domingo, 16 de outubro de 2016

A mídia global odeia Trump - e isso é um bom sinal

Por: Jean A. G. S. Carvalho



Poucos momentos na política estadunidense foram tão agitados quanto o atual embate entre Donald Trump e Hillary Clinton. Há algumas semelhanças entre as duas figuras: são magnatas da elite (Trump, de uma mais nacional e empresarial; e Hillary, de uma elite mais transnacional-globalista) e possuem lobbys intensivos. Mas há uma diferença entre essas duas figuras: Trump é odiado pela mídia (não só a mídia dos Estados Unidos, mas a mídia global) e Hillary é explicitamente protegida, amada e reverenciada.


Quando Donald Trump é preterido por canais tradicionalmente favoráveis ao Partido Republicado, como a Fox News, há um alerta que deve ser notado; seu próprio partido tem se voltado cada vez mais contra ele, algo praticamente inédito em termos do dualismo político bipartidário presente nos Estados Unidos. E, quando a própria Hillary Clinton é elogiada por mídias da "oposição" e por várias figuras dentro do próprio Partido Republicano, o fenômeno torna-se ainda mais interessante.

A mídia mostra incessantemente casos de vinte anos atrás, supostos abusos sexuais e assédios cometidos por Donald Trump; várias mulheres aparecem, muto oportunamente, para relatar os terrores passados nas mãos desse misógino-machista-chauvinista-xenófobo-megalomaníaco. Questões financeiras e empresariais de Trump vêm à tona, e é difícil absorver e determinar aquilo que é real e o que é mera fabricação da mídia (e os opositores de Trump sequer levam essa possibilidade em consideração).

Trump é o monstro a ser detido, é o lunático que quer dominar a Casa Branca e levar o país à catástrofe. Mas a tônica não é a mesma para Hillary Clinton: nenhum de seus esquemas de corrupção é trazido aos holofotes, nenhum dos crimes sexuais de seu marido (com os quais ela foi conivente e ajudou a acobertar) é debatido, nem mesmo o fato bizarro de ela ter roubado cerca de U$200.000,00 em artigos de luxo e decoração é mencionado em qualquer debate ou periódico. Só canais marginais (como sites independentes, blogs e canais marginais de pequeno ou médio alcance) falam sobre os crimes de Hillary Clinton, suas ligações com o terrorismo mundial e suas intenções de promover uma guerra aberta contra a Rússia, o Irã e a Síria.

A política de Hillary é a de "civilizar os EUA  o mundo" - e fazer do mundo os EUA. A imprensa não fala sobre a absurdidade de sua intenções, os crimes que ela ajudou a cometer na Líbia e em praticamente todo o Oriente Médio nem a tônica cada vez mais belicista da candidata. Mas, se houver um caso onde Trump tenha assobiado para uma mulher, lá estarão os microfones da CNN, NBC e da Fox News.

Na imprensa brasileira, todos os canais (absolutamente todos) mais expressivos, especialmente a Globo (e a Globo News), como boas caixas de ressonância que são, apenas repetem os discursos dos canais majoritários do mundo anglo-saxão, como se apenas traduzissem suas notícias para transmiti-las ao público brasileiro. É quase impossível encontrar um ponto mais imparcial ou favorável a Trump.

Enquanto isso, na internet, o cenário se altera: Trump tem as páginas mais populares e recebe apoio expressivo de várias comunidades, enquanto mutas páginas atacam frontalmente a figura de Hillary - e esse é um fenômeno que a mídia global não pretende abordar (nem exibir).

Essa hostilização generalizada contra Trump por parte da mídia global nos transmite uma mensagem muito clara: o establishment não quer que ele chegue ao poder, e isso só pode significar que ele é visto como um inimigo, como um agente contrário. Se a estrutura de poder afirma isso, então Trump é o "cavalo de Tróia" que deve ser arremessado contra os portões do sistema; ele representa efetivamente uma quebra na hegemonia do sistema que escraviza os próprios americanos e estende as garras ao mundo. Hillary não representa um risco ao sistema, por isso mesmo é amaciada e reverenciada pelos olhos e pela boca dessa estrutura; ela não faz nenhuma análise no macro, nem critica a estrutura em si.

Em torno de Trump se reúnem diversos setores com uma geopolítica mais esclarecida (principalmente em relação à questão da Síria), e até mesmo uma Direita russófoba (que, estranhamente, não demoniza Trump por suas declarações pró-Rússia); ao lado de Hillary, há uma Direita ainda mais russófoba do que a anterior (e que se gloria com as declarações de guerra abertas feitas por ela) e uma Esquerda pouco atenta às questões geopolíticas e sociais, mas que gosta de Hillary por ela ser... mulher.

Há uma regra muto simples, diante da qual poucas exceções escapam: aquilo que a mídia global demoniza é essencialmente bom, e aquilo que ela prestigia e favorece é naturalmente ruim.
Trump certamente não é a donzela em perigo - mas Hillary é, de fato, o dragão.

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