sábado, 13 de agosto de 2016

Theodore Kaczynski: Psicologia do Esquerdismo Moderno

Theodore Kaczynski 





PSICOLOGIA DO ESQUERDISMO MODERNO

Quase todo mundo concorda que vivemos numa sociedade profundamente nociva. Uma das manifestações mais evidentes da loucura de nosso mundo é o esquerdismo, de forma que uma discussão sobre a psicologia do esquerdismo nos pode servir de introdução ao debate dos problemas da sociedade moderna em geral.

Mas, o que é esquerdismo? Durante a primeira metade do século XX pôde ser praticamente identificado com o socialismo. Hoje, o movimento está fragmentado e não está claro quem pode ser chamado propriamente de esquerdista. Quando neste artigo falamos de esquerdistas pensamos principalmente em socialistas, coletivistas, "politicamente corretos", feministas, ativistas pelos direitos dos homossexuais, dos deficientes, ativistas pelos direitos dos animais. Mas nem todos os que se associam a algum destes movimentos é um esquerdista. 

Não se trata de um movimento ou de uma ideologia, mas de um tipo psicológico, ou, melhor dito, uma coleção de tipos relacionados. Assim, o que queremos dizer com "esquerdista" aparecerá com mais clareza no curso da discussão da psicologia esquerdista. (Veja também parágrafos 227-230). Mesmo assim, nossa concepção ficará menos clara do que desejaríamos, mas parece não ter remédio para isto. Tudo o que tentamos fazer é indicar de uma maneira tosca e aproximada as duas tendências psicológicas que cremos serem as principais forças condutoras do esquerdismo moderno. 

Com isto, não pretendemos estar dizendo TODA a verdade. Além disso, nossa discussão abarca apenas o esquerdismo moderno. Deixamos aberta a questão sobre o esquerdismo do século XIX e princípios do XX. Às duas tendências psicológicas que servem de base ao esquerdismo moderno chamamos de "sentimentos de inferioridade" e "sobressocialização". Enquanto os sentimentos de inferioridade caracterizam todo o esquerdismo, a "sobressocialização" caracteriza apenas um determinado segmento do esquerdismo moderno, mas este segmento é altamente influente.


SENTIMENTOS DE INFERIORIDADE

Por "sentimentos de inferioridade" não nos referimos apenas aos sentimentos de inferioridade no sentido estrito, mas a todo espectro relacionado: baixa auto-estima, sentimentos de impotência, tendências depressivas, derrotismo, culpa, aborrecimento, etc. Argumentamos que alguns esquerdistas modernos tendem a tais sentimentos (mais ou menos reprimidos) e como eles são decisivos para determinar a direção do esquerdismo moderno.

Quando alguém interpreta como depreciativo quase tudo o que se diz dele (ou a respeito de grupos com os quais se identifica), concluímos que tem sentimentos de inferioridade ou baixa autoestima. Esta tendência é evidente entre os defensores dos direitos das minorias, independente de pertencerem ou não à minoria cujos direitos defendem. 

São hipersensíveis diante das palavras usadas para designá-los. Os termos "negro", "oriental", "deficiente", "índia" para um africano, um asiático, uma pessoa impossibilitada, uma mulher originária não tinham uma conotação depreciativa. "Rapariga" era simplesmente o equivalente feminino para "moça". 

As conotações negativas foram agregadas a estes termos pelos próprios ativistas. Alguns defensores dos direitos dos animais foram tão longe ao ponto de recusar a palavra "mascote" e fazer questão de sua substituição por "animal de companhia". Antropólogos esquerdistas exageram ao ponto de evitar falar qualquer coisa a respeito de pessoas primitivas que possa ser interpretado como negativo: querem substituir a palavra "primitivo" por "iletrado". Parecem quase paranoicos sobre qualquer coisa que lhes sugira que alguma cultura primitiva seja inferior à nossa. (Não queremos dizer que as culturas primitivas SÃO inferiores à nossa; somente apontamos a hipersensibilidade destes antropólogos).

Aqueles que são mais sensíveis à terminologia "politicamente correta" não são os negros médios habitantes do gueto, imigrantes asiáticos, mulheres maltratadas ou pessoas deficientes, mas uma minoria de ativistas, muitos dos quais não pertencem a nenhum grupo "oprimido", mas que provem de estratos sociais privilegiados. A correção política tem seus maiores entusiastas entre os professores universitários, os quais têm emprego seguro, salários confortáveis, e a maioria deles são homens brancos heterossexuais de famílias de classe média.

Muitos esquerdistas têm uma intensa identificação com os problemas de grupos que têm um esteriótipo de débeis (mulheres), derrotados (índios americanos), repelentes (homossexuais), ou aparentemente inferiores. Nunca admitirão em seu íntimo que têm tais sentimentos, mas é precisamente por sua visão destes grupos como inferiores que se identificam com seus problemas. (Não sugerimos que mulheres, índios, etc., SÃO inferiores; só estamos fazendo uma anotação sobre a psicologia esquerdista).

As feministas estão ansiosamente desesperadas em demonstrar que as mulheres são tão fortes e capazes quanto os homens. Elas estão claramente esmagadas pelo medo de que as mulheres possam NÃO ser tão fortes e capazes quanto os homens. Os esquerdistas odeiam todo esteriótipo do forte, bom e exitoso. Eles odeiam os Estados Unidos, odeiam a civilização ocidental, odeiam aos varões brancos, odeiam a racionalidade. 

As razões que dão para odiar o ocidente, etc. claramente não coincidem com seus motivos reais. DIZEM que odeiam o ocidente porque é guerreiro, imperialista, sexista, etnocêntrico, mas quando as mesmas faltas aparecem em países socialistas ou culturas primitivas, encontram desculpas para eles ou, quando muito, admitem-no RESMUNGANDO, enquanto destacam (muitas vezes exagerando muito) estas faltas quando aparecem em civilizações ocidentais. Assim, está claro que estas faltas não são os motivos reais para odiar os Estados Unidos e ocidente: odeiam os Estados Unidos e o ocidente porque são fortes e exitosos.

Palavras como "autoconfiança", "segurança", "iniciativa", "empreendimento", "otimismo", etc. desempenham um papel muito pequeno no vocabulário liberal e esquerdista. O esquerdismo é anti-individualista, é pró-coletivista. Querem a sociedade para que ela resolva as necessidades de todo mundo, por eles e para cuidar deles. Não é o tipo de gente que tem um sentido interior de confiança em suas próprias habilidades para resolver seus próprios problemas e satisfazer suas próprias necessidades. O esquerdista opõe-se ao conceito de competição porque, interiormente, sente-se perdedor.

As formas de arte que apelam aos intelectuais do esquerdismo moderno tendem a enfocar-se na sordidez, na derrota e no desespero ou, por outro lado,tomam um tom orgiástico, renunciando ao controle racional, como se não tivesse esperança de conseguir nada através do cálculo racional e tudo o que ficou de fora deve submergir na sensação do momento.

Os filósofos esquerdistas modernos tendem a recusar coisas como razão,ciência e realidade objetiva e fazem questão de que tudo é culturalmente relativo. É justo formular perguntas sérias sobre os fundamentos do saber científico, sobretudo quando o conceito de realidade objetiva pode ser definido. Mas é óbvio que estes filósofos não são simplesmente coerentes de cabeça fria que sistematicamente analisam os fundamentos do conhecimento.

Estão profundamente envolvidos emocionalmente em seu ataque à verdade e à realidade. Atacam estes conceitos por suas necessidades psicológicas. Seu ataque é uma saída para a hostilidade, e ao ser exitoso, satisfaz o impulso pelo poder. Mais importante, os esquerdistas odeiam a ciência e a racionalidade porque classificam certas crenças como verdadeiras (isto é, sucesso, superior)e outras crenças como falsas (isto é, fracasso, inferior). 

Os sentimentos esquerdistas de inferioridade estão tão profundamente arraigados que não podem tolerar nenhuma classificação de algo como exitoso ou superior e outra coisa como fracassada ou inferior. Isto também sublinha a rejeição de muitos com relação à doença mental e a utilidade das provas de inteligência. São antagonistas das explicações genéticas das habilidades ou condutas humanas porque estas explicações tendem a fazer aparecer algumas pessoas como superiores ou inferiores a outras. Preferem dar à sociedade o mérito ou a culpa para uma habilidade ou carência individual. Assim, se uma pessoa é "inferior" não é sua culpa, mas da sociedade, porque não foi educada corretamente.

O esquerdista não é a classe de pessoa cujos sentimentos de inferioridade fazem dela um bravo, um egoísta, um valentão, um promotor de si mesmo,um competidor cruel. Esta classe de pessoa não perdeu totalmente sua confiança. Tem um déficit em seu sentido de poder e em seu valor, mas ainda se pode conceber tendo a capacidade para ser forte, e seus esforços por fortalecer-se produzem seu comportamento desagradável. Alegamos que TODOS, ou quase todos os fanfarrões e os competidores cruéis sofrem com sentimentos de inferioridade. Mas o esquerdista vai bem além disso. Seus sentimentos de inferioridade estão tão arraigados que não pode conceber-se como um indivíduo forte e valioso. Daí o coletivismo do esquerdista: só pode sentir-se forte como membro de uma organização grande ou de um movimento de massas com o qual possa identificar-se.

Atendimento à tendência masoquista das táticas esquerdistas: protestam deitando na frente dos veículos, provocam intencionadamente à polícia ou aos racistas para que os maltratem, etc. Estas táticas com freqüência podem ser efetivas, mas muitos as usam não como meios para um fim, mas porque PREFEREM táticas masoquistas. O ódio pelo ódio é característica esquerdista.

Podem reivindicar que seu ativismo é motivado pela compaixão ou por  princípios morais, e os princípios morais exercem um papel nos esquerdistas do tipo "sobressocializado", mas a compaixão e os princípios morais não podem ser os principais motivos para seu ativismo. A hostilidade é um componente que salta aos olhos no comportamento esquerdista, do mesmo modo que o impulso pelo poder. 

Além disso, muitos dos comportamentos esquerdistas não são racionalmente calculados para servir de benefício àqueles a quem clamam estar tentando ajudar. Por exemplo, se alguém crê que ações afirmativas são boas para o povo negro, faz sentido demandar ações afirmativas em termos hostis ou dogmáticos? Obviamente, programar uma aproximação diplomática e conciliadora é mais produtivo do que fazer concessões verbais e simbólicas e implementar ações afirmativas que os discriminem. 

Mas os ativistas esquerdistas não tomarão tais atitudes porque não satisfarão suas necessidades emocionais. Ajudar negros não é sua verdadeira finalidade. Em vez disso, os problemas raciais servem a eles como desculpa para expressar sua própria hostilidade e frustração diante de sua necessidade de afirmação. Fazendo isto eles realmente provocam dano ao povo negro, porque a atitude hostil dos ativistas para com a maioria branca tende a intensificar o ódio racial.

Se nossa sociedade não tivesse nenhum problema social, teriam que INVENTAR problemas com objetivo de mostrar uma desculpa para organizar um alvoroço. Enfatizamos que o precedente não pretende ser uma descrição exata de todo mundo que possa considerar-se um esquerdista. É só uma indicação tosca de uma tendência geral.


O PERIGO DO ESQUERDISMO

Devido a sua necessidade pela rebelião e por serem membros de um movimento, os esquerdistas ou as pessoas de tipo psicológico similar são com freqüência atraídos por movimentos de rebeldia ou ativismos cujos objetivos e membros não são inicialmente esquerdistas. O resultado da entrada de esquerdistas pode, facilmente, transformar um movimento não esquerdista num esquerdista, de maneira que as finalidades esquerdistas substituem ou mudam os objetivos iniciais do movimento.

Para evitar isto, um movimento que exalta a natureza e que se opõe à tecnologia, deve fazer um acordo contra os esquerdistas e deve evitar a colaboração com estes. O esquerdismo está em larga escala em contradição com a natureza selvagem, com a liberdade humana e com a eliminação da tecnologia moderna. O esquerdismo é coletivista; está procurando vincular o mundo inteiro (ambos, a natureza e a raça humana) num todo unificado. 

Mas isto implica o manejo da natureza e da vida humana por uma sociedade organizada, e requer tecnologia avançada. Não dá para ter o mundo unido sem meios de transporte rápidos e sem comunicações, não dá para fazer com que todo mundo se submeta sem técnicas psicológicas sofisticadas, não dá para construir uma "sociedade planejada" sem uma base tecnológica necessária. 

Além de tudo, o esquerdismo é conduzido pela necessidade de poder, e o esquerdista requer tal poder em bases coletivas, através da identificação com um movimento de massas ou uma organização. O esquerdismo provavelmente nunca renunciará à tecnologia, porque a tecnologia é uma fonte demasiado valiosa de poder coletivo.

O anarquista também procura o poder, mas o procura em bases individuais ou de pequenos grupos; quer que estes sejam capazes de controlar as circunstâncias de suas próprias vidas. Opõe-se à tecnologia porque ela faz que pequenos grupos dependam de grandes organizações. Esta declaração se refere a um determinado tipo de anarquismo. Uma ampla variedade de atitudes sociais foram respostas "anarquistas", talvez muitos que se consideram anarquistas não aceitem esta declaração. Convém ressaltar, por outra parte, que há um movimento anarquista não-violento cujos membros provavelmente não aceitam a FC como anarquista e seguramente não aprovarão nossos métodos violentos.

Alguns esquerdistas se opõem à tecnologia apenas aparentemente, eles se opõem quando não tem acesso nem controlam a tecnologia do sistema. Na medida em que o esquerdismo domina a sociedade, o sistema tecnológico torna-se um instrumento nas mãos dos esquerdistas, eles não apenas o utilizam com entusiasmo como também promovem seu crescimento. 

Ao fazê-lo eles repetem um padrão visto no passado. Quando os bolcheviques na Rússia ainda estavam sem o poder nas mãos, eles se opunham energicamente à censura e à polícia secreta, eles defendiam a autodeterminação para as minorias étnicas, e assim por diante; mas logo que tomaram o poder, elas impuseram uma censura ainda mais rigorosa e criaram uma polícia secreta ainda mais cruel que a dos tsares, e passaram a oprimir as minorias étnicas da mesma forma que os tsares faziam. 

Nos Estados Unidos, décadas atrás,quando os esquerdistas eram minoria nas universidades, os professores esquerdistas eram vigorosos defensores da liberdade acadêmica. Hoje, nas universidades onde os esquerdistas são maioria, já demonstram disposição de tolher a liberdade acadêmica de vertentes que em sua visão se afasta daquilo que julgam ser o “politicamente correto”. O mesmo vai acontecer com os esquerdistas com relação à tecnologia: no momento em que esta cair sob seu controle ela será utilizada para oprimir outras pessoas. 

Por repetidas vezes nas revoluções recentes, os esquerdistas sequiosos por poder são os primeiros a colaborar tanto com não-esquerdistas revolucionários como com esquerdistas de inclinação mais libertária, para depois traí-los e tomar o poder para si próprios. Robespierre fez isso na Revolução Francesa, os bolcheviques na Revolução Russa, os comunistas na Espanha em 1938, e Castro e seus seguidores em Cuba. Diante desse passado histórico do esquerdismo, seria absolutamente insensato aos não-esquerdistas revolucionários colaborar com esquerdistas hoje.

Diversos pensadores salientaram que esquerdismo é uma espécie de religião. Esquerdismo não é uma religião no sentido estrito, porque a doutrina esquerdista não postula a existência de qualquer ser sobrenatural. Mas para a esquerda, o esquerdismo psicológico desempenha um papel muito similar àquele que a religião desempenha para algumas pessoas. O esquerdista tem de acreditar em esquerdismo, fato que exerce um papel essencial em sua psique.Suas crenças não são facilmente modificadas pela lógica ou pelos fatos. 

Ele tem uma profunda convicção de que é o esquerdismo é moralmente Correto,com um capital histórico Correto, e que ele tem não apenas o direito, mas o dever moral de impor o esquerdismo em todas as pessoas. (No entanto, muitas das pessoas às quais estamos nos referindo como “esquerdistas” não se julgam esquerdistas e não descrevem seu sistema de crenças como esquerdismo. Usamos o termo “esquerdismo” porque desconhecemos outra palavra que melhor designe o espectro de crenças relacionadas a feminismo,direitos gay, politicamente correcto, etc, e pelo fato destes movimentos terem uma forte afinidade com a antiga esquerda). (Ver parágrafos 227-230).

O esquerdismo é uma força totalitária. Sempre que o esquerdismo alcança o poder tende a invadir cada canto privado e a moldar cada um na forma esquerdista. Em parte, isso é devido ao caráter quase religioso do esquerdismo; tudo que se contrapõe à crença esquerdista representa o Pecado.Mais importante, o esquerdismo é uma força totalitária porque o esquerdista se move pelo poder. 

O esquerdista procura satisfazer sua necessidade de poder através da identificação com um movimento social e tenta assumir o controle de todo o processo no intuito de atingir os objetivos do movimento.(Veja parágrafo 83). Não importa o quanto o movimento avançou na realização dos seus objetivos, o esquerdista nunca está satisfeito, porque o seu ativismo é um substituto da atividade (veja parágrafo 41). Ou seja, o que move o esquerdismo não se ater às ostensivas metas do movimento; na realidade ele é motivado pela sensação de poder que ele adquire na luta e por alcançar uma meta social.

Por conseguinte, o esquerdista nunca está satisfeito com as metas que ele já alcançou; sua necessidade de se alçar ao poder leva-o sempre a ostentar alguma nova meta. O esquerdista prega a igualdade de oportunidades para as minorias, mas ele tem critérios estatísticos próprios sobre isso. 

Quando chegam ao poder e a realidade mostra minorias ainda sem oportunidades, e se em algum canto da sua mente surge uma atitude negativa com relação a essas minorias, e isso não se refere apenas às minorias étnicas;ninguém pode ser autorizado a ter uma atitude negativa para com homossexuais, deficientes, obesos, idosos, feios, e assim por diante. Quer dizer, não é suficiente que os cidadãos sejam informados sobre os perigos do tabagismo; uma advertência tem que ser carimbada em cada pacote de cigarros. Depois, a publicidade do cigarro tem de ser limitada, se não for  proibida. 

Os esquerdistas nunca estarão satisfeitos até que o uso de tabaco seja proibido, depois será a vez do álcool e, em seguida da maconha, de certos tipos de alimento, etc. Os ativistas têm lutado contra o abuso infantil, o que é razoável. Mas agora eles querem pôr termo a toda palmadinha. Quando alcançarem isso eles vão querer proibir algo mais que consideram nocivo e,em seguida, outra coisa e depois outra. Eles nunca estarão satisfeitos até quena prática tenham controle total sobre todas as crianças. Então passarão para outra causa.

Suponha que você peça para os esquerdistas fazerem uma lista de todas as coisas erradas na sociedade e, em seguida, suponha que você institua CADA mudança social que eles pediram. Seguramente dentro de alguns anosa maioria dos esquerdistas encontrará algo de novo para queixar-se, alguns novos “males” sociais para corrigir, porque mais uma vez o esquerdista é motivado menos pela angústia dos males sociais do que pela necessidade de afirmar-se pessoalmente pela imposição de supostas soluções.

Devido às restrições arraigadas em seus pensamentos e comportamento pelo seu elevado nível de socialização, muitos esquerdistas do tipo "sobressocializado" não podem afirmar-se da forma como outras pessoas fazem.Para eles afirmação pessoal tem apenas uma saída moral aceitável, lutar para impor sua moral a todo mundo. Talvez isso seja uma condição necessária, um ingrediente de qualquer movimento revolucionário. Isto representa um problema com o qual temos de admitir que não sabemos como lidar. Não sabemos como aproveitar as energias do Verdadeiro Fiel para uma revolução contra a tecnologia. Atualmente, todos nós podemos dizer é que não serão os Verdadeiros Fiéis que garantirão o sucesso da revolução a menos que seu compromisso seja exclusivamente com a destruição de tecnologia. Eles podem querer usar a tecnologia como ferramenta ideal para a prossecução alheia.

Esquerdistas, especialmente os do tipo "sobressocializado", são fiéis, no sentido de Eric Hoffer do livro “O Verdadeiro Fiel”. Mas nem todos os fiéis são do mesmo tipo psicológico enquanto esquerdistas. Presumivelmente um Verdadeiro Fiel nazi, por exemplo, é psicologicamente muito diferente de um Verdadeiro Fiel esquerdista. 

Devido a sua capacidade de devoção a uma só causa, os Verdadeiros Fiéis são úteis. Podem ser um ingrediente necessário a todo movimento revolucionário. Mas isto apresenta um problema que devemos reconhecer não saber como tratar. Não estamos seguros sobre como aproveitar as energias do Verdadeiro Fiel para uma revolução contra a tecnologia. No presente, tudo o que podemos dizer é que nenhum Verdadeiro Fiel será útil à revolução, a menos que seu comprometimento único seja destruir a tecnologia. Se estiver comprometido também com outra ideia, pode querer usar a tecnologia como ferramenta para perseguir outro ideal (ver  parágrafos 220, 221).

Alguns leitores podem dizer: “Essas coisas sobre esquerdismo são um monte de asneiras. Sei que João e Joana são típicos esquerdistas e eles não têm todas estas tendências totalitárias”. É bem verdade que muitos esquerdistas, talvez a maioria, são pessoas decentes que acreditam sinceramente na tolerância a outros valores (até certo ponto) e não aprovam a utilização de métodos e instrumentos inadequados para atingir os seus objetivos sociais. 

Nossas observações sobre esquerdismo não são destinadas a serem aplicadas a cada indivíduo esquerdista, mas para descrever o caráter geral do esquerdismo enquanto movimento. E o caráter de um movimento em geral não é necessariamente determinado pela proporção numérica dos diversos tipos de pessoas envolvidas no movimento. As pessoas que galgam a posições de poder no movimento esquerdista tendem a ser esquerdistas cada vez mais sequiosos por poder, porque as pessoas mais sequiosas por poder são aquelas que lutam duramente para chegar a posições de poder. 

Depois que os sedentos por poder conquistam o controle do movimento, muitos esquerdistas independentes sentem-se angustiados e traídos e passam a desaprovar muitas das ações de seus líderes,mas não chegam ao ponto de opor-se a eles. A fé no movimento é mantida e por não poderem renunciar a esta fé seguem junto com os líderes.

Verdadeiramente, alguns raros esquerdistas corajosamente se opõem à uma eventual tendência totalitária, mas geralmente caem no vazio, porque os sedentos por poder estão melhor organizados, são mais cruéis, maquiavélicos e cuidam de escorar-se em uma forte base. Este fenômeno apareceu claramente na Rússia e em outros países onde os esquerdistas tomaram o poder. Antes do fracasso do comunismo na URSS,os esquerdistas de ocidente raramente criticaram esse país. No máximo admitirão que a URSS fez muitas coisas ruins, mas depois tentarão encontrar desculpas para os comunistas e começarão a falar sobre os erros do ocidente.

Sempre se opuseram à resistência militar de ocidente à agressão comunista.Esquerdistas de todo mundo protestaram vigorosamente contra a ação militar dos EUA no Vietnã, mas quando a U.R.S.S. invadiu o Afeganistão não fizeram nada. Não porque aprovassem a ação soviética, mas por sua fé esquerdista, simplesmente não puderam opor-se ao comunismo. Hoje, nas universidades onde a «correção política» se tornou dominante, provavelmente há esquerdistas que particularmente desaprovam a supressão da liberdade acadêmica, mas a adotam assim mesmo. 

Assim o fato de que muitos esquerdistas serem pessoalmente moderados e bastante tolerantes não significa que o esquerdismo como e de ser uma tendência totalitária. Nossa discussão do esquerdismo tem uma debilidade séria. Estamos ainda longe de aclarar o que queremos dizer com a palavra «esquerdista». 

Não parece que possamos avançar muito sobre isto. Hoje o esquerdismo está fragmentado em todo um espectro de ativismo. No entanto, nem todos têm esta tendência e alguns movimentos (por exemplo, os ambientalistas radicais) parecem incluir ambas as personalidades, do tipo esquerdista e inteiramente não esquerdistas, os quais devem discernir melhor antes de colaborar com os primeiros. Variedades de esquerdistas se convertem gradualmente em variedades de não esquerdistas e nós mesmos estaríamos com freqüência em dificuldades para decidir se uma determinada pessoa é ou não um esquerdista.

Enquanto não for precisamente definida, nossa concepção é explicada pela discussão que apresentamos neste artigo, e só podemos aconselhar ao leitor  para que use seu próprio juízo para decidir quem é um esquerdista. Mas será útil catalogar alguns critérios para o diagnóstico. Estes critérios não podem ser aplicados de uma maneira seca. Algumas pessoas podem reunir alguns dos critérios sem ser esquerdistas, alguns esquerdistas podem não reunir nenhum dos critérios. Novamente convém usar o bom senso

O esquerdista está orientado para um colectivismo em grande escala.Enfatizamos a obrigação do indivíduo de servir à sociedade e a obrigação da sociedade de cuidar do indivíduo. O esquerdista tem uma atitude negativa para o individualismo. Com freqüência usa um tom moralista. Tende a defender o controle de armas, educação sexual e outros métodos psicológicos de educação iluminados”.

Defende o planejamento, a ação afirmativa, o multiculturalismo. Tende a identificar-se com vítimas. Tende a ser contra a competição e a violência, mas encontra desculpas para aqueles esquerdistas que usam a violência. Agrada-lhe muito usar chavões da esquerda como «racismo», «sexismo», «homofobia»,«capitalismo»,«imperialismo»,«neocolonialismo», «genocídio», «mudança social», «responsabilidade social». Talvez o melhor diagnóstico seja a característica de tender a simpatizar com os seguintes movimentos: feminismo, direitos dos homossexuais, minorias étnicas, incapacitados, direitos dos animais, correção política. Qualquer um que simpatize com força com TODOS estes movimentos é quase com certeza um esquerdista. Os esquerdistas mais perigosos são aqueles que estão mais famintos de poder, são freqüentemente caracterizados pela arrogância ou por um enfoque dogmático da ideologia. 

Não obstante, os mais perigosos de todos podem ser certos tipos "sobressocializados" quem evitam explosões irritantes de agressividade e se refreiam de fazer publicidade de seu esquerdismo, mas trabalham rápida e discretamente promovendo valores coletivistas, técnicas psicológicas «iluminadas» para socializar crianças, para incrementar a dependência do indivíduo ao sistema, e coisas assim. 

Estes cripto-esquerdistas(como os podemos chamar) estão próximos de certos tipos burgueses no quetange a ações práticas, mas diferem deles em psicologia, ideologia emotivação. O burguês corrente tenta manter as pessoas sob o controle dosistema para proteger seu modo de vida, ou o faz simplesmente porque suasatitudes são convencionais. 

O cripto-esquerdista tenta manter as pessoas sob o controle do sistema porque é um Verdadeiro Fiel a uma ideologia coletivista.Diferencia-se do esquerdista comum do tipo "sobressocializado" pelo fato de que seu impulso de rebeldia é mais débil e está mais firmemente socializado.Diferencia-se do burguês corrente seu impulso (bem sublimado) pelo poder seja mais forte do que aquele do burguês comum bem socializado pelo fato de que há uma profunda carência em seu interior que lhe força a consagrar-se a uma causa e submergir-se numa coletividade.


(Fonte: trechos retirados da obra "A Sociedade Industrial e seu Futuro")

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