sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Aiatolá Seyyed Ali Khomeini: Mensagem aos jovens da Europa e dos Estados Unidos

Mensagem do Aiatolá Seyyed Ali Khomeini, líder da República Islâmica do Irã

Tradução: Jean Augusto G. S. Carvalho



Em nome de Deus, O Beneficente e Misericordioso:

À juventude da Europa e dos Estados Unidos:

Os eventos recentes na França e eventos semelhantes de outros países ocidentais me convenceram a falar-lhes diretamente sobre eles. Estou me dirigindo a vocês, jovens, não por negligenciar vossos pais, mas sim pelo fato de serem vocês o futuro de suas nações e países, pois esse futuro está em suas mãos; e também sei que o sentido de busca pela verdade é mais vigoroso e atencioso em seus corações.


Não me dirijo a seus políticos e seus estadistas nesse escrito pois eu acredito que eles já desviaram a política do caminho da retidão e da verdade, conscientemente. Gostaria de falar com vocês sobre o Islã, particularmente sobre a imagem que é apresentada a vocês sobre o Islã. Muitas tentativas tem sido feitas, durante as últimas duas décadas, quase que desde a desintegração da União Soviética, para colocar essa grande religião no lugar de um inimigo terrível.

A provocação de um sentimento de horror e de ódio e sua utilização têm sido, infelizmente, por muito tempo gravadas na história política do Ocidente. Aqui, não quero lidar com as diferentes fobias com as quais as nações do Ocidente foram doutrinadas. Uma revisão apressada dos recentes estudos críticos da História traria de volta à vocês o fato de que os governos do Ocidente não são sinceros, de que eles são hipócritas com o tratamento dado às outras nações e culturas, o que tem sido censurado nas novas historiografias.

As histórias dos Estados Unidos e da Europa são envergonhadas pela escravidão, pelo período colonialista e afligidas pela opressão dos povos negros e dos não-cristãos. Seus pesquisadores e historiadores são profundamente envergonhados com os banhos de sangue escritos em nome da religião entre católicos e protestantes, ou em nome da nacionalidade e da etnicidade durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais. Essa abordagem é admirável.

Ao mencionar uma fração dessa lista extensa, não quero retomar a história; ao invés disso, gostaria de perguntar seus intelectuais como a consciência pública no Ocidente se desperta e como ela se comporta depois de um atraso de décadas ou séculos. Por qual motivo a revisão da consciência coletiva deveria se aplicar ao passado distante e não aos problemas atuais? Por que é isso oque tenta evitar que o público desperte, não importando o quão importante uma questão como o tratamento da cultura islâmica seja para a atualidade? 

Vocês sabem bem que a humilhação e a propagação do ódio e do medo ilusório do "outro" têm sido a base comum de todos os que lucram com a opressão. Agora, gostaria de pedir que perguntassem a si mesmos a razão da velha política de difusão da "fobia" e do ódio e por qual motivo ela é direcionada contra o Islã e contra os muçulmanos com uma intensidade sem precedentes.

Por que a estrutura de poder mundial deseja que o pensamento islâmico seja marginalizado e permaneça latente? Que conceitos e valores no Islã perturbam os programas do superpoder e que interesses são protegidos nas sombras da distorção da imagem do Islã? Por isso, minha primeira requisição é: estudem e pesquisem os incentivos por trás dessa difusão da confusão sobre a imagem do Islã.

Meu segundo pedido é que, em reação à corrente de pré-julgamentos e campanhas de desinformação, tentem ganhar um conhecimento direto e em primeira mão sobre essa religião. A lógica correta exige que vocês compreendam a natureza e a essência daquilo que está assustando vocês e aquilo do qual querem manter vocês distantes.

Não insisto para que vocês aceitem meus escritos ou qualquer outro em relação ao Islã. O que eu quero dizer é: não permitam que essa dinâmica e essa realidade efetiva do mundo atual sejam introduzidas a vocês por meio de ressentimentos e preconceitos. Não permitam que eles introduziam, de modo hipócrita, seus próprios terroristas recrutados como representantes do Islã no meio de vocês.

Recebam conhecimento sobre o Islã por suas fontes primárias e originais. Ganhem informação sobre o Islã por meio do Corão e da vida de seu grande Profeta. Gostaria de perguntar a vocês se vocês leram diretamente o Corão dos muçulmanos. Vocês estudaram os ensinamentos do Profeta do Islã e suas doutrinas humanas e éticas? Vocês sequer já receberam a mensagem do Islã por alguma fonte que não fosse da mídia?

Vocês já se perguntaram sobre como e na base de quais valores o Islã se estabeleceu como uma das maiores civilizações científicas e intelectuais do mundo e ergueu alguns dos mais distintos cientistas e intelectuais através de vários séculos? Gostaria que não se permitissem aceitar imagens construídas por meio de depreciação e ofensa, nem abismos entre vocês e a realidade, distanciando-se da possibilidade de um julgamento imparcial.

Hoje, a mídia de comunicação removeu as fronteiras geográficas. Não permitam que ela os cerce com fronteiras mentais que ela fabrica. Apesar de que ninguém possa preencher individualmente os abismos criados, cada um de vocês deve construir uma ponte de pensamento entre a justiça acima desses abismos, justiça que iluminará vocês e o ambiente que os cerca.

Enquanto esse desafio premeditado entre vocês, os jovens, e o Islã, é algo indesejável, ele pode levantar novas questões em suas mentes curiosas e questionadoras. Tentativas de encontrar as respostas para essas questões vão fornecê-los a oportunidade apropriada de descobrir novas verdades. 

Contudo, não percam a oportunidade de ganhar uma compreensão apropriada, correta e imparcial sobre o Islã para que, esperançosamente, por conta de seu sentido de responsabilidade para com a verdade, as gerações futuras possam escrever a historia dessa interação atual entre o Islã e o Ocidente com uma consciência mais clara e com menos ressentimento.


Seyyed Ali Khamenei
21 de janeiro de 2015

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