domingo, 25 de setembro de 2016

Nossa proposta estética

Por: Jean A. G. S. Carvalho

"Morte de Atala", de Rodolfo Amoedo, 1883.

Compreendemos que a imagem é essencial e a estética é o corpo visível de todo um ideal. Assim, a beleza deve ser uma constante nas expressões do Avante enquanto movimento e proposta cultural, política e filosófica. Dessa forma, nos empenhamos pela construção de um ideal estético que vai além da própria estética: um ideal que seja forte, apaixonado e vívido.

Vivemos um momento de reino da feiura física, política, arquitetônica, espiritual, artística e midiática. Há muita pouca atenção em relação à importância da estética na elevação de um povo. A maioria dos movimentos atuais são resultantes desse império do horrível e colaboram para a propagação do mesmo, difundindo aquilo que é danoso aos olhos, ao espírito, à mente.

Muito mais do que um simples movimento, o Avante é uma proposta estética e cultural. Por meio de nossas imagens, procuramos mostrar um pouco da dimensão cultural dos mil povos dentro do Estado brasileiro, os "mil Brasis em um Brasil". Divulgamos as diversas expressões das culturas regionais e a riqueza humana integrada no espaço geográfico brasileiro - e para além dele, as expressividades de povos ao redor de todo o mundo.

O que desejamos, com isso, é expor aquilo que é belo e louvável, e aquilo do qual efetivamente podemos nos orgulhar. Mais do que uma propaganda de inflamação, desejamos levar cura aos olhos cansados de um mundo cada vez mais hegemônico, cada vez mais urbano e niilista. 

Compreendemos que essa não é uma tarefa levada a cabo por muitos grupos - e gostaríamos que mais deles se empenhassem nisso. Temos, majoritariamente, uma Esquerda que imagina um Brasil aos moldes dos países nórdicos e uma Direita apátrida que deseja transformar o Brasil numa cópia do mundo anglo-saxão. Os dois projetos são anti-Brasil (e enxergam o brasileiro como uma doença a ser curada) e não levam em conta as diversas culturas que habitam este espaço imenso, essa Grande Pátria.

O que desejamos é a superação desse paradigma e a promoção daquilo que é inspirador, numa estética que reúne imagem, palavras de efeito e conceitos múltiplos - fazendo, inclusive, uso da ironia, do sarcasmo, de metáforas e de mensagens diretas. Uma de nossas inspirações é o projeto francês Allure Rupture - do qual tomamos o cuidado de evocar símbolos próprios e que remetam aos conceitos de identitarismo, essencialmente relacionados às identidades brasileiras. 

Dessa forma, tomamos inovações e procuramos criar conceitos inovadores na imagética nacional. Este é um projeto que, desejamos, estenda-se aos nosso filhos, netos e filhos de nossos netos.


Usamos e recriamos símbolos, signos e imagens de vários espectros políticos, não só da própria Quarta Teoria Política, como pinturas e propaganda soviética, propaganda de guerra, iconografia dissidente, de Terceira-Via, arte clássica e moderna  e vários outros elementos - não num sentido de apologia plena e direta a estes ícones, mas de resinificação dos mesmos e do uso tanto cômico e subjetivo quanto direto e objetivo (em vários casos, com a explicação textual).

Dada a imobilidade ideológica e a falta de interação entre os vários elementos, nosso estilo estético torna-se inovador e essencialmente próprio - pois procuraremos fazer aquilo que muitos não assumem como tarefa (ou consideram como algo impossível ou "profano"): a criação da beleza supra-ideológica (unindo imagética fascista com dizeres comunistas, e vice-versa), o rompimento das fronteiras mentais e a descoberta de novas propostas e alternativas. Sim, a política também deve ser bela, e é isso que procuraremos para nosso ativismo.



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Um comentário:

  1. Excelente! A fuga das vias estritamente materialistas para abrandar a Kali yuga passa pela estética, mas, sem sombra de dúvidas, uma estética identitária.

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