sexta-feira, 19 de maio de 2017

Alexandr Dugin: O Neoliberalismo é um dogma para fanáticos

Por: Claudio Napoli
Tradução: Jean A. G. S. Carvalho

 

Numa de suas conferências, intitulada "A ideologia das ambições dos Estados Unidos para a hegemonia global', realizada em 16 de Fevereiro de 2016 no Instituto Russo de Pesquisa Estratégica, Alexandr Dugin enfatizou a natureza totalitária sobre a qual tais ambições são baseadas.

De acordo com Dugin, o neoliberalismo global, liderado pelo bloco anglo-americano, está tentando impor ao mundo, com uma violência mais ou menos velada, um verdadeiro totalitarismo, cuja auto-referencialidade não tolera funcionalmente a existência de pontos de vista alternativos.

"Um Estado soberano se transforma num inimigo a ser eliminado no exato momento em que adota um modelo de desenvolvimento econômico e geopolítico diferente do credo elaborado pela máquina midiática propagandística de Washington e Londres: nenhum sujeito pode ter a liberdade de não ser liberal. Credo, quia absurdum est."- Alexandr Dugin

A partir desta perspectiva, entendemos perfeitamente como, desde a década de 1950 no século passado, os principais aliados do liberalismo atlântico foram fundamentalistas islâmicos, neonazistas e juntas militares.

O caráter de parcerias semelhantes só é aparentemente contraditória, já que o caráter de absoluta exclusividade encarnado por estes "ajustes" de pensamento sempre encontrou um inimigo comum nos movimentos socialistas e no nacionalismo secular, que foram esmagados metodicamente no mundo inteiro, ao longo dos últimos de 66 anos (com exceção dos países escandinavos e do Uruguai de Mujica, cujos casos muito específicos não pode, contudo, passar por exames no âmbito deste artigo).

No campo da conferência de fevereiro, o filósofo russo examinou em detalhes o impacto do fanatismo liberal sobre o tecido constitucional, social e político na Rússia contemporânea:
 
"Os estadunidenses impõem seus valores liberais como um dogma. A própria ausência de qualquer posição ideológica na nossa Constituição é uma consequência do dogma neoliberal,que permeia nossa consciência, nossa publicidade, nossa educação, as nossas instituições e, claro, a nossa Constituição".
- Alexandr Dugin  

Como Dugin explica um espírito único paralisando a consciência e as estruturas institucionais de nações ocidentais e da Rússia? Com a matriz protestante de espírito, fundada no conceito da superioridade da nação inglesa:


"A ideia de uma missão especial incorporada pelos anglo-saxões já existia no século XIX. Este mito é baseado na ideia da natureza elitista da 'raça' anglo-saxã e protestante [...]. Ainda hoje há um grande número de pessoas que pregam este princípio. Estamos enfrentando fanáticos que, desde Cromwell, têm sacrificado as vidas de milhões de pessoas."
- Alexandr Dugin 

As reflexões sobre o verdadeiro caráter do messianismo neoliberal anglo-americano não são novidade para Dugin. Ao contrário: podemos defini-las como a base conceitual dos estudos iniciados pelo filósofo para formular a Quarta Teoria Política. A avaliação que Dugin tem feito sobre esse messianismo ao longo dos anos é extremamente negativa.

Com base na polêmica de Nietzsche contra o utilitarismo inglês teorizado por J. S. Mill, Dugin sempre manteve a opinião de que o utilitarismo e o neoliberalismo, que é uma derivação direta, trouxe, traz e trará graves repercussões sobre o destino da humanidade, como, por exemplo, lê-se num artigo programático publicado em 2003 pela Novaja Gazeta, no qual Dugin diz que a suposta liberdade dada pelo neoliberalismo é puramente negativa. Ou seja, é uma coisa em nome de suas próprias ambições egoístas de liberação. Certamente, não é uma liberdade criativa, positiva ou social: a liberdade para alguma coisa.

Por sua própria essência conceitual, "liberdade de" (se usarmos uma terminologia heideggeriana) não é algo capaz de resolver (ou pelo menos reduzir) o mal social resultante dos conflitos irreconciliáveis causados pelos benefícios pretendidos pelas multinacionais e o cartel bancário. O neoliberalismo é antissocial.

Neste defeito genético estão os germes implosivos que condenam a sua existência enquanto teoria e sociopolítica prática. Tais germes só podem sobreviver na presença de um inimigo externo. Um inimigo que limita a "liberdade de", mas que tem sido ausente desde 1991, determinando a crise do liberalismo que observamos hoje. Criar novos inimigos é uma tentativa desesperada de superar a crise terminal, inimigos que agora podemos chamar de "ologramáticos".
 
Por quanto tempo vai durar a agonia do liberalismo e da pseudo-civilização, imposta às nações conquistadas até o presente momento? A resposta de Dugin, dada em 2012 em uma entrevista no site da Politikus.ru é a seguinte:


O problema é que os neoliberais acreditam firmemente que o Fim Supremo da história será resolvido no exercício das teorias deles. Eles não enxergam nada além dessa matriz de pensamento. E isso é uma coisa muito perigosa, uma vez que estamos lidando com um movimento imperialista reforçado por um sucesso mundial temporário [...], isso não vai ser algo fácil de se erradicar. Para fazer isso, você precisa desenvolver uma revisão completa de muitos processos históricos."
-Alexandr Dugin 
  
Em outras palavras, gostaríamos de acrescentar que é necessário criar, na dimensão histórica, um Quarto Caminho, ou seja, uma alternativa capaz de neutralizar política, militar e financeiramente a ameaça desse sistema agressivo que chegou à conclusão funcional de seu próprio potencial histórico. isso vai salvar as nações "neoliberalizadas" antes que sejam destruídas por uma implosão que parece inevitável.




Retirado de: Geopolitica.ru

 
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