sábado, 12 de agosto de 2017

O Arqueofuturismo de Guillaume Faye

Por: Jean A. G. S. Carvalho



Qualquer crítico do tradicionalismo ou do identitarismo usa como principal "argumento" a suposta incoerência entre a preservação cultural e as tradições e a tecnologia ou o avanço científico. Mas essa incoerência não existe: Guillaume Faye opõe esse conceito de dualismo entre tradicionalismo versus progresso técnico-científico em seu ideal de arqueofuturismo. 

O que é o arqueofuturismo? É a ideia de conceber civilizações com aspectos futuristas mantendo identidades e valores tradicionais. Para Guillaume, tecnologia não se opõe às tradições e identidades dos povos, porque sempre existiu em toda a História humana. As diferentes culturas, inclusive, se manifestam também por meio de aparatos tecnológicos. Tecnologia é, em termos simples, reordenamento da matéria. 

É a ação transformadora do homem sobre o meio. Lanças, machados, arcos e flechas, arpões, carroças, arados, canais de irrigação, armadilhas de caça, tijolos, tendas, vasos e tambores são tecnologia assim como um ônibus espacial, satélites, computadores, núcleos de processamento de dados, carros, aviões, cabos de fibra óptica, internet e serviços de streaming. Aqueles que criticam a tradição como incompatível ao desenvolvimento técnico normalmente só consideram como tecnologia aquilo que há de mais avançado, "moderno", esquecendo que toda a base daquilo que temos hoje foi construída no passado, mesmo com instrumentos rudimentares. 

Republicamos aqui o que o Facebook censurou. O racismo do Facebook não admite culturas que não se submete à hegemonia liberal ocidental.


É plenamente possível alinhar preservação identitária, linguística, cultural e étnica e desenvolvimento técnico-científico. A ciência não é uma propriedade exclusiva da modernidade, nem do cosmoliberalismo. Ela é do homem e também serve como expressão cultural. Os incas poderiam não ter redes sociais pela internet, mas tinham sistemas de agricultura extremamente complexos e avançados, mesmo para os padrões atuais. Condenar os que vieram antes de nós como "atrasados" é uma visão estritamente materialista e reducionista. 

Um índio não deixa de ser índio por usar um celular, como você não se torna índio por dormir numa rede. As coisas são muito mais complexas do que isso. A tecnologia, a técnica, deve servir ao homem - e não o contrário. Essa é a distinção crucial entre tradicionalismo e cosmoliberalismo: o primeiro afirma o homem como um ente que antecede e supera a técnica; o segundo assegura que o homem pode ser obsoleto, inferior à técnica e que ela é um fim em si mesma, e não um meio (daí surge o pós-humanismo e o transhumanismo, sobre o qual o "Manifesto Ciborgue" de Donna Haraway fala). 

Povos capazes de estruturar sistemas agrícolas incríveis, inteligências artificiais primorosas, sistemas de geração de energia limpa e eficiente, estudos arqueológicos e astronômicos, aprimoramento de combustíveis e preservação de espécies. bem como compilação e manutenção de verbetes e estruturas linguísticas inteiras: eis o tradicionalismo arqueofuturista. Isso é plenamente viável e harmônico. Tecnologia é um processo saudável do desdobramento intelectual humano. 

Os povos que vieram antes de nós produziram tecnologia e nossos descendentes também o farão. A tecnologia deve ser um instrumento para atender as necessidades humanas, sempre subordinada a um projeto humano maior, um significado que vai além da própria matéria. O homem está e deve estar acima da máquina: o processo não pode ser mais importante do que o significado.


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