sábado, 26 de novembro de 2016

Do Azul ao Vermelho

Por: Gustavo Morales
Tradução: Jean A. G. S. Carvalho




Conheci a Fidel Castro, o comandante, em 1978. Eu fazia parte de uma delegação espanhola que participava do Congresso Mundial da Juventude e dos Estudantes, realizado em Cuba. O comandante veio nos cumprimentar e ficou surpreso ao ver meia dúzia de pessoas usando camisas azuis.


Ergui meu braço bem alto e ele me estendeu a mão, cordialmente: "Sejam aquilo que vocês são". Ele me indicou a olhar para a biblioteca da casa-museu de Che Guevara. Segui o conselho dele e lá estavam umas obras completas de José Antonio, que Antonio de Olano havia dedicado ao próprio Fidel. Eu logo soube que um professor jesuíta chamado Armando Llorente havia aproximado o comandante Fidel de José Antonio, afirmando que ele era seu melhor aluno: "Ele cantou comigo vinte mil vezes debaixo do sol, com o braço estendido para o alto".


Logo aconteceria o desembarque do Granma. A larga luta na serra. A ruptura da invisibilidade em seus encontros com jornalistas. A presença no presente e nos combates contra o governo de Batista e a entrada em Havana em 1959, com o fuzil erguido e um rosário envolto em seu antebraço. Depois, chegou o ataque forte e impetuoso dos Estados Unidos na praia de Girón e a Realpolitik. vindo da União Soviética e passando pela Europa.


As bandeiras vermelhas e pretas se transformaram em estandartes vermelhos. Então, ele desceu de Rocinante e tomou a mula de Sancho Panza. Se esqueceu que havia dito sobre seu irmão Raúl - "não serve pra nada" - e sucumbiu aos encantos de Moscou. Fazendo uma adição àquilo que o mexicano havia dito: "Pobre Cuba, tão distante de Deus e tão próxima dos Estados Unidos!".


Descanse em paz, Comandante. Compartilhamos de seu sonho, de seus inimigos e suas origens: não de seu partido, seu sistema nem amigos.


Viva Cuba livre.
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