sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A Direita não tem princípios - só reações

Por: Jean A. G. S. Carvalho

"O reacionário está sempre disposto a tomar uma atitude progressiva diante de uma questão que está morta"
Theodore Roosevelt
O termo "reacionário" é comumente tomado como incorreto para designar o direitista médio, mas é uma descrição bastante realista. O direitista comum (e a Direita em geral) não possui nenhum princípio ou valor no sentido positivo do termo. Toda sua estrutura cognitiva é negativa: é a negação de algo, ou a mera oposição. O direitista não propõe nada, ele apena reage (por isso ele é um reacionário, aquele que é puramente reativo).

Ele baseia todas as suas opiniões e valores naquilo que a Esquerda ama ou odeia. Se a Esquerda ama, ele deve odiar; se ela odeia, ele deve amar. É um condicionamento mental totalmente restritivo. Não há a análise das causas, das motivações, ou se determinado elemento é bom ou ruim, válido ou inválido. O direitista só faz uma pergunta a si mesmo: "Qual a posição da Esquerda sobre isso?". A Esquerda age e ele reage; ela faz uma afirmação e ele retruca. Ele é sempre o reflexo da Esquerda, nunca possui vida própria ou autonomia de ação.

Por exemplo: no Brasil, os direitistas se opõem à parada gay, porque consideram ela como imoral - mas elogiam Israel justamente por permitir paradas gays. Também se opõem à adoção por gays, mas defendem esse ponto quando conveniente - a própria Rádio Vox, um organismo "conservador de Direita", mostrou a adoção gay em Israel como um elemento de superioridade moral em relação aos países islâmicos.

No Brasil, a Direita ignora solenemente casos de violência doméstica contra a mulher, tratando qualquer abordagem do tema como "feminismo". Mas se mostram bastante chocados com casos de violência contra a mulher em países islâmicos.

Se a Esquerda fosse contrária ao aborto e a legalização da maconha, a Direita seria pró-aborto e pró-maconha. Se a Esquerda se alinhasse em torno de Israel, a Direita seria pró-Palestina. Se os esquerdistas apoiassem Temer, os direitistas seriam favoráveis à deposição dele. E não estamos discutindo aqui se esses pontos são positivos ou negativos (nossas opiniões sobre isso são claras), mas sim sobre demagogia do direitista médio que não possui nenhum embasamento próprio, mas sim um conjunto de opiniões fragmentadas.

A Direita é fadada a ser um organismo reativo, um reflexo. Um corpo inanimado, estimulado exclusivamente pelas ações da Esquerda. Isso fica claro no próprio "nacionalismo" direitista: atacar aquilo que a Esquerda defende e defender aquilo que ela ataca. O amor incondicional pelos EUA não tem nenhuma razão histórica ou geopolítica: ele é apenas uma "provocação" à Esquerda. Se os esquerdistas odiassem o comunismo, o direitista médio seria o comunista mais fanático possível.
Isso cria uma vacuidade de propostas na Direita. Depois do impeachment de Dilma, nada foi proposto pela Direita, que vacila entre chamar Temer de "comunista" e defender sua permanência no poder - para barrar os "comunistas". Não há lógica nisso e não precisa haver. Nem é demérito para a Direita não possuir nenhum projeto, nem alternativa, já que esse é o estado natural desse segmento. 

Essa ausência de princípios e ações ativas, positivas, faz com que a Direita seja um arremedo bizarro de posições contraditórias, dogmatismo, repetição de slogans e eleição de gurus tidos como deuses, cujas opiniões jamais devem ser questionadas - o mesmo comportamento que criticam nos esquerdistas comuns.

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