terça-feira, 11 de abril de 2017

Armas químicas encontradas em depósito rebelde após ataque aéreo sírio em Idlib

Tradução: Jean A. G. S. Carvalho


Fotos do depósito rebelde com armas químicas, tiradas por soldados russos em campo

A Força Aérea Síria destruiu um armazém na província de Idlib, onde armas químicas estavam sendo produzidas e estocadas antes de serem enviadas para o Iraque, disse um porta-voz do Ministério da Defesa russo.

A operação, que foi lançada ao meio-dia dessa última terça-feira [04/04/2017], visou um importante depósito rebelde de munição, localizado a leste da cidade de Khan Sheikhoun, disse um porta-voz do Ministério da Defesa russo, o general Igor Konashenkov.

O armazém era usado para produzir e armazenar dispositivos contendo gás tóxico, disse Konashenkov. Os dispositivos foram entregues ao Iraque e repetidamente usados lá, acrescentou, observando que tanto o Iraque quanto as organizações internacionais confirmaram o uso de tais armas por militantes.

As mesmas munições químicas foram usadas por militantes em Aleppo, onde especialistas militares russos tomaram amostras no final de 2016, disse Konashenkov. O Ministério da Defesa confirmou essa informação como "totalmente objetiva e verificada", acrescentou Konashenkov.

De acordo com a declaração, os civis da cidade de Khan Sheikhoun, que recentemente sofreram um ataque químico, exibiram sintomas idênticos aos das vítimas de ataque químico de Alepo.
Hasan Haj Ali, comandante do grupo rebelde do Exército Livre de Idlib, rejeitou a versão russa sobre o incidente, dizendo que os rebeldes não tinham posições militares na área. "Todo mundo viu o avião enquanto bombardeava com gás", disse ele à Reuters.

"Da mesma forma, todos os civis na área sabem que não há posições militares lá, ou lugares para a fabricação [de armas]. As várias facções da oposição não são capazes de produzir essas substâncias ", acrescentou.

Pelo menos 58 pessoas, incluindo 11 crianças, morreram, e dezenas ficaram feridas depois que um hospital em Khan Sheikhoun foi alvo de um ataque de gás suspeito na manhã de terça-feira, informou a Reuters, citando médicos e ativistas rebeldes. Logo após um míssil supostamente ter atingido a instalação, as pessoas começaram a mostrar sintomas de intoxicação química, como engasgos e desmaio.

As vítimas também foram vistas com espuma saindo de suas bocas. Enquanto o principal grupo de oposição sírio, a Coalizão Nacional Síria, e outros grupos pró-rebeldes culparam o governo do presidente Bashar Assad pelo ataque, o Exército Árabe Sírio rejeitou todas as alegações como propaganda dos rebeldes.

"Negamos completamente o uso de qualquer material químico ou tóxico na cidade de Khan Sheikhoun, e o exército não usou nem usará, em qualquer lugar ou tempo, nem no passado nem no futuro, esse tipo de arma", disse o exército sírio em comunicado. Os militares russos declararam que não realizaram nenhum ataque aéreo na área.
 
No entanto, a chefe de Relações Exteriores da União Européia, Federica Mogherini, comentando o incidente, foi rápida em apontar o governo sírio como um culpado, dizendo que ele é responsável pelo "terrível" ataque.

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, fez eco a Mogherini, acusando o governo sírio de perpetrar o ataque chamando-o de "barbaridade brutal e descarada". Ele argumentou que, além das autoridades sírias, o Irã e a Rússia deveriam também ter "responsabilidade moral".



Postado originalmente em: RT


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