segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A elite do jornalismo como instrumento anti-povo

Por: Jean A. G. S. Carvalho





A televisão, uma mídia de massas num formato tradicionalmente dominante no Brasil, perde cada vez mais espaço - principalmente para novos formatos, especialmente na internet. Esse fenômeno acontece por vários fatores: o maior dinamismo e interatividade dos instrumentos virtuais, a monotonia e a incapacidade de inovação da TV, a popularização das séries e a menor dependência do usuário em relação à programação televisiva, dentre outros fatores.

A desconfiança da população em relação à mídia televisiva (e mesmo seus canais na internet) aumenta. A TV ainda é um poderoso veículo de formação de opinião, e há ainda uma massa imensa sem acesso à internet no Brasil, mas o quadro tem mudado gradativamente.

Há algo de sintomático na programação televisiva: ela é expressão máxima da decadência, do niilismo, do fracasso e do liberalismo econômico e moral. É um instrumento essencialmente anti-identitário, anti-Brasil, anti-povo. As massas não se veem representadas nesse meio de comunicação (que, ironicamente, é de massas); não veem seus valores e crenças ali representados. Ao contrário, as tendências minoritárias são expressas como forma negativa de subversão, essencialmente marginalizando tudo aquilo que é popular.

A família é retratada como uma instituição inerentemente negativa. Num paralelismo, a comédia e o "entretenimento" contemporâneo giram em torno das temáticas cínicas e ironias mornas típicas do período de decadência do teatro dramático grego, que sinalizou a grande ruína de Atenas. O deboche simples àquilo que é sagrado e o desdém pelas noções mínimas de civilidade, ética e moral é a norma de um tipo doentio de programação.

A decência é tomada como ridícula e a depravação é assinalada como sinal máximo da libertação. E esses enredos são entrecortados por lições de moral extremamente vagas. O povo, essencialmente contrário à criminalidade e refém dela, encontra nessa mesma mídia um misto de complacência e sintonia com o crime e um teor elevado de rejeição pela lei e seus agentes (como o caso recente do programa apresentado por Fátima Bernardes), análises sociológicas saturadas, prolixidade e uma boa dose de imperialismo cultural e psicológico.

Os canais brasileiros servem não só como elementos de destruição social, mas também como caixas de ressonância do imperialismo, colaborando para a perpetuação do Brasil como colônia e agindo de acordo com o projeto de sucateamento e entrega do nosso patrimônio. Esses canais, principalmente a rede Globo (propriedade da família Marinho, um dos maiores grupos oligarcas do Brasil), atuam no processo de sangria do país e defendem tanto as pautas do liberalismo econômico quanto moral.

Muitos dos representantes desse setor televisivo atuam como uma Quinta Coluna dentro do Brasil. São informantes e agentes a soldo estrangeiro, como o jornalista William Waack, cujas conexões com o serviço secreto americano foram largamente denunciadas pelo próprio WikiLeaks. Esses aspectos são tanto subliminares (como o "erro técnico", anos atras, onde um comentário pejorativo feito por Boris Casoy acabou sendo vazado ao vivo, onde ele se referia a garis como "escória") quanto explícitos (a redução do Brasil ao aspecto carnavalesco mais negativo, e do brasileiro como imbecil guiado unicamente por instintos).


O oportunismo é o único elemento que guia essa categoria: apoiaram o regime militar em seu auge e o atacaram quando esteve em decadência; estiveram ao lado do governo do Partido dos Trabalhadores quando este atingiu seu pico máximo de popularidade, e, recentemente, participou do processo ativo de ataque ao governo e de promoção do impeachment como solução para o país - e, cinicamente, após apoiar os orquestradores desse malabarismo político (como Eduardo Cunha), agora ecoam o discurso moralista e "isento", recriminando essas figuras.

A desinformação não se restringe às questões nacionais: as agências de jornalismo daqui repetem essencialmente o mesmo discurso atlantista de redes como CNN e BBC. Todos os canais, sem exceção, apoiaram a intervenção dos EUA no Afeganistão, a invasão do Iraque, a derrubada de Gaddafi, apoiam os terroristas "moderados" na Síria e continuam com uma forte campanha anti-Rússia. Nas eleições estadunidenses, o apoio descarado a Hillary Clinton foi apenas mais um dos sinais de sintonia entre a imprensa nacional e a estrutura de mídia globalista internacional.

A casta jornalística é ainda pior do que a casta política: ela valida ideologicamente o processo atual de destruição do país, atua como agente de infiltração e de desinformação e promove o processo de destruição cultural e identitária. Os erros propagados por esses canais, em sua maioria intencionalmente, são a base retórica de que a elite política e econômica se serve.


É preciso superar as estruturas dominantes e criar novas alternativas informativas, culturais e efetivamente populares. A mídia dominante deve ser inteiramente destruída e inutilizada, e seus agentes precisam ser responsabilizados pelos crimes que cometem.

Share:

Um comentário:

  1. Lembremos que nos anos 1900 o Lima Barreto classificou em um trecho de "Recordações do escrivão Isaías Caminha" os jornalistas como piratas modernos. Livro esse que a meu ver é essencial para se entender o que é a imprensa.

    ResponderExcluir

Visitas

Participe do nosso Fórum Online

Siga-nos no Facebook