculina, principalmente por fatores fisiológicos, pois o corpo masculino é mais adequado à maioria das funções, especialmente as mais pesadas. E mesmo a progressiva automação não afetaria isso, visto que produção, operação e manutenção de equipamentos robóticos e tecnológicos, em todos os níveis também é amplamente masculina.

Se a reprodução fosse então artificial, considerando que a humanidade sempre se adapta a suas necessidades produtivas, então seria muito mais prático produzir apenas homens, eliminando os custos envolvidos com o sistema reprodutor feminino. Não faz nenhum sentido produzir corpos com características femininas como seios, quadris mais largos, maior progesterona e menos testosterona que implicam em musculatura mais fraca, etc., se eles não teriam utilidade prática.

Ainda haveria um motivo crucial para a produção de mulheres, que seria o simples impulso sexual masculino, que é extremamente atraído por elas, e então uma certa demanda masculina pela mera existência de mulheres para objetivos românticos, afetivos e sexuais, se tornaria praticamente o único motivo pela manutenção de sua existência, mesmo que nesse futuro já houvesse sofisticadas ginóides capazes de replicar perfeitamente a aparência feminina, e ainda superá-las pela engenharia estética de corpos artificiais perfeitos como já foi, isso sim, largamente antecipado pela Ficção Científica. Em termos feministas: objetificação suprema das mulheres.

Mas, com tal tecnologia, seria mais plausível suprimir o impulso sexual masculino. Algo já parcialmente possível pelo uso de drogas, mas jamais cogitado para além da aplicação de castradores químicos em criminosos sexuais. Neste futuro, tal "castração" total do impulso sexual masculino será altamente desejável, eliminando toda uma cadeia de custos e problemas que a manutenção de tal impulso causaria.

Nesse futuro nada implausível, os prazeres da vida poderiam dar as costas à sexualidade, se concentrando tanto nos mais primitivos, como a degustação ou o entorpecimento, quanto nos mais sofisticados, como as artes, ou mesmo nos transcendentais.

A Reprodução Artificial, hoje mais próxima do que nos tempos áureos do Feminismo Radical dos anos 1970, aliada à supressão da sexualidade, teria como resultado inevitável não o fim dos homens, o que bem visto não faria o menor sentido - mas isso foi quase que totalmente invisível não só para tais feministas como para a maioria dos ficcionistas.

Talvez isso destruísse a humanidade por algum tipo de dano psicológico causado a uma espécie que existe há ao menos meio milhão de anos, totalmente construída biologicamente em cima da reprodução natural. Aliás, toda a vida é um fenômeno reprodutivo! Seres vivos são, essencialmente, entidades capazes de se auto replicar. Eliminar a necessidade disso pode ter um impacto impossível de dimensionar.

Mas, se possível, o resultado certo seria o fim das mulheres, ou no mínimo o surgimento de um gênero único que, para todos os efeitos práticos e estéticos, seria essencialmente masculino (ainda que um pênis capaz de ter ereção seria também dispensável).

O Feminismo atual, ainda que tenha omitido seus discursos mais radicias, continua sendo completamente anti-reprodutivo, atacando todos os aspectos possíveis da reprodução humana que vão desde o contemplamento da beleza feminina pelos homens (objetificação), flerte de iniciativa esmagadoramente masculina (assédio sexual), relação sexual (estupro), até a gravidez que é atacada por meio do Abortismo[5].

Em especial, continua insistindo numa hipotética igualdade que só pode ser plenamente atingida com a masculinização e o fim da função reprodutiva feminina. Com as possibilidades de reprodução artificial aumentando a cada dia, o Feminismo termina empurrando a humanidade para o fim do gênero feminino.



Postado originalmente no perfil público do autor



Notas e referências:

*Todas as notas abaixo constam na postagem original do autor, tendo sido meramente retiradas do corpo do texto e reorganizadas aqui.

[1] 
http://belladonna.org/Gynotopia/

[2] http://xr.pro.br/Ensaios/Atracao_Transhumana.html



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