quinta-feira, 8 de junho de 2017

A legalização da maconha prejudica a saúde pública

Por: Kurt Isaacson*
Tradução: Jean A. G. S. Carvalho 

 Uma mulher caminha com um cartaz de apoia à legalização da maconha, depois da Convenção Nacional Democrata na Filadélfia, em julho.


Tal como a Big Tobacco, a indústria comercial da maconha, com valores estimados em bilhões de dólares, se preocupa mais com o lucro do que com a condição da saúde pública.

Os defensores da cannabis usaram seus amplos orçamentos publicitários para convencer os eleitores em cinco estados (Arizona, Califórnia, Maine, Massachusetts e Nevada) de que a legalização da maconha recreativa não só será economicamente benéfica para o Estado, mas também para ajudar a salvar vidas. Essa afirmação afirmação é assustadora e enganosa. Aqui está o motivo.

Os defensores argumentam que a legalização da maconha recreativa reduz o abuso de opiáceos e o número de mortes causadas por overdose. Um artigo recente do STAT apontou para um documento de 2015, do National Bureau of Economic Research (Serviço Nacional de Pesquisa Econômica), sugerindo que o acesso à maconha medicinal estava associado a uma diminuição de 16 % das mortes por overdose de opióides e uma redução de 28% nos casos de tratamento por abuso de opiáceos.

O que esse estudo não mostra são os aumentos nas mortes por acidentes de trânsito, em hospitalizações e intoxicações relacionadas à maconha após a legalização recreativa. No estado de Washington, por exemplo, o número de mortes de trânsito causadas por motoristas sob efeito de maconha duplicou logo no ano seguinte à legalização da maconha recreativa. No Colorado, o número de acidentes fatais envolvendo a maconha aumentou 62%, depois que seu uso recreativo foi legalizado em 2012.

Os agentes da lei podem confiar em testes de bafômetro para identificar motoristas embriagados. Mas não há equivalentes para motoristas sob efeito de maconha, dificultando a dissuasão ou punição. 

No Colorado, as internações relacionadas à maconha aumentaram em média 30% ao ano desde a legalização. Os envenenamentos relacionados à maconha também aumentaram acentuadamente no Colorado e em Washington.

Assim como a fumaça de tabaco pode prejudicar indivíduos que não fumam (fumantes indiretos), a maconha também pode prejudicar os não usuários. Se as novas leis passarem, eles autorizariam a promoção e venda de produtos oriundos da maconha, incluindo doces, biscoitos e refrigerantes. Estes representam quase metade de toda a maconha vendida no Colorado. As formas comestíveis de maconha representam um risco particular para crianças e animais de estimação.

As propagandas de Pot Tarts, copos de Hashees e docinhos de cannabis vão ficar tão comuns quanto os comerciais de refrigerantes voltados para o mercado juvenil. Não foram colocados limites sobre a potência dos produtos comestíveis no Colorado, e esses limites não serão descritos nas leis propostas na maioria dos estados que pretendem legalizar a maconha. Sabe-se que os produtos comestíveis têm níveis de THC, o ingrediente ativo na maconha, que chegam a 95% (em comparação com 20% a 30% geralmente encontrados em plantas de maconha). 

Escrevendo para a associação de pediatria JAMA Pediatrics, médicos do Hospital Infantil em Denver relataram que, depois que a maconha recreativa foi legalizada, seu departamento de emergência começou a tratar uma a duas crianças por mês por conta da ingestão acidental de maconha, principalmente de comestíveis. Antes da legalização, o hospital não havia tratado nenhuma criança nessas condições.

Os defensores da legalização do uso de maconha recreativa argumentam que esse processo salvará vidas, dando às pessoas uma alternativa aos opióides para o alívio da dor. O que eles não consideram é o impacto prejudicial da maconha recreativa nos jovens. Quando o Colorado legalizou a maconha, ele se transformou no primeiro estado no país a permitir o uso de maconha por adolescentes, com taxas de uso entre os jovens aumentando em mais de 12%. Tanto no estado de Washington como no Colorado, o mercado negro ilegal de drogas explodiu, com os grupos de crime organizado crescendo em grande quantidade, vendendo  maconha ilegalmente em casas do Colorado e enviando a droga pelos Estados Unidos, aumentando o acesso dos jovens à maconha. 

Embora o uso de maconha, por si só, possa ameaçar a vida em qualquer idade, ele também pode causar outros problemas sérios além deste. Numerosos estudos ligaram o uso de maconha a problemas de saúde mental, incluindo o aumento de taxas de ansiedade, alterações de humor e distúrbios de pensamento psicótico. O uso de maconha também está associado a problemas de relacionamento, desempenho escolar fraco, problemas de desemprego e menor satisfação com a vida. Com o aumento da potência da maconha, esses problemas são ainda mais significativos para os usuários.

O uso de maconha durante a adolescência é especialmente prejudicial para as funções cognitivas, incluindo problemas de memória, déficits de aprendizagem e QI baixo, problemas que podem persistir na idade adulta. Apesar disso, a maioria dos veteranos do ensino médio não acredita que o consumo regular de maconha seja prejudicial. Na verdade, apenas 36% acredita que o uso regular coloca o usuário em grande risco, em comparação com 52% registrados cinco anos atrás. Cerca de 1 em cada 15 veteranos do ensino médio usam maconha diariamente, enquanto que  21% de todos os alunos do 12º ano escolar relataram ter consumido maconha no mês anterior. Além disso, mais jovens procuram tratamento para abuso ou dependência de maconha do que para o uso de álcool e todas as outras drogas.

Quando os estados legalizam a maconha recreativa, as fatalidades aumentam e as vidas de crianças e adolescentes são colocadas em jogo.
 



* Kurt Isaacson é presidente e CEO da Spectrum Health Systems, um provedor privado de tratamento de drogas e abuso de substâncias químicas sem fins lucrativos.


 

Postado originalmente em: STAT News
 
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