sexta-feira, 23 de junho de 2017

Calvário (Calvary): Uma amostra de jornada espiritual cristã



Por: Idelmino Ramos Neto



Calvário (Calvary) – John Michael McDonagh (2014)

Antes de se tornar padre, James (Brendan Gleeson) era uma alma entregue ao alcoolismo, fruto do falecimento precoce da esposa. Porém, encontrou refrigério na função de sacerdote que exerce com a mais profunda devoção ao Altíssimo.

A narrativa se inicia no confessionário, com um fiel proferindo ao protagonista que, dentro de alguns dias, irá matá-lo. A razão: o trauma que carrega desde a infância por haver sido molestado por um membro do clero. Seria, então, sua vingança contra a Igreja. Contudo, o clérigo permanece resoluto,  profundamente entregue ao dever de conselheiro espiritual.

Brendan Gleeson dá um espetáculo de atuação representando serenidade, humildade e – ao mesmo tempo – sabedoria e vivência, sem deixar esvair o tom de deboche. E as sequências na pequena cidade no interior da Irlanda são um show visual a parte.

Conforme a narrativa transcorre, escancara-se o vespeiro de carniçais que é a população da vila. Drogados, lascivos, adúlteros e suicidas vão espocando na tela. E o padre obstinado – que o roteiro deixa claro ser a única figura sã, um baluarte de luz, no meio em que está inserido - tenta auxiliar-lhes, mesmo quando um incêndio criminoso destrói o templo.

Em tempos onde a sétima arte ataca incessantemente as instituições religiosas, “Calvário” é um refrigério. Uma obra cômica sobre sacrifício e devoção recomendada a qualquer cristão.


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