segunda-feira, 29 de maio de 2017

Chernyshevsky e o livro politicamente mais perigoso do mundo

Por: Adam Weiner
Tradução: Jean A. G. S. Carvalho

Retrato de Nikolai Chernyshevsky, autor da obra "O que Deve ser Feito?", que influenciou imensamente tanto o individualismo liberal/libertário quanto o coletivismo socialista/comunista, as duas ideias mais influentes dos séculos XIX e XX - e que persistem no século XXI.

Como um romance russo obscuro lançou duas das ideias mais destrutivas do século XX?


Quando Alan Greenspan[1] começou sua carreira política em 1974, ele pediu que duas pessoas o acompanhassem até o Salão Oval em sua cerimônia de posse como presidente do Conselho de Assessores Econômicos: sua mãe, Rose Goldsmith[2], e sua guru, Ayn Rand[3]. Desde a época de seu apontamento, anos mais tarde, para o assento da Federal Reserve[4] até sua aposentadoria em 2006, Greenspan implementou a ideologia de "objetivismo" de Rand" para a política monetária: contando com os agentes de mercado para fazer a autorregulação enquanto buscam por seus interesses egoístas, ele desregulamentou a indústria financeira e zombou, no final dos anos 1990, quando foi alertado dos riscos sistemáticos colocados pelo mercado desregulado de derivativos.

Dentro de pouco tempo, essas "armas financeiras de destruição em massa" como Warren Buffet[5] certa vez as chamou, iriam explodir, destruindo os planos e vidas de incontáveis estadunidenses durante a Grande Recessão. Uma investigação do Congresso colocou a culpa pela crise financeira de 2008 diretamente nos pés de Greenspan e, sob os questionamentos feitos pelos membros da Casa, Greenspan admitiu que poderia ter acontecido uma "falha" em sua visão de mundo randiana[6]

Sim, uma falha; mas, de onde ela realmente veio?

A resposta vai surpreender mesmo os mais ávidos fãs de Rand. A ideia fundamental que é subjacente ao objetivismo dela foi uma ideologia gêmea conhecida como egoísmo racional - a crença de que a ação racional sempre maximiza o interesse próprio. E Rand, que brandiu a frase "executor secundário"[7] como um porrete contra seus inimigos, pegou essa ideia dos rabiscos dum compatriota dela, um escritor russo chamado Nikolai Chernyshevsky[8], cujo romance utopista escrito em 1863, mesmo tendo sido ridicularizado pela crítica, tornou-se uma inspiração para a geração de Rand no início dos anos 1900.

Isso não é tudo pelo qual Chernyshevsky é conhecido. A aversão de Rand ao socialismo é bem documentada, mas, na Rússia, o mesmo romance de Chernyshevsky tornou-se um manual para revolucionários, começando pelos contemporâneos radicais do autor e abrangendo até Vladimir Lênin[9] e sua Revolução Bolchevique de 1917.

Isso significa que, apesar de estar quase que completamente esquecido agora, Chernyshevsky foi uma das grandes influências destrutivas do século passado: primeiro, em seu país natal, onde seus escritos ajudaram a gerar a União Soviética; e, agora, dentre todos os lugares possíveis, nos Estados Unidos, onde seu egoísmo racional continua a reverberar no pensamento político e econômico. 

Durante décadas, Rand foi a musa para vários políticos estadunidenses, de Ronald Reagan[10] a Ron Paul[11], de Paul Ryan[12] a Clarence Thomas[13] - isso sem mencionar homens de negócios como Ted Turner[14] e Mark Cuban[15], além, é claro, de Greenspan no FED. O movimento libertário declara que ela é uma de suas inspirações originais. E seu trabalho "Atlas Shrugged" [A Revolta de Atlas] se transformou num clássico, continuando a vender centenas de milhares de exemplares todos os anos. 

Nascido na cidade de Saratov em 1828, Chernyshevsky foi um leal seguidor dos tecnocratas predecessores de Karl Marx, como Henri de St. Simon[16] e Augusto Comte[17] que o inspiraram com a ideia duma utopia científica dirigida por experts técnicos. Através da leitura do socialista francês Charles Fourier[18], Chernyshevsky tomou a noção de "falanstério", um projeto habitacional comunal para o bravo mundo novo. E, nos escritos do filósofo alemão Ludwig Feuerbach[19], Chernyshevsky encontrou a ideia do "homem deus", a substituição de Deus pelo homem num universo materialista. 

Dentro desse caldeirão de ideias, Chernyshevsky adicionou um último ingrediente secreto: a "mão invisível" de Adam Smith, a noção de que o ganho egoísta do indivíduo é um ganho para toda a sociedade. A perseguição racional do interesse próprio deveria formar a base para todas as interações humanas; e, quando esse "egoísmo racional" se tornar universal, ele resultará em alegria, condições políticas e econômicas harmoniosas e numa reconfiguração ideal do mundo.

Assim argumentou Chernyshevsky em "What Is to Be Done?" [O que Deve ser Feito?], que Chernyshevsky escreveu enquanto estava na prisão por conta de sedição e que, a despeito de sua desordem eclética de premissas filosóficas e seu estilo de prosa deplorável, tornou-se um clássico instantâneo na Rússia.

O quão ruim foi esse livro pra ter destruído dois impérios? "What is to Be Done? Some Stories about the New People" [O que Deve ser Feito? Algumas Estórias sobre o Novo Povo] relata o dilema de Vera Rozalsky, uma jovem que vive com os pais na São Petersburgo dos anos 1850. Sua mãe tirana quer que a filha se case com um oficial pervertido do Exército. Um estudante de medicina chamado Dimitry Lopukhov intervém para salvá-la.

Lopukhov frequentava a casa de Rozalsky como tutor do irmão mais novo dela, e acabava discutindo sobre socialismo com Vera. Os dois fogem e se mudam para um apartamento, com regras elaboradas para garantir sua privacidade, sua liberdade e igualdade. Quando Vera decide conquistar sua independência financeira, ele se une a outras mulheres jovens e estabelece um negócio comunal de costura. As costureiras vivem juntas num protótipo de falanstério, e repartem os lucros (por ser casada, Vera vive separadamente).

Lopukhov é apaixonado por Vera, mas ela só tem sentimentos de amizade para com ele. Ela se apaixona por seu melhor amigo e colega de classe, Alexander Kirsanov, um socialista, como Lopukhov. Lopukhov decide anular a si mesmo, saindo dessa equação, forjando um suicídio e se mudando para os EUA. Ele é ajudado por uma pessoa enigmática chamada Rakhmetov, que leva à enlutada Vera um bilhete de Lopukhov. O ardil é explicado. A saída de Lopukhov abre caminho para que Vera e Kirsanov se casem.

Enquanto isso, Lopukhov, sob o pseudônimo de Charles Beaumont, faz fortuna nos Estados Unidos e, então, volta secretamente à Rússia e se casa com a filha dum industrialista, a qual Kirsanov havia salvo duma doença grave. Os "Beaumonts" (a perspicaz Vera reconhece Lopukhov a despeito de seu pseudônimo) e os Kirsanovs vivem juntos num ménage a quatre

A comuna de costura se expande rapidamente, mas Vera abandona o negócio para estudar medicina, a profissão preferida dos socialistas russos do século XIX. 

O estilo do livro apresenta uma cacofonia chocante. Sempre que os heróis de  Chernyshevsky parecem fazer algo irracional, ou pior, beneficente (caridade não é algo tolerado nessa utopia, como, mais tarde, não seria permitida na utopia de Rand de "Atlas Shrugged" [A Revolta de Atlas]), o narrador aparece com uma referência para explicar o motivo de os personagens ainda estarem tecnicamente dentro dos limites do egoísmo racional.

Lopukhov não arranhou sua carreira ao resgatar Vera dos pais malvados dela? Chernyshevsky justifica que Lopukhov estava agindo de modo egoísta quando salvou Vera, já que ele a amava e queria ela por perto. Isso tudo é muito estranho.

Para piorar as coisas, a luxúria de Lopukhov por Vera, que não era recíproca a ele, mas que lhe dava simples beijinhos e lhe permitia, como a uma empregada, ajudá-la a se vestir - criando uma tensão sexual arrepiante, que Chernyshevsky mantém durante metade do livro.

Adicione a isso o tédio exasperador dos sermões socialistas e a absurdidade crescente dos quatro sonhos alegóricos que Vera tem durante o romance. Infames na literatura russa, esses sonhos ocorrem dentro de suas próprias seções separadas no livro, cada um presididio por uma figura feminina emblemática, representando o Amor ou a Igualdade. No quarto e último sonho, Vera é levada para um mundo utópico, organizado em falanstérios de vidro, alumínio, trabalho, igualdade e fornicação. Ela é instruída a transferir tudo o que puder daquele mundo dos sonhos para a realidade. É isso o que ela começa a fazer, imediatamente. 

A principal coisa que muitos dos leitores de Chernyshvesky absorveram pela leitura desse livro foi a imagem do misterioso Rakhmetov. Fica claro pela leitura do romance que Rakhmetov é algum tipo de radical socialista, mas Chernyshevsky não poderia dizer, de modo direto, muito mais do que isso, principalente por medo da censura do czar, que teria proibido a publicação do livro. O autor foi obrigado a se limitar a piscadelas e murmúrios. Rakhmetov é tão forte quanto um bogatyr[20] (o cavaleiro da lenda russa), e tão austero quanto os santos da hagiografia[21] russa. 

Ele lacera as costas dormindo numa cama de pregos sem razão nenhuma pra isso. Ele se afasta das mulheres, preservando o corpo e treinando para... bem, nunca ficamos sabendo, mas podemos supor que seja para o terror e a revolução. Em certo ponto do romance, Rakhmetov desaparece, deixando que o narrador especule que ele talvez possa voltar em três anos, quando "for necessário", e que, então, "ele seria capaz de fazer mais". Os leitores de Chernyshevsky entendem corretamente que Rakhmetov é um tipo de modelo de revolucionário. Depois de retornar para a Rússia, Rakhmetov iria presumivelmente liderar uma revolta e derrugar o regime czarista, abrindo caminho para a utopia do egoísmo racional.

O romance de Chervnyshevsky foi recebido inicialmente com uma aversão abismal por parte dos intelectuais russos. Alexander Herzen[22], a própria alma e consciência dos progressistas reformistas na Rússia, escreveu sobre o livro:

"Senhor Deus, quão escassamente escrito, quanta afetação.... que estilo! Que geração sem valor, cuja estética se satisfaz com isso."  

Ivan Turgenev[23], para o qual a composição de Chernyshevsky foi uma resposta direta para seu livro "Pais e Filhos", escreveu a seguinte impressão sobre a obra:

"Nunca vi um autor cujas figuras fedem... Chernyshevsky inconscientemente me aparece como um homem velho nu e desdentado que balbucia como uma criança"

O grande poeta russo Afanasy Fet[24] acusou Chernyshevsky de "uma afetação premeditada do pior tipo em termos de forma" e de uma "linguagem totalmente desamparada e sem jeito", que "torna a leitura do romance uma tarefa difícil, quase insuportável". Fet se impressionou com a "idiotice cínica do romance inteiro" e com "o conluio óbvio da censura". O censor do czar deu permissão ao romance, argumentando que seu estilo de escrita medonho seria danoso à causa revolucionária.

Um erro fatal: depois de publicado, o romance não despertou apenas espasmos de hilaridade sarcástica; ele também estabeleceu um novo paradigma comportamental na Rússia. O egoísmo racional, embora construído sobre uma fundação imóvel de determinismo, satisfez seu seguidores com a ideia de liberdade pessoal irrestrita, descrevendo continuamente um processo quase que miraculoso de transformação, pelo qual pessoas socialmente ineptas se tornavam aristocratas, prostitutas se transformavam em trabalhadoras honestas, escritores picaretas se tornavam gigantes da literatura. 

Décadas após a publicação do romance, em imitação aos heróis ficcionais de Chernyshevsky, homens jovens entrariam em casamentos fictícios com mulheres jovens para liberá-las de suas famílias opressivas. O marido e a esposa nominais seguiam as leis de vivência comunal estabelecidas por Chernyshevsky, com quartos particulares para marido e mulher. Em imitação das cooperativas de costura no romance de Chernyshevsky, as comunas começaram a surgir por toda a parte. Como exemplo, a famosa revolucionária Vera Zasulitch[25], após dois anos de publicação do romance, começou a trabalhar para uma gráfica comunal, enquanto suas irmãs e sua mãe se uniram a uma cooperativa de costura - tudo isso diretamente causado pelo livro "O que Deve ser Feito?".

O livro de Chernyshvesky também se tornou bastante efetivo em radicalizar os jovens. Nikolai Ishutin[26] formou um círculo revolucionário imediatamente em 1863, o mesmo ano no qual o livro "O que Deve ser Feito?" foi publicado. Os seguidores de Ishutin imitaram o caráter de Rakhmetov, levando uma vida de privações voluntárias, dormindo no chão e devotando-se à atividade revolucionária. O primo infame de Ishutin, Dimitry Karakozov[27], tentou matar o czar Alexander II, sem sucesso, e foi essa a causa de sua execução por enforcamento.

Relembrando as palavras enigmáticas sobre o retorno de Rakhmetov em três anos, Ishutin e Karakozov escolheram como data para a tentativa de assassinato o dia 4 de abril de 1866 - três anos depois da publicaçaõ de "O que Deve ser Feito?". Karakozov tentava claramente se tornar uma encarnação viva de um personagem literário. Nas duas décadas seguintes, Rakhmetov iria inspirar mais e mais jovens russos a se unir à causa revolucionária. 

Diziam que o assassino jacobino[28] Sergei Nechayev[29] dormia em tábuas e vivia à base de pão preto, como Rakhmetov, e a imagem em seu panfleto chocante, "Catecismo do Revolucionário", foi quase que certamente moldada com base na descrição de Rakhmetov. "O que Deve ser Feito?" também foi o livro favorito do irmão mais velho de Lênin, Alexander Ulyanov[30], um revolucionário e extremisma por definição própria. 

Muito da obra de Fiódor Dostoiévski[31] foi escrito como um tipo de retaliação contra as ideias de Chernyshevsky. O primeiro grande trabalho literário de Dostoiévski, "Notas do Subsolo", publicado em 1864, foi uma resposta direta a "O que Deve ser Feito?". O protagonista monta um ataque direto contra a lógica ingênua do egóismo racional. "Oh, diga-me", diz ele, "quem é que primeiro proclamou que o homem só faz coisas sórdidas porque não conhece seus verdadeiros interesses e que, se fosse iluminado, se seus olhos fossem abertos para seus interesses verdadeiros, normais, então o homem iria imediatamente parar de fazer coisas sórdidas, se tornaria imediatamente bom e nobre, porque, sendo iluminado e compreendendo onde seus interesses reais residem, ele veria que seus próprios interesses residem na bondade, e é bem sabido que não há um só homem que possa agir conscientemente contra seu próprio ganho pessoal, seu ego, por assim dizer, e que seria compelido a fazer boas ações? Oh, criança! Oh, pura e inocente criança!".

Os quatro romances clássicos de Dostoiévski, "Crime e Castigo", "O Idiota", "Os Demônios" e "Os Irmãos Karamazov" continuam a luta contra as ideias utópicas de Chernyshevsky. De fato, "O que Deve ser Feito?" atualmente se materializa na forma de livro numa mesa num  café no romance mais irado de Dostoiévski, "Os Demônios", para impulsionar o enredo em crise. A década posterior à publicação de "O que Deve ser Feito?" testemunhou uma corrida estranha entre a vida e a literatura, conforme Dostoiévski tentava apagar o fogo revolucionário, enquanto que os imitadores vivos de Rakhmetov continuavam acendendo novos focos.

Dostoiévski morreu, e a conflagração ficou fora de controle: no início dos anos 1900, Lênin recordou que havia lido "O que Deve ser Feito?" cinco vezes no verão posterior à execução de seu irmão (por conspiração de assassinato contra o czar) e que o livro havia ficado "inteiramente enterrado nele". Ele emergiu pela leitura de um Rakhmetov austero, inflexível e real.

Em 1902, Lênin deu o título de "O que Deve ser Feito?" em homenagem ao romance de Chernyshevsky. Como Rakhmetov, Lênin negava a si mesmo confortos físicos, domou e treinou sua carne, tentou endurecer a si mesmo para suportar os sofrimentos dele e dos outros. Lênin lideraria a Revolução Russa, continuando a desempenhar o papel de Rakhmetov mesmo depois dela, quando foi instalado no Kremlin como ditador supremo da União Soviética. Lá, ele deu autorização ao Terror Vermelho[32], legando todo um aparato e uma metodologia de repressão brutal a Josef Stálin[33]. O utopismo tolo direcionado ao futuro e a repressão impiedosa dirigida ao presente - Lênin achou inspiração em Chernyshevsky para fazer essas duas coisas.

E não fó só a geração de Lênin que caiu na adoração de Chernyshevsky. Alisa Rosenbaum[34] - mais tarde, Ayn Rand - nasceu em 1905 e cresceu na Rússia na época em que as ideias de Chernyshevsky eram praticamente onipresentes e inatingíveis entre a intelligentsia. Jovens progressistas russos, em imitação ao "novo povo" de Chernyshevsky, praticaram o amor livre e novas formas de casamento, experimentadas no modelo econômico de Chernyshevsky. 

Enquanto que Rand nunca admitiu publicamente ter se inspirado em Chernyshevsky, todas as pessoas educadas da geração dela leram "O que Deve ser Feito?", e não há motivos para pensar que Rosenbaum fosse a única exceção. Muitos estudiosos da literatura têm construído um estudo persuasivo acerca da influência de Chernyshevsky sobre Rand ao longo dos anos. 

O que realmente finca raízes na futura mentalidade de Rand foi a imagem de Rakhmetov, que podemos reconhecer facilmente nos próprios super-heróis dela: o egoísmo racional torna-se a fundação do objetivismo: a forte aversão à caridade, que Rand também baniu na utopia dela, "A Revolta de Atlas". Com essa estranha "bagagem", a jovem Rosenbaum fugiu para os Estados Unidos em 1926, usando a desculpa oficial de que ela queria visitar parentes estadunidenses.

De modo divertido, Chernyshevsky descobriu que a utopia dos egoístas racionais seria o socialismo, enquanto que Rand, aplicando a mesma fórmula, chegou ao capitalismo como conclusão. Tais contradições são, na verdade, a regra dentro da zona de distorção chamada "egoísmo racional". Rakhmetov, no entanto, estava de volta - e bastante inalterado. 

Howard Roark, o herói de Rand em "O Manancial", explode um prédio com uma bomba. Os titãs de negócios em "A Revolta de Atlas" também são terroristas moldados segundo a imagem de Rakhmetov: fortes, altos, magros e austeros, até o ponto do ascetismo - e extremistas, cada um deles. O magnata do petróleo Ellis Wyatt explode seus próprios poços de petróleo; Francisco d'Anconia, proprietário de um enorme negócio internacional de mineração de cobre, detona suas minas de cobre e, na véspera de sua sabotagem, causa deliberadamente pânico nas ações de sua própria empresa.


Este último exemplo - o do terrorismo financeiro - antecipa as atividades da criação final de Rand, Alan Greenspan. Se Chernyshevsky despertou Lenin, então Ayn Rand fez o mesmo com Greenspan. "Eu estava intelectualmente limitado, até conhecê-la", escreveu Greenspan em seu livro de memórias publicado em 2007, sob o título "Era da Turbulência: Aventuras num Mundo Novo". "Rand... ampliou meus horizontes muito além dos modelos de economia que aprendi". Ao ler seu manuscrito de "A Revolta de Atlas" em voz alta para membros do "Coletivo", como os seguidores de Rand se chamavam (Greenspan constava entre eles), ela o transformou em um de seus mais leais objetivistas.

Os romances de Chernyshevsky e Rand tornaram-se extremamente populares e influentes, inspirando várias gerações de líderes corporativos e políticos. Mas os dois livros também provocaram uma reação de zombaria na intelligentsia. William F. Buckley[35], que, décadas mais tarde, descreveu apropriadamente "A Revolta de Atlas" como "mil páginas de fabulismo ideológico" e riu do fato de que ele teve que se "flagelar" para lê-lo, além de, em 1957, ter solicitado a Whittaker Chambers[36] para que o livro fosse desmanchado na National Review[37]. "A Revolta de Atlas", escreveu Chambers, "era um livro notavelmente tolo, um conto de fadas de ferro-concreto" que descrevia uma guerra entre os "saqueadores" coletivistas (que odeiam a vida) e os capitalistas sobre-humanos. 

Os Titãs capitalistas prevalecem e tomam o controle dos Estados Unidos contra os "coletivistas desconcertados". O tedioso e gritante "tom ditatorial" de Rand foi aquilo que a desmascarou como a "grande irmã", e todo o romance é subscrito com um ódio à humanidade. Rand nunca perdoou Buckley por esta revisão, que ela fingiu não ter lido; seus seguidores, segundo ela, estavam proibidos de mencionar isso. Eles continuaram fingindo que esse era o maior livro já escrito, quando na verdade é, em termos de suas idéias contraditórias e estilo de prosa doloroso, nada mais do que um encaixe e uma sequela de "O que Deve ser Feito?".

"Cada ditador é um místico", proclama John Galt, o herói de "A Revolta de Atlas", "e cada místico é um ditador em potencial. [...] O que ele procura é poder sobre a realidade e sobre os meios dos homens de percebê-la". "A própria Rand buscou esse poder, mas por todos os seus esforços, ela recebeu o escárnio. Ela esperava que o livro "A Revolta de Atlas" mudasse o mundo para a utopia racional-egoísta de Gulch e de John Galt. Quando isso não aconteceu, ela se tornou mais reclusa e ficou viciada em drogas.

Finalmente, ela soltou Greenspan ao mundo. Nele, ela havia escrito um herói final devastador, herdeiro do personagem de Chernyshevsky, Rakhmetov, herdeiro de seu próprio John Galt, e libertou-o de suas páginas para que ele pudesse operar sem restrições no meio da história. Greenspan era a carne de sua mente, sua ideia encarnada, e talvez ela desejasse ter vivido por meio dele, conforme ele começou a exercer o objetivismo no palco nacional e global. 

Pergunta-se o que a professora de Greenspan teria dito se ela tivesse vivido para vê-lo no FED, onde ofereceria à economia dos EUA uma hecatombe espetacular ao objetivismo. Pode-se perguntar, também, o que Chernyshevsky pensaria sobre toda a história mal feita que  ele começou. Agora, há misticismo para você também.




Postado originalmente em: Politico.com



Notas:

Todas as notas foram incluídas pelo tradutor e não constam no artigo original. 

O título desta tradução é uma alteração do título do artigo original, mais adequado ao português

[1] Alan Greenspan é um economista estadunidense que atuou como presidente do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (mais conhecido como FED), de 11 de agosto de 1987 a 31 de janeiro de 2006, diretamente apontado por Ronald Reagan, o então presidente dos EUA em 1987. As políticas liberais de Greenspan, inspiradas em Rand, semearam grande parte da crise econômica dos EUA em 2008.

[2] Rose Goldsmith foi a mãe de Alan Greenspan. Ela teve certa participação na administração econômica do filho.

[3] Ayn Rand foi uma escritora, roteirista, dramaturga e filósofa nascida na Rússia e naturalizada estadunidense. Desenvolveu o sistema filosófico chamado de Objetivismo. Seus livros são dos materiais mais influentes entre liberais e libertários. Rand foi grande opositora de qualquer traço coletivista, defendendo o "egoísmo racional".

[4] Fundado em 23 de dezembro de 1913, o Federal Reserve System (Sistema Federal de Reserva), conhecido de modo informal como The Fed ou FED, é o sistema central de bancos dos EUA. Suas principais funções são formular e executar políticas monetárias emitir relatórios sobre a situação econômica estadunidense, supervisionar e regular os bancos-membros. 

[5] Warren Edward Buffet é investidor e filantropo estadunidense. É um dos homens mais ricos do mundo, ocupando o primeiro lugar em 2008 (o mesmo ano da crise mundial). É tido por muitos como o investidor mais bem-sucedido do século XX.

[6] Visão baseada em Ayn Rand.


[7] Para compreender melhor o significado dessa expressão (second hand, second handers) de difícil tradução para a língua portuguesa, acesse o seguinte link (em inglês): second-handers.

[8] Nikolay Gavrilovich Chernyshevsky nasceu em 12 de julho de 1828 e faleceu em 17 de outubro de 1889). Foi um revolucionário e filósofo russo, um socialista crítico, sendo considerado por alguns como um socialista utópico. Ele liderou o movimento revolucionário democrático durante os anos 1860, tendo sido uma das maiores influências de Vladimir Lênin. Chernyshevsky também foi um dos fundadores do narodismo, o populismo em sua versão russa. Por sua vez, Chernyshevsky foi influenciado por filósofos como Belinsky, Feuerbach e Herzen.

[9] Vladimir Ilyich Ulyanov, popularmente conhecido como Lênin, foi um revolucionário, político e teórico comunista russo que atuou como chefe do governo da República Russa entre 1917 e 1918, e da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, de 1918 a 1924, e da URSS de 1922 a 1924, tendo sido sucedido por Josef Stálin. Lênin foi um dos principais responsáveis pela transição do antigo sistema czarista para o sistema socialista unipartidário, governado pelo Partido Comunista. Sua corrente de pensamento é reconhecida como Leninismo, sendo também referida como Marxismo-Leninismo.

[10] Ronald Wilson Reagan foi ator e político estadunidense, servindo como o 40° presidente dos EUA e 33° governador da Califórnia. Começou a carreira política pelo Partido Democrata, mas mudou para o Partido Republicano em 1962. Grande parte das políticas econômicas adotadas por Reagan deram início às causas da crise econômica estadunidense. 

[11] Ronald Ernest "Ron" Paul é um médico e político estadunidense. Ron concorreu à presidência dos EUA em 1988 2008 e 2012. Ron adota princípios libertários. Sempre vota contra aumentos de impostos ou aumentos de salários de políticos, e se recusa a receber a pensão do Congresso.

[12] Paul Davis Ryan é um político estadunidense eleito sete vezes consecutivas para a Câmara de Representantes dos EUA. Concorreu como vice-presidente do candidato Mitt Romney, em 2012, tendo sido derrotados por Barack Obama, que concorria à reeleição. Atua como presidente da Câmara dos Representantes dos EUA desde 29 de outubro de 2015. Paul tem influências claramente liberais (ou neoliberais), advogando, dentre outras coisas, o fim do Medicaid (um programa social estadunidense para oferecer auxílio médico a famílias de baixa renda).

[13]  Clarence Thomas é juiz associado da Suprema Corte dos Estados Unidos, tendo sido nomeado em 1990 por George H. W. Bush. É o segundo juiz negro a integrar a Corte. A abordagem jurídica de Thomas é a de manter o "significado original da Constituição dos EUA", sendo considerado como o membro mais conservador da Suprema Corte. Ele defende um sistema essencialmente federalista, com limitações ao governo federal e ampliação dos direitos dos governos estaduais e locais, enquanto, ao mesmo tempo, defende um poder executivo substancialmente forte.

[14] Robert Edward Turner III é um bilionário e filantropo, fundador do canal CNN e um dos maiores sócios do grupo Time Warner. Robert herdou e ampliou o império midiático de seu pai, sucedendo-o após seu suicídio. É o maior proprietário de terras dos EUA e um dos maiores latifundiários do mundo, com uma porção de terras superior aos estados de Rhode Island e Delaware somados.

[15] Mark Cuban é um ator, apresentador, filantropo e bilionário estadunidense. É o proprietário da equipe de basquete Dallas Mavericks (a terceira franquia com maior valor na NBA, numa cifra estimada em mais de U$463 milhões, atrás apenas do New York Knicks e do Los Angeles Lakers) e presidente da HDNet.

[16] Claude-Henri de Rouvroy, mais conhecido como Saint-Simon, foi um dos fundadores do socialismo moderno e um dos criadores do chamado Socialismo Utópico.Sua corrente foi essencialmente sobrepujada pelo materialismo de Karl Marx.

[17] Isidore Auguste Marie François Xavier Comte foi um filósofo francês, considerado como pai da Sociologia e criador do Positivismo, que nega que a explicação de fenômenos naturais possa vir dum princípio único, ignorando essencialmente suas causas e se dedicando ao estudo das leis dos fenômenos. 

[18]  François Marie Charles Fourier foi um socialista francês e um dos pais do cooperativismo. Foi crítico ferrenho do economicismo e do capitalismo, opondo-se à industrialização, à civilização urbana, ao liberalismo e à família matrimonial monogâmica. Seu estilo crítico era essencialmente o da sátira, o que fez com que ele fosse extremamente popular. François também foi um dos criadores do modelo de falanstério, organizações comunais de produção e consumo. Foi também um dos precursores da psicanálise e militante pela paridade entre homem e mulher. 

[19] Ludwig Andreas Feuerbach foi um filósofo alemão e um dos criadores do chamado ateísmo humanista. Foi uma das grandes influências sobre Karl Marx. Feuerbach foi um dos alunos de Hegel. As críticas de Marx à religião, como sendo um instrumento de "alienação das massas", foram inspiradas em grande parte por Feuerbach. Feuerbach marca a transição entre o  chamado Idealismo Alemão e o Materialismo Histórico de Karl Marx. Ele foi a "ponte" essencial para o Marxismo.

[20] Bogatyr (em russo, богатыр), ou vityaz (em russo, витязь) é o termo utilizado pelas lendas folclóricas eslavas para referir-se aos heróis. É o termo equivalente ao knight (cavaleiro) nos contos medievais da Europa Ocidental. Na linguagem russa moderna, esse termo é usado para se referir a um cavaleiro, um guerreiro ou, de maneira mais genérica, uma pessoa forte.

[21] Hagiografia é a biografia que descreve a vida de santos, beatos e servos. É um estudo essencialmente do Cristianismo, encontrando equivalentes em outras religiões, como Islamismo e Budismo.

[22] Aleksandr Ivanovich Herzen foi um escritor, pensador e filósofo russo conhecido como "pai do socialismo russo" e um dos pais do populismo agrário, tendo publicado a maior parte de seus trabalhos durante seu exílio em Londres. Seus trabalhos são considerados como de grande influência sobre a abolição dos servos na Rússia, em 1861. Seu trabalho "Meu Passado e Meus Pensamentos" é considerado como o melhor do gênero na literatura da Rússia.

[23] Ivan Sergeievitch Turgueniev foi um romancista e dramaturgo russo, cuja obra "Pais e Filhos" é considerada como uma das maiores obras primas da ficção literária russa do século XIX.

[24] Afanasy Afanasyevich Fet foi um dos mais renomados poetas russos, considerado como o mais primoroso mestre em versos líricos de toda a literatura russa.

[25] Vera Ivanovna Zasulitch foi uma importante revolucionária russa, adepta do niilismo e posteriormente aderida ao pensamento marxista. Em 1869, chegou a ser presa por manter contatos com o anarquista Sergei Netchaev. Em 1878, participou das tentativas de assassinato contra Vladislav Zhelekhovski, importante promotor que se opunha aos militantes revolucionários, e de Teodor Trepov, então governador de Petrogrado. Os dois atentados fracassaram, mas Trepov foi gravemente ferido. Foi uma das fundadoras do jornal Iskra ("Centelha"). A carreira de militância de Vera decaiu quando ela se aliou aos Mencheviques, em oposição à ala (vitoriosa) dos Bolcheviques, liderados por Lênin. Foi uma das fortes apoiadoras da participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial, opondo-se à Revolução Russa de Outubro, em 1917. Morreu em 1919, em Petrogrado.

[26] Nikolai Andreyevich Ishutin foi um dos primeiros socialistas utópicos russos, combinando a propaganda socialista às teorias da conspiração e táticas de terrorismo. Lecionou na Universidade Estatal de Moscou, em 1863, cooptando vários de seus alunos e formando uma célula revolucionária conhecida como "Sociedade Ishutin". Em 8 de abril de 1866, ele foi preso por conta de suas conexões com a tentativa de assassinato contra o czar Alexander II, organizada por seu primo Karakazov. Ishutin foi condenado à execução por enforcamento, mas sua sentença foi alterada para aplicação de exílio. Permaneceu em confinamento de solitária no Forte de Shlisselburg até maio de 1868, quando foi transferido para a prisão de Algachi, mentalmente doente. Depois, foi movido para Nerchinsk em 1871 e para Kara Katorga, em 1875, morrendo ali em 1879.

[27] Dimitry Vladimirovich Karakazov foi o primeiro revolucionário russo a realizar uma tentativa de assassinato contra o último czar, Alexander II. Ele redigiu e distribuiu um manuscrito intitulado "Aos Amigos Trabalhadores", onde incitava o povo à rebelião. Nela, Karakazov escreveu: "Decidi destruir o maligno czar e morrer por meu amado povo". O atentado fracassou e Karakazov foi preso, mantido na Fortaleza de Pedro e Paulo. Ele implorou por perdão e se converteu à ortodoxia russa. A Suprema Corte Criminal o sentenciou à morte por enforcamento, e ele foi executado em 3 de setembro de 1866, em São Petersburgo. Outros dez de seus comparsas foram sentenciados a trabalhos forçados, e outros 25 foram absolvidos.

[28] Os Jacobinos eram aqueles que, no contexto da Revolução Francesa, fizeram a renúncia ao Convento de São Tiago dos Dominicanos (a versão em latim para o nome Tiago é Jacobus, daí o nome de Jacobinos) e que passaram a defender mudanças essencialmente mais radicais do que aquelas defendidas pelos Girondinos, opondo-se ao sistema monárquico e defensores do republicanismo.

[29] Sergey Gennadiyevich Nechayev foi um dos associados ao Movimento Niilista, um dos maiores defensores de que todos os meios úteis à concretização Revolução devem ser utilizados, indiscriminadamente. É, assim, um dos defensores da chamada "moral revolucionária", pela qual as noções de "certo" e "errado" são definidas pelo contexto revolucionário e pela utilidade em relação à Revolução, e não por uma moralidade atemporal.

[30] Aleksandr Ilyich Ulyanov foi um revolucionário russo, mais conhecido por ter sido o irmão mais velho de Vladimir Lênin. Ele também ficou conhecido pelo pseudônimo de Sasha, uma forma de diminutivo bastante comum para o nome Aleksandr.

[31] Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski foi um filósofo, escritor e jornalista russo, um dos mais notórios romancistas da história. Fiódor é tomado como o criador do Existencialismo, corrente bastante perceptível em sua obra "Notas do Subterrâneo", considerada por Waltter Kaufmann como a "melhor proposta para o existencialismo já escrita". Dostoiévski explora temas como assassinato, humilhação, suicídio, autodestruição, loucura e homicídio, dentre outros, abordando filosoficamente essas questões. O modernismo literário e as várias escolas teológicas e psicológicas foram grandemente influenciados pelas ideias contidas nas obras de Dostoiévski que, em grande parte, podem ser tomadas como antagonistas às correntes literárias dos revolucionários de sua época. 

[32] Terror Vermelho é o nome dado à campanha de prisões, execuções e censura em massa perpetrada pelos Bolcheviques na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Foi oficializado em 2 de setembro de 1918 por Yakov Sverdlov e finalizado em outubro do mesmo ano. Alguns historiadores, como Serghei Melgúnov, ampliam esse período para o ano de 1922.

[33] Josef Vissarionovitch Stálin foi o georgiano que sucedeu Lênin como líder da União Soviética, governando de 1922 até sua morte, em 1953. Stálin liderou um processo de rápida e cruenta industrialização, o que garantiu à URSS um papel crucial na derrota sobre a Alemanha nazista, alçando a URSS ao patamar de potência mundial. Stálin conduziu os processos mais implacáveis de expurgos e perseguições políticas.

[34] Nome de batismo de Ayn Rand. 

[35] William Frank "Bill" Buckley, falecido em 2008, foi um intelectual político americano, fundador da revista National Review, um dos maiores veículos de difusão do conservadorismo nos EUA. Participou de 1429 edições do programa Firing Line, de 1966 a 1999. Foi colunista em vários veículos de comunicação e escreveu vários romances com a temática de espionagem.

[36]  Whittaker Chambers, batizado Jay Vivian Chambers e também conhecido pelo nome de David Whittaker Chambers, foi um escritor estadunidense. Participou do Partido Comunista e foi agente a serviço dos soviéticos, de 1932 a 1938. Mais tarde, ele desertou do Partido Comunista e do serviço secreto soviético, participando dos julgamentos de Alger Hiss e tornando-se um dos mais ferrenhos anticomunistas. Suas ações foram registradas em sua autobiografia Witness (Testemunha). Ele também trabalhou para a revista National Review. Ronald Reagan concedeu-lhe a Medal of Freedom (Medalha da Liberdade) em homenagem póstuma, em 1984.

[37] A National Review (Análise Nacional) é uma revista mensal focada em notícias e análises políticas, culturais, sociais e econômicas. A revista foi fundada por William F. Buckley Jr, em 1955, e é atualmente dirigida por Rich Lowry. A revista possui uma versão online, a National Review Online, editada por Charles C. W.; é um dos mais significativos veículos de propagação e difusão dos ideais da Direita estadunidense e do conservadorismo nos Estados Unidos.

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