segunda-feira, 22 de maio de 2017

Trump assina acordo militar de U$110 bilhões com a Arábia Saudita

Por: Kathryn Watson
Traduzido por: Jean A. G. S. Carvalho




Para "combater o Estado Islâmico", Trump injetará bilhões nas mãos dos grandes financiadores do ISIS

O presidente Trump assinou um acordo econômico-militar multibilionário com a Arábia Saudita nesse sábado [20/05/2017], num movimento cujo objetivo é fortalecer a aliança entre EUA e Arábia Saudita contra o Estado Islâmico, selado na primeira viagem do presidente ao estrangeiro.

O acordo vale U$110 bilhões em valores efetivos imediatos, e U$350 bilhões ao longo dos próximos dez anos, num esforço em equipar a Arábia Saudita e os parceiros do Golfo Pérsico na luta contra o Estado Islâmico. O acordo fornecerá jatos, tanques, navios de guerra e sistemas de defesa antimísseis, também voltado para criar empregos no setor de defesa nos EUA, de acordo com a Casa Branca. O acordo inclui arranjos adicionais do setor privado e uma visão conjunta com a Arábia Saudita, um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

"Esse foi um dia tremendo", disse o sr. Trump aos repórteres. "Investimentos tremendos para os Estados Unidos".

"Centenas de bilhões de dólares em investimentos para os Estados Unidos e empregos, empregos e empregos", continuou.

O acordo sinaliza um fortalecimento nas relações entre os EUA e a Arábia Saudita, e distancia os Estados Unidos do Irã, adversário da Arábia Saudita. Segundo várias alegações, Trump está se preparando para anunciar seu apoio a uma "OTAN Árabe" para fazer frente à crescente influência iraniana na região.

O conselheiro econômico da Casa Branca, Gary Cohn[1], disse aos repórteres que viajaram com o presidente que o acordo irá "investir muito dinheiro nos EUA e para que muitas companhias estadunidenses possam fazer investimentos e construir projetos por lá".

"Eles vão contratar companhias estadunidenses [...] num monte de coisas relacionadas à infraestrutura", prosseguiu Cohn, acrescentando que o acordo significa "um monte de dólares".

A Arábia Saudita é o primeiro país que Trump está visitando em sua primeira viagem ao exterior como presidente. O presidente tem, entre suas atividades programadas, um discurso sobre o Islã e a participação num fórum do Twitter com jovens sauditas num domingo bastante agitado. Depois de visitar a Arábia Saudita, Trump vai se dirigir a Israel, encontrando-se com o papa Francisco, mais tarde, no Vaticano. A parte final de seu tour incluirá uma reunião com a OTAN em Bruxelas, na Bélgica, e uma reunião econômica com o G-7 na Sicília, Itália.

A primeira viagem presidencial de Trump ao exterior vem em meio à turbulência em casa. 

Momentos depois de o Air Force One[2] decolar na sexta-feira, repórteres divulgaram informações de que o presidente havia dito a diplomatas russos que "ter demitido aquele diretor louco do FBI, James Comey[3], aliviou a pressão sobre ele", e que um atual conselheiro sênior da Casa Branca é uma pessoa de interesse significativo numa investigação jurídica com possíveis laços entre a Rússia e os associados de Trump.

Isso foi na sexta-feira. Mais cedo, na mesma semana, emergiram rumores de que Trump disse a Comey para parar com sua investigação sobre o ex-conselheiro de segurança nacional Michael Flynn[4], e que o presidente teria revelado informações sobre o ISIS potencialmente classificadas como nível alto aos russos. 



A correspondente da CBS News na Casa Branca e correspondente sênior em relações internacionais Margaret Brennan contribuiu para esta matéria.



Postado originalmente em: CBS




Notas:

* O subtítulo "Para 'combater o Estado Islâmico', Trump injetará bilhões nas mãos dos grandes financiadores do ISIS" foi adicionado ao texto traduzido pelo tradutor. Não consta na matéria original.

[1] Gary D. Cohn é um banqueiro investidor e figura política, trabalhando como conselheiro econômico chefe para o presidente Trump. Também é diretor do Conselho Econômico Nacional. Ele também trabalhou como presidente e chefe do escritório de operações do Goldman Sachs de 2006 a 2017. Apesar de ser filiado ao Partido Democrata, Cohn ajudou financeiramente diversos políticos republicanos. Ele é considerado como uma das vozes mais influentes na administração Trump.

[2]  Air Force One é o código oficial utilizado pelo controle de tráfego aéreo da Força Aérea dos Estados Unidos para designar a aeronave que transporta o presidente dos EUA.

[3] James Comey foi o sétimo diretor do FBI (Federal Bureau of Investigation - Serviço Federal de Investigação), atuando na função de 4 de setembro de 2013 a 9 de maio de 2017, quando foi demitido pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump.

[4] Michael Thomas Flynn é um tenente general aposentado pelo Exército dos Estados Unidos. Possui uma considerável carreira militar, tendo participado de inúmeras operações, programas de inteligência e defesa, dentre várias outras ações. Ele foi o 18º diretor da Agência de Defesa e Inteligência e o primeiro conselheiro de segurança nacional apontado pelo presidente Donald Trump. Ele também atuou como 25º conselheiro de segurança nacional de 20 de janeiro de 2017 a 13 de fevereiro de 2017, quando foi forçado a resignar depois de acusações de que ele teria vazado informações confidenciais aos russos.

Share:

0 comentários:

Postar um comentário

Visitas

Participe do nosso Fórum Online

Siga-nos no Facebook