quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A Pedra Política

Por: Igor Livramento


Carlos Drummond de Andrade



Há um poema de Drummond que devemos retomar aqui se quisermos falar de política: ele surge sob a direção de Antônio de Alcântara Machado, pela gerência de Raul Bopp, em julho de 1928, no terceiro número da Revista de Antropofagia, já na página inicial[1]:



NO MEIO DO CAMINHO
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra 
no meio do caminho tinha uma pedra.
 
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(BELO-HORIZONTE) 
Carlos Drummond de Andrade 




O escritor mineiro já assinava um texto, no número anterior da revista modernista, sintomaticamente intitulado “Porque amamos os nossos filhos”, onde aparece, ao fim do quarto parágrafo, um fragmento valioso, nas palavras do pai narrador: “Adverti-lhe de que não faria mais do que a sua estricta obrigação, prestando bons exames das humanidades (elle diz "deshumanidades") que si não estudára, devia ter estudado a fundo.” 


E o texto finaliza: “(Bello Horizonte)”. Não gratuitamente, o texto se dispõe acima de “A lingua Tupy”, de Plínio Salgado, ambos blocos de tinta preta em três colunas lado-a-lado. Vemos na página anterior, a sexta do número, ao canto inferior direito:


ESTÁ NO PRELO:
Antologia de 4 poetas mineiros
JOÃO ALPHONSUS
CARLOS DRUMOND DE ANDRADE
EMILIO MOURA
PEDRO NAVA 
BELO-HORIZONTE – MINAS


Seu famoso nome fora grafado com apenas um ‘m’ e, na página seguinte, com dois[2], também a capital mineira é (d)escrita de formas diferentes: seriam “erros propositais”, frutos da razão antropofágica, ou mera contingência tipográfica[3]? É impossível dizer. Contudo, essas ocorrências nos abrem para a discussão do poema supracitado, quer dizer, para discutirmos o erro: errar, perambular, “No meio do caminho tinha uma pedra”, só caminhando se pode chegar ao meio do caminho e só por querer passar pelo caminho pode a pedra, no meio desse mesmo caminho, significar alguma coisa. 

Dois anos depois, com o lançamento de "Alguma poesia", ressurge o poema, ipsis litteris da revista... Ou quase. Falta-lhe os nomes do local e do autor, dois elementos que poderiam parecer desnecessários num livro autoral, cederíamos a essa razão, não fossem outras cacografias a nos confirmarem a intelecção: o hífen, a ponte no meio da cidade; os parênteses, muros ao redor da capital (d)escrita; apenas um ‘l’ ou dois, indecidível. Esses elementos estranhos, intrusivos, desconhecidos da versão livresca, intrometem-se de forma impossível: o hífen (e os parênteses) são impronunciáveis: chamamo-los ‘hífen’ e ‘parênteses’, mas não é isso que está escrito, o que vemos é diferente do que dizemos. 

O que se passa, afinal? Somos mentirosos quando falamos ou quando lemos? Nossos sentidos nos enganam? É algo dispensável? Não, essa última hipótese deve ser descartada, pois sabemos: não há diferença que não faça diferença[4]. O que temos, então? Temos a pedra no meio do caminho: o incômodo. Não é relevante, como a pedra não é para a caminhada, mas se “Nunca me esquecerei desse acontecimento / na vida de minhas retinas tão fatigadas.”, quer dizer, o inesquecível, a perturbação, o incontornável: algo que se interpõe ao prosseguimento do indivíduo. O que é esse algo? Uma pedra, o mais banal dos naturais para um andarilho. Todavia, se dizemos com a tradição poética que a matéria do poema é sempre excepcional, no que se torna essa pedra? 

Nove anos antes do poema em questão, o famoso neurologista austríaco Sigismund Schlomo Freud, mais conhecido como Sigmund Freud, publicava um texto intitulado Das Unheimliche. Não buscarei traduzir o título de maneira comum, senão por aproximações a outras línguas: un-, prefixo de negação; heim- dará home em inglês (que é simultaneamente lar, o familiar no sentido de conhecido, mas também de escondido, donde Geheimnis em alemão, que significa algo que deve ser mantido em segredo, familiar, deve ficar na família, não deve sair); -liche, sufixo de formação de adjetivos; portanto temos algo como “o des-lar-izado” ou “o des-familiar-izado”. A pedra é esse assustador familiar, esse in-quietante (simultaneamente calmo por conhecê-lo e perturbador porque inominável). Eis a pedra no meio do caminho: das unheimliche: o que, outrora conhecido, não mais o é. 

A pedra é aquilo que simultaneamente sabemos e não sabemos o que é[5] , pois a pedra não nos fala, não nos diz quem é, não se confessa, sequer age, ela simplesmente existe, interpõe-se, permanece sendo, mas, por isso mesmo, ela é das unheimliche, é aquilo que não se move nem por vontade, nem por força, apesar de se mover sobre todo o poema, onde ela está, ela está (no primeiro, segundo, terceiro... versos). Se ela não fala, temos algo fundamental sobre o mundo aqui: é impossível negociar com ela. Trata-se da condição ecológica, da impossibilidade de se continuar o projeto modernista, melhor dito, “modernólatra”, sem uma catástrofe global. A pedra não negocia. Não fala. Não pode ser convencida. Não pode ser ludibriada. Não pode ser encantada, enganada, questionada, persuadida, convencida, propagandeada. A pedra resiste. E demanda, exige, quase obriga, por sua imobilidade, por sua impenetrabilidade, inefabilidade, mas também por se interpor ao/no caminho – em suma, por seu mistério. Mistério, de mýein[6] (“‘fechar’, especialmente os olhos”), lembra-nos a lição de Oswald de Andrade, outro antropófago, no prefácio a Serafim Ponte Grande, intitulado “Objeto e fim da presente obra”, publicado na Revista do Brasil, 1.6, Rio de Janeiro, 30 de novembro de 1926, p. 5 (grifos meus): 



Transponho a vida. Não copio igualzinho. Nisso residiu o mestre equívoco naturalista. A verdade de uma casa transposta na tela é outra que a verdade na natureza. Pode ser até oposta. Tudo em arte é descoberta e transposição. 
O material da literatura é a língua. A afasia da escrita atual não é perturbação nenhuma. É fonografia. Já se disse tanto. A gente escreve o que ouve — nunca o que houve. 



Ou seja, é preciso mistério, mýein, fechar os olhos, fonografar, escutar, não mais o mito da caverna em sua primazia visual, senão a audição, escutar a musa, mas o que é a musa nesse mundo moderno de pedra e Drummond? É a des-autor-ização: das um-heim-liche, é a falência da legitimidade autoritária, fracasso da razão totalizante, daí a audição, a escuta, não só Platão deve falar da caverna, mas também Polifemo e Ulisses têm muito a dizer sobre ela, é a voz humana entre o mythos e o lógos, isso que já não é relinchar, coaxar, gorjear, mas que ainda não é a língua ela-mesma, a língua-em-si, esse entrelugar, essa fronteira confusa entre o som e o sentido, como diria Paul Valéry, ou, para dizermos com Giorgio Agamben[7]


« Existe uma voz humana, uma voz que seja voz do homem como o fretenir é a voz da cigarra ou o zurro é a voz do jumento? E, caso exista, é esta voz a linguagem? Qual a relação entre voz e linguagem, entre phoné e lógos? E se algo como uma voz humana não existe, em que sentido o homem pode ainda ser definido como o vivente que possui linguagem? [...] » 


Essa é, par excellence, a condição política contemporânea. O ignorado, o que poderíamos passar sem perceber, o mais banal no meio do caminho (quer dizer, no centro [meio, miolo] da vida [metáfora da vida como caminho, trajeto, viagem], portanto no núcleo, no coração da comunidade), torna-se estranho, queimadura no fundo da retina, não de qualquer retina, mas da retina fatigada. A política contemporânea se tornou pedra: impenetrável, inefável, desumanizada, não-humana mesmo, portanto desconhecida, um bloco inteiriço de forças estranhas e imóveis, indecifráveis. 

Nosso poeta mineiro não só mobilizou Freud com suas palavras, como também Nietzsche: 46 anos antes, em 1882, o germânico lançava A gaia ciência, célebre obra onde veríamos o eterno retorno: os versos vão e voltam e não saem do lugar, como a voz poética detida diante da pedra [mais sobre isso adiante], inesquecida pela imagem em suas retinas fatigadas, formando um torvelinho, um vórtice, uma espiral: eterno retorno. Nesse mesmo livro figuraria a morte de Deus, todavia essa tópica não nos interessa aqui. 

Os fragmentos[8] 285 e 341 d’A gaia ciência, cada um à sua maneira, lidam com a ideia do eterno retorno, operando-a distintamente. Qualquer que seja sua apresentação, importa reter que aquilo que retorna retorna sempre diferente de si mesmo. No encontro de espaços: a pedra anda por todo o poema, deslocando-se de sua posição inicial, torna-se ubíqua, poderíamos dizer onipresente, mas está sempre num único ponto: no meio do caminho; ou pela coincidência de tempos díspares: “tinha”, “esquecerei”, o pretérito e o futuro colidindo-se[9] , enquanto a pedra está ali, presente, entravando a marcha da leitura, encavalando três tempos num só olhar, numa só respiração, numa só voz, num só poema.
 
Então diremos: é um poema cinético e estático, cinestático (fotograma, o cinema paralisado). Numa leitura equívoca: sinestésico: syn-, coincidência; -aisthesis: sensações, do pathos, do não-formalizável (das unheimliche; eterno retorno). 

A superfície poética, com seus versos erráticos, faz-nos experienciar a aspereza da rocha, a dureza da experiência. Erráticos de errar: ironicamente são versos “livres” entre aspas, sempre presos à pedra, gravitando ao seu redor, não há órbita para saírem, só um pequeno espaço de dez versos circulares na sua quadratura. Esses versos gravados na retina, no fundo dos olhos, quer dizer, na própria alma, no fundo da janela da alma, na parede da alma, mas também no osso, na parede do crânio, i.e., na dureza calcificada do homem que se esfarelará um dia. Se dizemos alma, então dizemos pathos: força, portanto violência, mas também afeto, portanto afetação, aquilo que é afetado, o que não passa incólume, que não pode passar sem diferir, é dizer, simultaneamente procrastinar (parece-nos um poema tão simples, tão singelo, tão fácil, sem esforço, não se move, nada se move, tudo se retém diante da pedra), atrasar (coincidir tempos e espaços, como explanado), e diferenciar, modificar, diz-se corromper (‘coromper’, ‘romper com’, ‘romper junto’, abrir novo tempo e novo espaço a partir do mesmo que difere de si, que não coincide consigo, des-identificação, um poema não é só um poema, palavras não são só palavras e tudo o mais). 

Eis o P de pedra e de política: das unheimliche em eterno retorno. 

Se o homem é zoon politikon, para dizermos com Aristóteles, mas, para tal, precisa ser zoon logon echon, i.e., animal que repete palavra (muito antes e mais fundamentalmente que “animal racional”), trata-se de um problema de pertença, de pessoa, de potência, de poder, de pesquisa, de participação, em suma, de palavra. A poética drummondiana vaga, perambula, circula seu objeto, move-o, desloca-o; não pode penetrá-lo: ninguém pode. Qual o fundo de uma pedra? Qual seu âmago? Areia, quer dizer, nada[10]. E o poeta mineiro sabia bem do que falava. 

No número de 15 de fevereiro de 1893 da revista La Plume sai o poema Toast, mais tarde intitulado Salut, título pelo qual ficou célebre, de Stéphane Mallarmé. Seu início fornece uma pista desse caso arenoso[11]: “Rien, cette écume, vierge vers”, ou, na tradução de Grünewald[12]: “Nada, esta espuma, virgem verso”. 

Vejamos bem: rien é nada, contudo não é não-ente, quer dizer, não é néant[13], senão outra coisa. Retorna o diferimento de si mesmo: um nada que é algo, nada que não é nada. É exatamente essa fraqueza, essa debilidade do desaparecimento (“esta espuma”) que impede o começo do poema (“virgem verso”), e a imobilidade inesquecível (“tinha uma pedra”) deixada para trás (“no meio do caminho”), que relativiza todo movimento, redefine o espaço-tempo como relativo (à memória que lembra, mas também esquece: vaivém marítimo e imobilidade pedregosa, virgindade e memória das retinas). 

Certamente Drummond estava atento a essa potência do francês, essa distância entre o ne entem, o ne ens, néant, não-ente e o rien, esse qualquer coisa[14], pronome indefinido, materializado na pedra, pedra que é coisa banal, coisa estúpida, coisa que ficou pelo caminho, i.e., abandono, resto, migalha caída pelo caminho: como não lembrar das histórias infantis e da fartura despencando das bordas das mesas dos ricos? O rastro é fragmentário e é esquecido pelo caminho, mas é ele que garante o retorno às origens, às gêneses, aos primórdios, é ele que possibilita a arqueo-logia, lógos da arché, saber das origens, saber geológico, mas também língua primeira, das origens, adâmica, geológica. Está em jogo, desse modo, no poema, essa coisa qualquer que se tornou a vida humana sob a política contemporânea, esse hífen e esses parênteses impronunciáveis e todavia visíveis, pulsantes, incomodando, importunando toda movimentação, todo curso (supostamente) natural da modernidade, da “modernolatria”. 

A pedra se revela em sua potência de poder não[15] fazer: interrupção de todo fluxo contínuo e normal do capital, da modernidade liberal que circundava Drummond no começo de século, prefigurando a crise do ano seguinte, avisando já da impossibilidade de um “progresso” que permitisse o humano. 

Pensar que tudo isso foi dito em ’28! 

E o angustiante (aquilo que permite pensar, para dizermos com Kierkegaard) é admitir: a pedra ficou (o poema restou), o homem passou (“dessa pra melhor” como dizem, morreu) – os verbos no pretérito (“tinha uma pedra”) e no futuro (“nunca me esquecerei”), apontam o seguir do caminho, o seguir andando, passando, continuar errando. O homem erra... E passa. Quanto à pedra? Bem, quanto a ela... 



Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra.  







Notas:


[1] É possível ver o original na digitalização da Biblioteca Nacional, disponível em: <http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=416410&pesq=, acesso em 12 de dezembro de 2017.

[2] Ele ainda estava “no prelo”, não estava pronto, não era o “nosso” Drummond, com dois ‘m’, o autor (autoridade) da página seguinte, do texto, da poesia aplicada, ou seja, ainda não era com sua diferença, com sua singularidade. Eis a distância da fala e da escrita, do fazer e do saber: pronuncia-se duma forma o que se escreve de outra, é dizer: algo nos escapa naquilo que acreditamos dominar.

[3] Devemos evocar aqui Après la finitude. Essai sur la nécessité de la contingence, de Quentin Meillassoux, e sua necessidade da contingência, bem como devemos elencar uma mínima série de outros eventos ligados aos poderes do aleatório e do contingente: o “puro automatismo psíquico” do Manifeste du surréalisme de André Breton e cia.; a música aleatória de Cage, Boulez e outros. Também em 1928, o grande escritor e pensador Walter Benjamin publicou duas obras: Einbahnstraße (traduzido para o Brasil como Rua de mão única) e uma revisão de sua Ursprung des Deutschen Trauerspiels (traduzido para o Brasil como Origem do drama trágico alemão, ou [...] do drama barroco alemão) – quer dizer, ambos pensavam os poderes da memória (“na vida de minhas retinas tão fatigadas”; Rua de mão única, de subtítulo: Infância berlinense: 1900) e do fragmento (um sintagma flutuando aqui e acolá: “tinha uma pedra”; as memórias benjaminianas), igualmente a pedra figura aqui, no mineiro, e no Trauerspiels, é dizer: “não restará pedra sobre pedra” (Mateus 24:2, Marcos 13:2, Lucas 21:6), depois de derrubado o monumento, resta-nos a ruína, essa pedra sem nenhuma outra sobre si, esse núcleo duro, inconfessável.

[4] Eis o chamado Princípio Ôntico do jovem filósofo e psicanalista Levi R. Bryant, como atestado em seu blog pessoal: “The Ontic Principle: There is no difference that does not make a difference.” Disponível em: , acesso em 12 de dezembro de 2017.

[5] Impossível não evocar aqui o Pós-poema, que se lê: “O anteontem – não do tempo mas de mim – / Sorri sem jeito / E fica nos arredores do que vai acontecer / Como menino que pela primeira vez põe calça comprida. / Não se trata de ilusão, queixa ou lamento, / Trata-se de substituir o lado pelo centro. / O que é da pedra também pode ser do ar. / O que é da caveira pertence ao corpo: / Não se trata de ser ou não ser, / Trata-se de ser e não ser.” MENDES, Murilo. “Pós-poema”. In:______. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, p.432, grifos nossos.

[6] Disponível em:  <http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/misterio/, acesso em 12 de dezembro de 2017.

[7] AGAMBEN, Giorgio. Experimentum linguæ. In:______. Infância e história: destruição da experiência e origem da história (trad. Henrique Burigo). Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005, pp.9-18.

[8] Mais ao gosto da prosa que da redação filosófica, portanto fragmentos, não aforismos. 

[9] Há aqui, também, um jogo interessantíssimo com os tempos verbais e os nomes: ‘nunca’, com o peso de sua eternidade, conflita com o futuro ‘esquecerei’ atestando a finitude humana, eis Jesus diante de Pilatos: o sacro e o secular, o eterno e o histórico face-a-face. A menção às retinas fatigadas aproximada a esses dois elementos atesta mais uma montagem (para lembrarmos o método cubista de sobreposições perspectivas, ou a técnica cinematográfica teorizada por Sergei Eisenstein) da eternidade da pedra diante da passagem do humano, do silêncio das rochas diante das lamentações dos homens, é dizer: da poesia que resta depois da morte do homem.

[10] É o mesmo para o fundo do crânio supracitado, o vazio nuclear, o centro ausente, o trono vazio, o buraco no meio da coroa, a representação sem representatividade da democracia, o político odiado por todos, sem eleitores, porém eleito, a evanescência da palavra falada, mas também da tecnologia de ontem, já desatualizada, substituída, quer dizer, a revogação das leis trabalhistas, a vida que ontem valia tudo e hoje não vale nada, a produção incessante de ads, propagandas, enlatados midiáticos, quinquilharias e bugigangas, ou seja, a promessa de que a tecnologia resolverá todos os problemas da humanidade (quando, já sabemos, não resolverá nem a si mesma), bem como o hit musical, substituído semanalmente, o novo famoso do momento, a moda, etc.

[11] Grifo meu.

[12] Grifo meu. A tradução de José Lino Grünewald pode ser lida aqui:  <http://joselinogrunewald.com/sobre.php?id=404>, acesso em 12 de dezembro de 2017. 

[13] Leia-se mais sobre o substantivo néant em: , acesso em 12 de dezembro de 2017.

[14] 14 Veja-se em: , acesso em 12 de dezembro de 2017. 

[15] Muito diferente do impossível: não poder.

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