quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Brett McKay: Os três P's da Masculinidade - Procriar

Por Brett McKay
Traduzido por: Marcos Victor


vintage family with a lot of kids sitting for portrait
Bem vindos de volta a nossa série dos 3 p’s da masculinidade: proteger, procriar e prover. Quando o professor David. D. Gilmore realizou uma análise intercultural acerca de como a masculinidade era vivida e interpretada ao redor do mundo, esses três imperativos masculinos emergiram como partes quase universais do código da masculinidade em todas as culturas. Suas descobertas estão detalhadas em seu livro, e as citações do texto, com exceção das que estão destacadas, pertencem ao mesmo.
Se você ainda não leu, eu o convido a ler o primeiro post, intitulado "Notas da Série", além da Conclusão dessa série sobre o imperativo “proteger”. Essas seções são importantes para definir do que se trata esta série, e também a mentalidade com a qual ela deveria ser ponderada.
Conforme continuamos, quero lembrar aos leitores que esses artigos são altamente descritivos, ao invés de prescritivos. Isso significa que eles oferecem um olhar nos principais padrões da masculinidade que são comuns a quase todas as culturas, mas não endossam a ideia de que todos os aspectos desses padrões deveriam ser perpetuados. Em essência, esses imperativos masculinos tradicionais não são bons e nem ruins. O que importa é como eles são vividos e aplicados. Acredito que um homem deve primeiro entender, na íntegra, esses fundamentos que são comuns à séculos de masculinidade, para depois filtrá-los por meio de suas crenças morais e religiosas para determinar o peso deles em sua vida.
Há uma diferença entre o conceito cultural e o filosófico acerca da masculinidade. Aquilo que um homem o outro define como a verdadeira masculinidade pode divergir daquilo que emergiu das realidades biológicas, da pressão evolucionária, das necessidades e expectativas sociais dele e de seu povo. Como aponta o antropologista Michael Herzfeld, há uma diferença entre ser um bom homem e ser bom em ser homem. É com este último que iremos lidar aqui.
O homem como um procriador


O imperativo “procriar” requer, em essência, que um homem obtenha uma mulher, que tenha sucesso em engravidá-la, e então crie uma “família grande e vigorosa” que expanda sua linhagem o máximo possível.

Dentre os 3 P’s, eu acredito que a carga do “procriar” provavelmente tem a menor ressonância com os homens modernos, e será a mais controversa. Há muitas razões para isso, pelo fato de que “procriar” é uma palavra pouco utilizada hoje em dia, e tende a ser lembrada como uma palavra utilizada por um ancião pregador como um eufemismo para o sexo.

Os proponentes do movimento de crescimento zero da população irão dizer que o imperativo para ter filhos está desatualizado, que obter proles numerosas pode ter fortalecido sociedades no passado, mas agora possui o efeito oposto.

Explanando de forma simples, aqueles que não desejam ter filhos irão se irritar com a ideia de que a decisão deles possa representar qualquer coisa que não seja preferência pessoal.

As feministas dirão que a ideia de que o homem deveria agir como um iniciador no flerte é sexista, e que por sua vez possui raízes na objetificação da mulher, tratando-as como um prêmio a ser conquistado.

Por outro lado, pessoas religiosas podem ser bem receptivas à injunção de “multiplicai-vos e enchei a Terra” e, ao mesmo tempo, podem se sentir inconfortáveis com o fato de que, em algumas culturas, era aceitável desempenhar esse papel com uma mulher que não fosse sua esposa, ou com várias esposas.

Além disso, quaisquer tipos de pessoas irão se sentir desconfortáveis em aceitar um padrão de masculinidade que não esteja no controle de um homem. Um homem ineficiente pode se desenvolver e se tornar um provedor, e um homem cobarde pode se desenvolver e se tornar um protetor. Entretanto, como iremos ver, em muitas culturas, o homem era sempre considerado o culpado pela infertilidade, e não havia nada que ele pudesse fazer a respeito.

Ao contrário do papel de proteger e prover, o dever de procriar carece da mesma qualidade heroica de autosacrifício que mexe com os anseios “superiores” de alguém. Ele é mais básico, mais biológico.

Sim, parece que todos os segmentos concebíveis de nossa população atual pode ter uma razão para ter problema com o ideal de procriação como sendo um imperativo masculino fundamental. Ainda assim, esta pauta tem sido o principal componente do código da masculinidade em todo o mundo desde o início dos tempos. Na verdade, antropologistas tais como Napoleon Chagnon diriam que o imperativo “procriar” não é apenas uma parte fundamental dos 3 P’s da masculinidade, mas que também destaca os outros dois e, praticamente, todo o comportamento masculino: o homem deve procurar desenvolver e demonstrar seus conhecimentos e a força necessária para ser um protetor e um bom provedor para conquistar uma mulher e gerar filhos com ela. Uma vez que ele forme uma família, ele então continuará a se esforçar para proteger e prover a eles. Dito isso, a motivação para proteger e prover se deriva da motivação para procriar.

Sendo assim, não importa o quanto uma discussão acerca da procriação possa nos deixar enjoados, pois sua inclusão universal no código global da masculinidade requer que nós deixemos de lado nossas reações instintivas de modo que possamos examina-la de forma mais profunda. Eu tenho esperança de poder dissertar este tipo de tratamento hoje em dia.

A procriação como um dever civil

“O nascimento do primeiro filho é um acontecimento muito importante para o homem zambiano: É quando o homem assume, e ‘de jure’ (pelo direito), a sua masculinidade. Para se tornar “completamente masculino”, o homem zambiano deve não apenas se casar, mas ter filhos também. Ter filhos é uma das muitas funções sociais que constituem a noção de competência cultural, a qual aumenta, de forma direta, a segurança do grupo. Ao engravidar sua esposa, o homem zambiano “se mostra competente” nas funções sociais. Não diferindo muito disso, entre os Baruyas do território Anga, um homem ganha prestígio a cada nascimento bem sucedido “até que ele se torne, de fato, um homem, ao se consagrar pai de no mínimo quatro crianças”.

Todas as sociedades definem padrões de masculinidade que são desenvolvidos para motivar os homens a superar sua passividade e timidez inerentes à natureza humana, para que assim desempenhem as difíceis e perigosas tarefas que são necessárias para a comunidade sobreviver e prosperar. Um homem deve demonstrar o que Gilmore chama de “competência natural”; ele deve ser útil, eficaz – e servir sua família e seu povo. Ao se esforçar para viver os 3 P’s, um homem adquire honra para si mesmo e ganha outros benefícios também, ao mesmo tempo que contribui para a estabilidade, segurança e poder coletivos da sociedade. Dessa forma, o código da masculinidade beneficia tanto o indivíduo como o grupo. (Nós iremos explorar esta dinâmica e suas implicações no mundo moderno, onde a masculinidade não é honrosa ou valorizada, noutro post dessa série)

“É quando os laços com o lar são afrouxados; quando homens e mulheres deixam de considerar ter uma vida familiar digna, uma vez que todas as obrigações tenham sido cumpridas, e todas as responsabilidades tenham sido vivenciadas da melhor forma que a vida pode oferecer, que surgem as dificuldades para comunidade. Há regiões de nossa terra, e classes de nossa população nas quais a taxa de natalidade tem ficado muito abaixo da taxa de mortalidade. Certamente, não é preciso fazer uma demonstração para mostrar que a esterilidade voluntária é, do ponto de vista da nação, do ponto de vista da raça humana, um pecado para o qual a pena é a morte nacional, a morte racial; um pecado para o qual não há expiação. Nenhum homem e nenhuma mulher pode fugir dos deveres primários da vida, seja por amor a felicidade e ao prazer, ou por qualquer outro motivo, e ainda assim manter o respeito próprio.” – Theodore Roosevelt.

Assim, enquanto hoje em dia há a tendência de se pensar no sexo e em filhos em termos prazer e satisfação pessoal, em eras passadas a procriação era vista como um dever civil. O número de filhos que um homem gerava fortalecia essas sociedades em várias frentes – quanto mais membros uma comunidade possuía, mais mãos haviam para produzir alimentos, bens, e mais importante que isso, para servir como protetores e provedores. O tamanho de uma cidade, bem como a reputação da ferocidade de seus homens era um fator crucial para convencer os inimigos a nem mesmo tentarem atacar.

“Tal como acontece entre os chuukeses e as sociedades do Mediterrâneo que nós investigamos, o homem de respeito da Nova Guiné deve espalhar sua semente e multiplicar. Embora esses homens encarem as relações sexuais com uma certa ansiedade, espera-se que eles superem suas inibições e se reproduzam sexualmente, assim como eles são exortados a produzir econômica e militarmente, e a assumir um papel de comando nas negociações e na oratória. A reprodução não é um prazer pessoal; ela é entendida, de forma consciente, como uma obrigação social e um bom padrão de cidadania. Dado os perigos da vida nas Terras Altas, em especial a ameaça militar, a sociedade precisa de descendentes para sobreviver. Quanto maior a cidade, mais segura ela é militarmente: ninguém se atreve a atacar um lugar com muitos homens armados. O estresse relativo à reprodução para aumentar os números é forçado nos garotos como sendo um dever civil. “

Tal como iremos explorar melhor no próximo tópico, a marca universal de um verdadeiro homem em muitas culturas ao redor do mundo era se ele produzia mais do que consumia, se ele criava e adicionava valor em todas as áreas da vida, ou se ele era um parasita, um homem que falhava “na busca de todos os ideais masculinos construtivos”. Sendo assim, aquele que não fortalecesse a sociedade gerando um grande número de filhos era visto como um elo fraco e, portanto, era indigno do título de homem.

Mas por que os homens precisariam de um empurrão para procriar? O impulso sexual não é forte o bastante para deixar que ele siga seu curso natural? O desejo de copular pode, de fato, ser algo bem potente, mas como nós iremos ver, foi também um esforço cheio de riscos que podem fazer com que um homem se sinta tentado a desistir.

Perseguição frenética

“A timidez sexual é uma falha mais que casual em um jovem da Andaluzia; é uma inadequação séria e trágica. A cidade inteira considera a timidez masculina uma calamidade pessoal, uma desgraça coletiva, e se lamenta por isso. As pessoas disseram que Lorenzo tinha medo de garotas, medo de tentar a sorte, de apostar no jogo do amor. Eles acreditam que um verdadeiro homem deve romper a barreira da resistência feminina que separa os sexos; caso contrário, que Deus o livre, ele nunca se casará e nem terá herdeiros. Se isso acontecer, todos sofrerão, pois as crianças são um presente de Deus para a família, para a cidade, e para a nação.”

A chave para cumprir o papel de procriador era atuar como o iniciador, e esse requisito dava início ao processo de sedução. Nas culturas ao redor do mundo, espera-se que o homem dê o primeiro passo, cative a mulher, e que não tenha medo duma possível rejeição.

Se duas pessoas são necessárias para se dançar tango, então como a função de começar o cortejo e a sedução acabou ficando para o homem?

Bem, a verdade por trás disso, mesmo que seja desagradável de reconhecer e contemplar, pode ser atribuída à anatomia masculina e à poligamia.

Enquanto uma mulher pode gerar apenas poucos bebês por vez em seu ventre, o homem, como produtor de uma quantidade ilimitada de esperma, pode gerar um número de filhos que é hipoteticamente limitado apenas pelo tempo que ele investe na copulação. Tendo em vista que todos nós somos organismos biológicos conduzidos a perpetuar nossa espécie, e que os homens possuem uma indução de testosterona mais robusta, há muito tempo tem sido pensado que os homens tem um impulso sexual maior do que o das mulheres. E, falando de forma hipotética, um homem pode agir de acordo com esse impulso sempre que ele desejar e, tendo em vista que no ato sexual ele é o penetrador e a mulher é a penetrada, é possível para o homem não apenas iniciar o sexo, mas também faze-lo sem o consentimento da mulher.

Em sociedades primitivas poligâmicas, o fato de que alguns homens possuíam várias esposas também significava que alguns não tinham nenhuma, o que forçava estes a realizarem ataques perigosos à cidades vizinhas para violar suas mulheres e sequestrarem futuras noivas.

Enquanto as sociedades se mordenizavam e a monogamia se tornou o padrão comum, os homens adquiriram chances iguais de encontrar uma parceira, e os códigos de conduta moral e religião se desenvolveram de forma a moderar o temperamento e a canalizar as energias sexuais masculinas para uma mulher de cada vez. Sequestro e violação foram abolidos do processo de procura de uma esposa, mas o dever de ser o iniciador do processo permaneceu. Como foi mencionado no post tópico anterior, um padrão fundamental de masculinidade é a disposição em aceitar riscos e competições. Então, o ato de derrotar outros pretendentes para ganhar o coração duma mulher, e correr o risco de rejeição ao “tentar a sorte”, continuou a ser visto como um comportamento masculino.

O que começou como uma justificativa para violência se transformou em ato cavalheiresco; tendo em vista que os homens foram ensinados a ser estóicos, e que as mulheres, supostamente, tinham sentimentos mais tenros, os homens assumiram, por vontade própria, o risco de fazer as perguntas e acabar sendo rejeitado. Isso acabou se tornando a coisa cavalheiresca a se fazer.

Um procriador potente

“Assim como lutar e prover, a relação sexual é, portanto, um negócio arriscado para os homens chuukeses, é uma questão de ganhar ou perder, pois o homem pode fazer o trabalho ou não, dependendo de como seu órgão “trabalha”. A relação sexual é uma competição na qual somente o homem pode perder, e não a mulher.”

Os riscos e responsabilidades de ser o iniciador continuaram no sexo. Cumprir o papel de procriador significava demonstrar a virilidade e a competência sexual, e isso significava não apenas ser capaz de agradar uma amante, como também ser capaz de “fazê-lo subir”.

Enquanto em algumas culturas a satisfação sexual da mulher era ignorada, em outras, se um homem era incapaz de satisfazer sua amante, sua reputação masculina sofria. Gilmore afirma que:

“Lutar, beber e desafiar a natureza não são as únicas medidas de masculinidade. Os homens chuukeses devem provar sua competência em outra arena: o sexo. Para manter uma boa impressão no ato sexual, os homens chuukeses devem ser os iniciadores, totalmente no comando. O sucesso do ato sexual depende da performance dele; em cada caso de amor ele é testado de forma ríspida. Assim como os andaluzes e os italianos, os chuukeses devem ser potentes, ter muitas amantes, e levá-las ao orgasmo várias vezes. O interessante é que essa habilidade erótica não é definida como amor ou charme, mas sim como pura competência física. Se eles falham em satisfazê-las, as mulheres riem deles. Eles, por sua vez, ficam envergonhados por serem ineficientes. Além disso, o fracasso deles é recompensado com insultos e zombarias comparando-os à meninos pois são incapazes de realizar tal ato. O insulto comum para um homem que tem uma performance ruim é receber o seguinte comentário: “Segure o peito como um bebê”.

A impotência era considerada como algo incrivelmente emasculante, tendo em vista que ela roubava do homem até mesmo a chance de satisfazer sua parceira e, mais importante que isso, de atingir o ápice do que o ato sexual tem como objetivo: gerar filhos. Por essa razão, essa doença tem sido uma fonte de ansiedade para os homens em muitas culturas ao redor do mundo até os dias atuais. Basta olhar para as imagens, quase cômicas, de masculinidade usadas em comerciais de drogas para disfunção erétil para perceber que essa insegurança acerca das implicações da impotência para a imagem do homem como um todo ainda permanece.

“Muitos homens indianos têm sido descritos como obsessivamente preocupados com relação às suas capacidades sexuais. Esse medo enaltecido da impotência ocorre por todo o subcontinente e acredita-se que seja algo peculiar aos indianos. Em alguns casos, os homens adotam dietas especiais para combater a impotência e melhorar a performance. Na maior parte das vezes, isso envolve poções mágicas e a ingestão, de forma homeopática, de fluidos semelhantes ao sêmen, tais como o leite, a clara do ovo, ou até mesmo sêmen, propriamente dito. O medo da perda da virilidade tem dado origem a mais do que a panóplia habitual de curas e tratamentos para a impotência – sejam eles reais ou imaginários – tanto na Índia como no Sri Lanka.”

Realizando feitos heroicos para a minha dama

"God Speed" do artista pré-rafaelita Edmund Blair Leighton.

Todos os 3 P’s interagem e se inter-relacionam uns com os outros de tal forma que ao demonstrar que você era um bom protetor e um bom provedor, você poderia impressionar as mulheres de sua comunidade, e assim adquirir oportunidades de demonstrar sua habilidade como um procriador.

Muitos dos riscos que os homens correm, a riqueza que eles tentam acumular, e as coisas exibicionistas que eles fazem são, à maneira deles, tentativas de impressionar as mulheres, as quais têm tido o tradicional papel de porteiras para o sexo. As mulheres também não servem apenas como tentações passivas, e podem incitar os homens a fazerem demonstrações de masculinidade.

Por exemplo, entre os Samburu, uma tribo pastoral do leste da África, o gado possui um alto valor, pois eles servem tanto como fonte de nutrientes quanto de riqueza, e o tamanho do rebanho de um homem está correlacionado, de forma direta, ao seu nível de prestígio masculino. Roubar o gado de tribos vizinhas para aumentar o próprio rebanho é algo não apenas aceito, como também é encorajado. Isso porque espera-se que os homens da tribo que são ricos devido ao gado deem festas nas quais eles compartilhem sua riqueza com seus companheiros de tribo. Um aumento no rebanho de um homem beneficia toda a comunidade.

Para os jovens Samburu (chamados de moran), a invasão é algo visto como um importante teste de coragem e, em especial para aqueles “que têm poucas oportunidades para acumular animais para a matriz”, invadir e roubar representam os principais meios de atingir a masculinidade e todas as suas recompensas sociais: respeito, honra, mulheres e filhos”.

É durante as festividades da tribo e danças exuberantes que a conexão entre a vontade de um jovem de afanar o gado e seu desejo de impressionar uma possível parceira sexual ou esposa se torna evidente:

“As garotas em idade de se casar, que ficam em pé na margem, cantam músicas alegres que provocam os morans que nunca participaram de uma invasão. Em sua elegância, elas cantam suas letras, fazendo insinuações irritantes sobre a covardia. Movidos pela beleza e pelo desafio das garotas, os garotos são envolvidos em uma frenesi de desejo. Levados a fazer uma tentativa de roubo sem demorar, eles aceitam o desafio de forma impassível. Spencer observa que: ‘O fato de as provocações das garotas ajudarem a manter esse ideal, e a induzirem os morans a roubar, pode ser julgado pela seguinte definição de um dos morans: ‘Você está lá parado em meio a dança, e uma garota começa a cantar. Ela levanta seu queixo bem alto e você vê a garganta dela. E então, você quer ir roubar um rebanho pra você. Você sai da dança e vira a noite sem medo de nada, estando consciente apenas do fato de que você vai roubar uma vaca’”.

Tal como observa Gilmore, aqui vemos, mais uma vez, como os padrões de masculinidade trabalham para avançar, de forma simultânea, os interesses do indivíduo e do grupo:

“A forma com que os morans impressionam seus objetos de desejo correndo riscos em terras desconhecidas parece fazer parte de uma estratégia global virtual de cortejo. Na Inglaterra elisabetana, assim como entre os Samburu, esse apelo romântico de “passar perigo” em defesa de valores básicos é algo que todos teriam entendido facilmente como a confabulação mítica da masculinidade.

Como uma representação coletiva, a masculinidade forja, com frequência, um escudo de ferro do protecionismo na ferraria da honra e da coragem; o magnetismo sexual vem na sequência, assim como a virilidade em si era uma questão de enfrentar os perigos para socorrer aqueles que se ama. A conexão entre a virilidade e civismo aparece de forma clara e dramática.“

O tema do homem que realiza atos corajosos para ganhar o coração da mulher, e ao mesmo tempo beneficia a comunidade como um todo, é ubíquo no mito e na cultura ocidentais até hoje. Pense no cavaleiro que mata um dragão que está aterrorizando as terras do povo para ganhar a mão da princesa, ou no herói de ação que mata um vilão que sequestrou seu interesse amoroso, ao mesmo tempo que impede este gênio do mal de explodir o mundo.

Questão de resultados

“No sul da Espanha, as pessoas irão olhar com desprezo para um homem casado sem filhos, não importando o quanto ele venha a ser sexualmente ativo no casamento. O que conta são os resultados, e não as preliminares”.

Em muitas culturas, experimentar uma certa quantidade de coisas era um comportamento aceito para os homens jovens. Mas essas farras juvenis não eram vistas como uma finalidade para a masculinidade, mas apenas meios para um fim:

“Mesmo naquelas partes do sul da Europa, onde o modelo de assertividade sexual do Don Juan é altamente valorizado, a tarefa atribuída ao homem não é apenas ter conquistas intermináveis, mas sim espalhar sua semente. Por trás da promiscuidade, o teste derradeiro é o da competência na reprodução. Ou seja, engravidar a esposa. Na Itália, por exemplo, ‘apenas a gravidez da esposa pode sustentar a masculinidade do marido’. No entanto, mais importante do que isso, é que a ênfase mediterrânea na masculinidade denota resultados; isso significa procriar filhos (de preferência meninos)… Em termos simples, significa a criação de uma família grande e vigorosa. O aventureirismo promíscuo representa um teste prévio (juvenil) para um propósito adulto mais sério.”

Em todos os 3 P’s da masculinidade a afirmação pública e provas concretas da destreza do homem se fazem necessárias. Não importa se uma sociedade aprovava ou não que um homem ficasse de bobeira por aí, pois, eventualmente, ele tinha que demonstrar que passou do estágio das preliminares e conquistou o último requisito do papel de procriador, o objetivo principal de todo o flerte e de enfrentar perigos em nome da sedução: estabelecer uma descendência e expandir sua linhagem, passando adiante seus genes.

“Função ‘sexual’… é um passaporte para aceitação, em geral, como um homem e, de fato, uma parte crítica da síndrome de masculinidade dos Mehinaku, que define o status masculino adulto. Assim como os chuukeses, um homem que falha em fazer sua esposa ou amante chegar ao orgasmo, falha em satisfazer sua parceira, em gerar filhos, e é ridicularizado e envergonhado publicamente, tornando-se não apenas um alvo de piadas, mas também um excluído pela sociedade”.

Um homem que não consegue passar neste teste final, por ser infértil e não conseguir gerar filhos, é culpado por sua deficiência, e recebe desprezo ao invés de simpatia. No sul da Espanha, por exemplo, o homem recebe toda a responsabilidade pela esterilidade:

“Embora ambos, marido e mulher, sofram em prestígio, a culpa pela esterilidade é colocada diretamente sobre ele, e não na esposa, pois se espera que o homem seja sempre aquele que inicie (e finalize) as coisas. ‘Ele é um homem?’ perguntam as pessoas zombando. Fofocas maldosas circulam em relação a esses defeitos psicológicos. Dizem que ele é incompetente, um trapalhão (no sentido sexual), um palhaço. A sogra dele fica envergonhada. Ela diz que os culhões dele são inúteis, que “não servem pra nada”, que não funcionam. Eles tentam encontrar soluções em métodos tanto médicos quanto mágicos. As pessoas dizem que ele falhou no dever de ser marido ao ser sexualmente ineficaz e, portanto, falhou em ser homem”.

A procriação nos dias de hoje


O que é interessante para mim é que, enquanto eu escrevia o tópico sobre o papel do protetor, parecia natural usar o tempo presente, mas enquanto escrevia este, parecia mais apropriado usar o passado. Enquanto as observações de Gilmore acerca do papel do procriador provém de estudos antropológicos feitos há mais ou menos 40 ou 50 anos atrás, as expectativas e padrões em relação ao imperativo masculino mudaram de forma dramática na última metade do século. Ao mesmo tempo, o fato de fortes ecos desses padrões persistirem apesar do vigoroso desafio, nos mostra o quão profundamente enraizados eles, de fato, são.

As implicações dessas mudanças são inúmeras e profundas, e todas poderiam ter seus próprios artigos. Por hora, vou dar um breve resumo de apenas algumas das questões mais salientes.

Por mais estranho que pareça, são necessárias duas pessoas para dançar tango


Quando se trata de relações entre os sexos, que nos dias de hoje existem em um estado de limbo, onde, falando de forma hipotética, os antigos “roteiros sexuais” não deveriam mais estar em vigor, mas, na prática, ainda estão bem vivos por aí para confundir as relações entre homens e mulheres.

Para começar, enquanto campanhas de poder feminino e colunistas conselheiros têm procurado convencer as mulheres de que convidar um cara para sair, ao invés de esperar que ele tome a iniciativa, é algo completamente aceitável, muitas mulheres ainda refletem se é apropriado dar o primeiro passo. Por sua vez, muitos homens jovens têm manifestado seu apoio à um nivelamento no campo do namoro, embora eu me pergunte o quanto dessa vontade de compartilhar a responsabilidade de dar o primeiro passo provém, de fato, de um desejo sincero de promover uma igualdade de gênero, ao invés de ser pura preguiça e ter o simples alívio de se livrar do risco de rejeição.

Na cama, ao invés do homem ter que iniciar e se responsabilizar pelos procedimentos, as mulheres têm assumido mais controle sobre o seu prazer sexual, com o sexo sendo visto por ambos os parceiros como uma atividade mais colaborativa. No entanto, na cultura popular, ainda há mais ênfase no homem que satisfaz sua amante, pois levar uma mulher ao orgasmo é uma arte, enquanto que para uma mulher satisfazer um homem é apenas uma questão de um simples esforço.

Somos informados que as mulheres gostam tanto de sexo quanto os homens e, por essa razão, deveriam ser capazes de iniciá-lo sem serem definidas como “vadias”. Alguns homens, apreciam esse novo padrão, enquanto outros vão achar desestimulante quando as mulheres forem rápidas demais com os avanços sexuais e, por sua vez, serão ridicularizados por essa atitude “retrógrada”.

No casamento, o homem, procurando ser um parceiro igualitário e iluminado, e não querendo ser um ogro, tenta não ser sempre aquele que inicia o sexo. Mas, então, essa reticência leva a esposa a se preocupar se ela é, ou não, sexualmente desejável para ele, e a questionar sua virilidade masculina. Então, o marido começa a iniciar mais, mas sua esposa não está tão afim quanto ele, que por sua vez se afasta de novo, e o ciclo se repete.

Além disso, mesmo em casamentos bem igualitários, nos quais as mulheres não querem que seus maridos fiquem no comando de nenhuma área de suas vidas, muitas ainda desejam ser dominadas na cama. Entretanto, seus maridos, acostumados a dividir igualmente o trabalho, o cuidado com os filhos, a cozinha, a limpeza e a tomada de decisões, encontram dificuldade em inverter as coisas na hora H e assumir esse papel.

A sedução e o amor podem ser uma dança bonita e delicada, além de uma arte paradoxal na qual os parceiros são iguais, mas o homem recebe a função de liderar passo-a-passo. Hoje em dia, espera-se que ambos os parceiros sigam o mesmo ritmo, o que causa uma certa confusão.

Entalhes na cabeceira da cama, mas nenhum no berço

As consequências da invenção do controle de natalidade e da revolução sexual no imperativo masculino “procriar” não podem ser subestimadas.

O controle da natalidade permitiu que dois desdobramentos fundamentais e, inextricavelmente ligados, da procriação (sexo e reprodução) fossem desacoplados pela primeira vez na história. Antes, os homens tinham que aceitar a responsabilidade pelos filhos se eles quisessem aproveitar os prazeres do sexo, mas agora eles podem “conseguir o leite da vaca sem precisar comprá-la”. Um dia, ter filhos já foi sinônimo de boa reputação para a masculinidade de um homem, mas agora alguns veem a responsabilidade pela prole como um retrocesso. Em nossa cultura existe, com certeza, uma tensão que destaca o homem solteiro e desapegado como um modelo de masculinidade.

A falta de importância do sexo desmotivou os homens?

Há, também, outra implicação significativa em relação a revolução sexual. Como mencionado acima, tendo em vista que as mulheres serviam como porteiras do sexo e se mantinham relativamente bem fechadas, os homens, por sua vez, tinham que se esforçar para mostrar sua capacidade como procriadores e provedores a fim de faze-las abrir mão da chave. Em termos econômicos, a demanda por sexo era alta, assim como o “preço” que os homens tinham que “pagar” para consegui-lo.

O que o homem deveria esperar se acontecesse de o sexo se tornar algo fácil e de rápido acesso? Os homens perderiam sua motivação para construir suas reputações. Segundo alguns cientistas sociais postulam, isso é o que tem acontecido, de fato. No “mercado sexual”, a demanda masculina por sexo tem permanecido a mesma, mas o “preço” tem caído de forma drástica; não há necessidade para matar um dragão, apenas pague um jantar para uma dama e a convide para a sua casa na volta. Segundo alguns teorizam, a atual “falta de valor” do sexo explica o porquê de alguns jovens estarem resistentes em relação a assumir compromissos e tropeçando em outras áreas de suas vidas, como a acadêmica ou nas responsabilidades profissionais.

Se você está interessado nesta teoria de “economia do sexo”, este vídeo bem feito detalha isso de uma forma mais clara do que eu jamais poderia. 

Sexo: o pesado pilar da masculinidade

Um das ideias mais interessantes que eu tirei do estudo de Gilmore, vem de duas observações que ele faz acerca dos Mehinaku, um povo indígena do Brasil.

Em primeiro lugar:

“a performance sexual é, provavelmente, a medida de masculinidade mais importante para os Mehinaku. Em geral, eles se preocupam com o sexo, reclamam que podem nunca ter o suficiente e falam disso o tempo todo”.

Em segundo lugar:

“Os Mehinaku não lutam em guerras e nunca foram guerreiros. Eles são, de forma consciente, um povo pacífico, não apenas em termos de guerra, mas também com relação a demonstrações de raiva, as quais eles consideram ser moralmente repugnantes”.

Para mim, parece que esses dois atributos dos Mehinaku estão, na verdade, bem conectados. Quando um ou dois dos outros P’s da masculinidade são enfraquecidos ou inexistentes, um maior estresse se acumula no(s) pilar(es) restante(s). Em geral, o sexo, o fruto pendurado mais baixo dos imperativos masculinos, é o assunto que envolve a menor quantidade de riscos e de trabalho, e que perdura.

Observe nossa atual cultura no Ocidente. Nos EUA, apenas 0,5% dos cidadãos servem no exército, tendo em vista que, para a maioria dos homens, ser um guerreiro e um protetor trata-se mais de abstração do que de realidade. Seja pelo fato de as mulheres representarem metade da força de trabalho ou pelo fato de empregos estarem cada vez mais difíceis de encontrar (e os que estão disponíveis são, em grande parte, empregos do tipo “colarinho branco”), o ímpeto de prover perdeu muito do seu brilho viril. Então, o que resta para os homens jovens que anseiam pela masculinidade? Apenas sexo (dois textos interessantes sobre  o assunto aqui e aqui). O edifício da masculinidade foi projetado para ser sustentado por uma tríade de colunas, mas agora todo o seu peso está sob o pilar da procriação, e até mesmo esse pilar é uma mera sombra daquilo que foi um dia. Carregado com um peso que ele jamais deveria carregar, o pilar entorta e se contorce, levando a perversões do código da masculinidade – homens que dedicam toda sua energia para se tornarem PUA’s (artistas da sedução) ou ficar o dia todo olhando pornografia online.

Os procriadores são os novos parasitas?

No passado, o homem que adicionava crianças à tribo/cidade/nação era visto como um produtor, alguém que aumentava muito a força geral do grupo. Aqueles que não se reproduziam eram considerados parasitas que usavam os recursos da sociedade mas que não os reabasteciam.

Hoje, há alguns que pensam que ter filhos enfraquece a nação e o mundo, reduzindo ainda mais os recursos que já são escassos e aumentando problemas como o aquecimento global. Esses indivíduos iriam discutir que essa questão está completamente invertida: os procriadores são os parasitas agora.

É claro que nem todo mundo concorda que a superpopulação é um perigo real ou que a Terra tem um conjunto de capacidade de carga definida. Em alguns países da Europa que estão vivenciando um crescimento zero (ou negativo) do crescimento da população e de exortações (e bônus do governo), começa-se a ouvir falar novamente sobre ter filhos para fortalecer o futuro da nação. 

Os homens seguindo o próprio caminho

Gilmore argumenta que os 3 P’s da masculinidade não visam apenas motivar os homens a oferecerem seus serviços para suas comunidades, mas também agir “como formas de integrar os homens à sociedade deles”. Tal como iremos discutir posteriormente, pode ser que os homens tenham mais dificuldade para desenvolver e assumir responsabilidades do que as mulheres, e os padrões de masculinidade dão aos homens um propósito que age contra a tendência natural de viver para si e optar por sair de envolvimentos sociais.

Os imperativos da masculinidade só são efetivos em comunidades que são pequenas o suficiente ou, pelo menos, homogêneas o suficiente para que as dinâmicas da honra e da vergonha possam funcionar, e os homens sintam uma afinidade com seus companheiros cidadãos. Sem essa afinidade, o senso de dever e a obrigação de servi-los e protege-los não pode existir. Por essa razão, a família nuclear é, de várias formas, o último baluarte contra a dissolução da masculinidade. Em uma nação de diversidade crescente, onde uma cultura voltada para a honra não pode mais funcionar, um homem com esposa e filhos ainda tem um pequeno grupo ao qual ele é levado a proteger e prover.

Na última vez, eu comparei o imperativo do protetor com a pedra angular do arco da masculinidade, visto que a coragem tem sido considerada sine qua non (indispensável) dos “verdadeiros homens” em todas as culturas desde tempos imemoriais. Mas depois de uma reflexão mais aprofundada, eu diria que o dever de procriar se encaixa melhor neste papel metafórico. Porque uma vez que o pilar da família desmorone, o mesmo acontecerá com todo o edifício da masculinidade; sem ter sequer um pequeno feudo para prover e proteger, alguns homens irão optar por deixar de lado todas as principais obrigações da masculinidade.

Essa não é uma teoria hipotética; apenas pesquise sobre o MGTOW (Men Going Their Own – Homens seguindo o próprio caminho) e você irá encontrar uma enorme quantidade de blogs dedicados a ideia de que devido a sociedade não respeitar e não honrar mais a masculinidade, os homens não deveriam mais se esforçarem para alcançar os tradicionais marcadores da mesma. Aqueles que passaram a adotar esta filosofia, sentem que as mulheres de hoje não são mais de um calibre que valha a pena investir e se comprometer, e que se você realmente se casar e, por ventura, acabar não dando certo, as cortes de divórcio e família são tão hostis com os homens que elas irão mastigar e cuspir você. Então, a decisão racional seria, segundo eles, evitar o casamento assim como se evita uma praga, e viver para si mesmo, trabalhando o menos possível e dormindo o máximo que puder.

Muitos do que adotam essa filosofia e a praticam de forma ativa esperam que, ao fazer isso, eles ajudem a acelerar a morte da sociedade, pois ao fazerem as coisas à seu modo, eles removem um dos pilares que mantém a sua estrutura podre. Sem homens para apoia-lo, esse pensamento cairá, e toda a civilização atual irá desmoronar e poderá ser reconstruída. Desprovidos da facilidade e do luxo que permitiram que a masculinidade fosse denegrida e ignorada, as pessoas irão sentir mais uma vez, e de forma profunda, o quanto os homens são necessários. Estes, por sua vez, estarão livres para serem homens novamente, e um novo mundo terá início.

A ideia de apertar o botão reiniciar no mundo pode ser emocionante ou algo a se temer, dependendo do seu status familiar atual. Para o solteiro que é livre e desapegado, a ideia de aventura e caos pode parecer bem atraente, ainda mais se compararmos sua atual rotina de: acordar, marchar até o seu cubículo, voltar para casa, assistir televisão e repetir tudo. (Os protestos ao redor do mundo nos últimos anos estão, com certeza, relacionados à assuntos políticos. Porém, dado o fato de que 98% daqueles que protestam são homens, eu penso que muito disso é, na verdade, uma expressão masculina de puro tédio). Mas para o homem que tem mulher e filhos, a ideia de navegar em uma paisagem pós-apocalíptica, tentando protege-los da violência e mantendo suas pequenas barrigas famintas bem alimentadas, parece dolorosa. É uma realidade medonha que ele irá lutar com unhas e dentes para evitar.

Então, esta unidade familiar é o último baluarte contra a completa dissolução da masculinidade, ou é o último obstáculo para o mundo ser reiniciado e a cultura da masculinidade retornar com força total?

Eu direi a você a minha resposta. Pelo viés de alguém que acredita que a família é a unidade fundamental da sociedade e que nada pode trazer maior satisfação do que o casamento e os filhos: se você acredita na veracidade do ciclo geracional, e eu de fato acredito, uma crise virá e irá revigorar o mundo e renovar a apreciação pela masculinidade de qualquer forma. Você não precisa tentar fazer isso acontecer propositadamente. Por isso, até que essa onda caia sobre nós, busque a masculinidade pelo seu próprio bem, não importando se a sociedade honre ou não tais esforços (sim, há razões para fazê-lo – fique ligado), viva isso em sua família, e aproveite os frutos da procriação.

Há muitas implicações na forma com que a modernidade tem desafiado e transformado o imperativo masculino “procriar”. Mas, por agora, vou parar por aqui e deixar para você essas questões para discussão. 


Postado originalmente por: Art of Manliness


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