quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A Importância da Sacralidade e do Espírito Aristocrático

Por: Fabio Henrique de C. Diogo


O papel e a centralidade da espiritualidade enquanto tradição

Existe uma necessidade urgente, principalmente no meio dissidente, de se expor o papel real das tradições religiosas ou espirituais como um norte civilizacional e como um meio de se estudar a Realidade metafísica. 

Também nos convém (já que aqui serão expostas razões para se guiar pelo sagrado) contrastar essa sociedade do imutável, que seria a sociedade tradicional, em relação à sociedade do mutável, que é a modernidade e todos os seus valores líquidos e superficiais. Cabe a nós, brasileiros e brasileiras, exaltar a importância de nossas raízes, que não apenas se limitam aos diversos grupos étnicos, mas também abrangem a espiritualidade desses povos.

Modernidade

Estamos vivenciando, na sociedade brasileira, os efeitos que a modernidade geriu desde a queda das monarquias e a instauração do modelo de sociedade civil/Estado-nação, do espírito mercantilista até as composições mais avançadas do sistema liberal, um modelo impregnado pela mentalidade burguesa, que é antitradicional. 

Essa mentalidade, forçosamente, submete os polos de cultura tradicional a um pensamento que lhes é alheio e, além do mais, faz com que a sociedade de mercado, isso é, os grandes monopólios, sejam os únicos verdadeiramente beneficiados pelo processo de globalização, abandonando a população às vontades dessa mesma falsa elite.

Podemos ver então que, para os liberais, o mercado se transfigura como um elemento quase que divino ou um ente vivo que ultrapassa os valores da moralidade. Assim, nos são claros os efeitos desse processo, como a banalização da moralidade, a perda de importância das tradições, a falta de hierarquia familiar, entre outros absurdos que este tipo de mentalidade pôde criar, como pessoas que defendem a mercantilização de crianças -que é um ponto já defendido pelos anarcocapitalistas.

Outro ponto grave do nosso sistema é o funcionamento do Estado laico que, em tese, deveria ser imparcial em relação aos sistemas religiosos, mas acaba por ser um elemento que visa regular a existência religiosa dentro do Estado e, portanto, o próprio Estado pensa ser maior que uma entidade religiosa, efeito típico de uma lei gerida por homens que se baseiam numa constituição que não tem uma verdadeira base no transcendente.

Enquanto vários grupos brasileiros brigam entre si por uma série de motivos, o inimigo real, que é o neoliberalismo (presente tanto em certos grupos de Direita quanto de Esquerda), aumenta seu poder e retira a autossuficiência da nação brasileira, que é mantida sob o poder das grandes oligarquias corporativas. 

Basta enxergarmos grupos como a JBS que, ao criar um lobby, comprou políticos em prol de benefício próprio. Tudo isso ocorre enquanto o povo brasileiro é mantido sob uma falsa sensação de liberdade que se limita a uma mera customização pessoal, ou seja, escolhas musicais, de roupas, de gênero, etc. 

Mas, quando tratamos das verdadeiras ações políticas, nunca é dada a escolha de participação à população, já que tratamos de uma "elite" que prefere perdoar uma dívida de meio trilhão de reais das oligarquias, mas, ao mesmo tempo, diminui dez reais do salário de pessoas que já passam por muitas dificuldades.

Sociedade Neotradicional

Devemos começar a pensar o novo Brasil a partir da perspectiva sacra, um Brasil que escape ao globalismo e seja autossuficiente; mas, para isso, devemos nos certificar de que o liberalismo nunca mais voltará. É preciso então pensar não apenas em política, e sim nos aspectos filosóficos, culturais,doutrinários, antropológicos e, principalmente, religiosos da nossa nação, como o catolicismo, que foi bastião e elemento de coesão brasileira desde então. 

É preciso acabar com os efeitos da mentalidade burguesa e iniciar o processo oposto, trazer de volta a moralidade religiosa e tudo que foi perdido através do tempo com a modernidade, como a união de Igreja e Estado.

A religiosidade (ou espiritualidade) trata da Realidade suprema, já que aspira a tudo que é virtuoso e almeja o contato com o divino; assim, acredito, foi a visão de todo grande filósofo. Diante dos estudos metafísicos, a não existência de Deus não passa de puro absurdo, já que, sem Ele, nada poderia sequer existir. 

Portanto, nada deve existir longe da Realidade Metafísica pois, se já existe, está claramente desvirtuado. É necessário então alimentar e propagar a espiritualidade entre todos, pois, sem ela, não haverá uma nova aristocracia, uma elite e tampouco um governo justo, só nos restando a derrota diante do mundo liberal.

Analisando estudos teológicos como, por exemplo, a Suma Teológica, devemos ponderar que tudo é fútil se não for direcionado a Deus e que se não nos aprofundarmos na moralidade, e apenas nos limitarmos ao campo da política, sem vislumbrar o campo metafísico, dificilmente faremos o que é correto ou justo diante de nós mesmos, da sociedade e de Deus. Mas não basta apenas nos dizermos parte de uma religião se não nos destinarmos a ela verdadeiramente.

Uma aristocracia não é verdadeira se não participa e representa, com o mínimo de dignidade, a sua respectiva tradição religiosa. É necessário, portanto, um bom exercício espiritual: ora, um católico não é realmente religioso se ele sequer frequenta a missa.


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