quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Duterte quer todas as tropas estrangeiras fora das Filipinas

Tradução: Jean A. G. S. Carvalho



O presidente Rodrigo Duterte disse que quer todas a tropas estrangeiras fora das Filipinas no prazo de dois anos, conforme prosseguiu em suas declarações contra os EUA durante sua visita de três dias ao Japão (um aliado-chave dos EUA).

"As Filipinas podem se manter sem a ajuda dos EUA", declarou Duterte num discurso durante um fórum econômico em Tóquio. Ele reiterou seus chamados para uma política externa independente, e disse que não discutiu uma aliança militar om a China durante sua visita de Estado a Pequim, na semana passada.

"Sem a assistência dos EUA, teremos uma qualidade de vida um pouco menor", disse Duterte diante de centenas de empreendedores filipinos e japoneses. "Mas nós vamos sobreviver", disse o presidente.

Cerca de 100 soldados estadunidenses estão estacionados nas Filipinas, aptas a responder a qualquer momento em regime de base rotativa, de acordo com o Pentágono. No mês passado, Duterte disse que os soldados estadunidenses devem deixar a ilha sul de Mindanao, onde eles treinam combate a grupos terroristas há uma década.

As declarações de Duterte sobre a relação entre as Filipina e os EUA entram em conflito com mensagens enviadas pelos membros de sua própria administração. O secretário de relações externas das Filipinas. Perfecto Yasay, disse na terça-feira que seu país vai respeitar todos os tratados e acordos com os Estados Unidos. "Não há razões, agora, para fechar nossos acordos", disse o secretário a repórteres em Tóquio.

As Filipinas, que foram um território estadunidense por quase 50 anos, até sua independência em 1946, é um dos aliados mais próximos dos Estados Unidos na Ásia. Os dois lados são unidos por muitos pactos de defesa, incluindo um tratado de defesa mútua.

As Filipinas têm reavaliado periodicamente sua relação defensiva com os EUA, mais notavelmente a partir do começo da década de 90, quando um sentimento anti-colonialista levou os EUA a fechar suas bases militares no país que, na época, representavam a maior presença militar dos EUA no Pacífico ocidental.

Laços defensivos foram aprimorados durante o antecessor de Duterte, o ex-presidente Benigno Aquino, com as duas nações assinando o Tratado de Cooperação Defensiva Aprimorada. O pacto permite uma grande presença dos EUA por meio de bases militares nas Filipinas, e também a construção de novas instalações dentro dessas bases.

O Tratado de Cooperação Defensiva Aprimorada é considerado como um acordo executivo pelos dois países. Ele teve um prazo inicial de 10 anos, sendo mantido como uma força após esse prazo, a menos que os dois lados anulem o acordo por meio de um comunicado anual dado por escrito à outra parte.

Disponível originalmente em: Bloomberg
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