terça-feira, 15 de novembro de 2016

A Covardia Individualista

Por Idelmino Ramos Neto



Não há covardia maior que viver apenas em virtude de si mesmo. Qualquer sociedade altiva possui em seu rol de anseios o sacrifício a algo maior. Seja à Deus, à família, ou a algo que o valha, sobrepujando o átomo-indivíduo egoico enquanto centro do microcosmo tribal. É por isso que a força motriz da modernidade é o medo - da morte, do desgaste financeiro, do tempo e da decrepitude física que este traz - já que quem devota a existência a saciar apenas os próprios desejos não tem nada além do prazer momentâneo e pueril. 

E é exatamente em temor a esta verdade hercúlea que inúmeras correntes pseudo-filosóficas emergiram nas últimas décadas, colocando a obscenidade e o horror num pedestal de areia, frágil e intocável. Todavia, falham em notar que ignorar a realidade não a fará menos implacável e tirânica. Honra, moral e laços coletivos profundos afincados na tradição são mais fortes e sólidos que o júbilo carnal vazio. Assim o sendo, a ruína dos pós-humanos escravos da matéria e de Mamon[1] é irremediável e irrefreável.


Um homem sem convicções e camaradas dispostos a morrerem por um propósito é um eunuco[2], um bovino esperando seu turno no abatedouro. Uma civilização elencada no culto à obesidade, ao vício e ao sexo desenfreado é um colosso tombado. Esmague o individualismo.



Notas:

[1] Mamon, nos textos bíblicos, é uma entidade que serve como representação do amor ao dinheiro, ao materialismo. Em suma, ao apelo que as riquezas materiais têm acima de qualquer valor, princípio ou mesmo Deus, para aqueles que priorizam estas coisas. Mamon pode servir como símbolo do capitalismo, do liberalismo e do homem moderno.

[2] Castrado. Aqui, a conotação não é sexual, mas sim da própria noção de virilidade, de honra, de valor e fidelidade. O homem moderno é "castrado" nesse sentido.
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