segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Jean Carvalho: A Direita brasileira é um grupo de símios

Por Jean Augusto G. S. Carvalho

Cena do clássico "Planeta dos Macacos": pedimos desculpas aos símios pela comparação


O direitista é o homem-massa, como seu equivalente de Esquerda. Aqui, uso os dois termos com a conotação mais genérica, as correntes políticas mais difundidas - desconsiderando suas ramificações e vertentes. 

Em essência, o direitista é movido pelos mesmos elementos e motivações presentes na Esquerda, e seus defeitos mais comuns são encontrados justamente em seus opositores. Por "homem-massa" designa-se o indivíduo que copia os movimentos, pensamentos e características de uma massa, um grupo específico de pessoas. O direitista, apesar de negar conceitos coletivistas, é essencialmente um "individualista com necessidade de sociabilização". Ele é um "lobo solitário" que precisa de uma alcateia. 

Há signos, gestos, comportamentos e vocabulários específicos da Direita e necessários para qualquer um que queira fazer parte desse espectro. Há coisas aceitáveis e inaceitáveis. E, como na Esquerda, há um forte senso de messianismo e culto à imagem (elementos que não são essencialmente negativos ou positivos) e um forte controle do grupo sobre o elemento. Você pode ser aceito ou expulso, e o grupo deve considerar sua participação ou negá-la. 

Os elementos são essencialmente livre mercado, anti-feminismo, anti-coletivismo, pró-capitalismo, pró-privatizações, entre outros pontos. Qualquer um que adote essa linguagem, mesmo que superficialmente, é aceito no grupo (no caso, no bando de símios). Não importa muito o histórico, a trajetória, as ações ou a personalidade de uma figura, o que importa é o quanto ela pode capitalizar para o movimento. É por isso que gente como Patrícia Lélis (famosa pelo escândalo com Feliciano), com comportamentos e sinais obviamente mentirosos é aceita nesse meio, pelo simples fato de adotar o linguajar aceito pelo grupo.

Por "comportamento simiesco" temos duas alusões: o ato várias espécies de macaco atirarem fezes em seus oponentes e a hiper-sexualização dos bonobos, dois fenômenos que servem de paralelo para o comportamento do direitista médio.

O "jogar fezes" se refere ao comportamento imaturo, inconsequente e aberrante diante de qualquer tentativa de diálogo ou contato com o contraditório. Direitistas apontam o comportamento irracional como característica da Esquerda, mas não é uma exclusividade do imbecil médio esquerdista. Quando se depara com o contraditório, o direitista (assim como seus equivalentes esquerdistas) é incapaz de qualquer reflexão séria, análise ou atividade produtiva. Há a simples demonização, negação e reforço das próprias opiniões.

O direitista é incapaz de avançar um milimetro além da própria ideologia e do próprio pensamento. Não falo, aqui, de aceitar os argumentos da oposição, nem de alterar os próprios valores. Falo da capacidade analítica profunda e panorâmica. Esse é um elemento ausente numa Direita que vive da "zoeira", de "oprimir" e de fazer memes, ou qualquer uma dessas coisas mais próprias de adolescentes masturbadores. As "fezes" são a incapacidade do direitista refletida no comportamento imaturo em qualquer diálogo.

A hiper-sexualização é outro elemento simiesco observável na Direita. Bonobos têm total dependência do sexo e, quando não o conseguem, se masturbam com frequência (e até mesmo após fazer sexo). Essencialmente masculina, a Direita gira em torno da eleição de figuras femininas que exalam erotismo e sensualidade (todo o discurso conservador da Direita não passa de falso moralismo, e mesmo esse falso moralismo tem sido substituído por um pensamento abertamente libertário e imoral). As mulheres na Direita são os elementos que mantém a tensão sexual dos bonobos (os militantes médios), as succubus  que vivem e dependem da atenção masculina.

Esses elementos femininos são marcadamente anti-feministas e obtêm alto grau de consideração, mesmo que seus comportamentos sejam mais baixos e vulgares do que o das próprias feministas. Isso acontece pois, como já citado, o que importa não são as ações, mas sim o vocabulário e os slogans. Seja uma péssima mulher ou um homem desonrado, mas fale em Cristianismo, "civilização ocidental", família tradicional, honra e moral e você será considerado pela Direita como o equivalente a uma madre Teresa de Calcutá ou um Carlos Magno.

Há um profundo niilismo na Direita. Isso se reflete numa leitura inteiramente materialista do homem e do mundo - e até mesmo de Deus. Embora a Direita faça mais considerações religiosas do que a Esquerda, essas considerações são secundárias em relação ao próprio capitalismo e o livre mercado. Ou seja, Cristianismo e Deus são "coisas" que podem esperar para depois, já que privatizações e livre concorrência são elementos "mais importantes". Os direitistas beberam da mesma fonte de seus opositores: o Iluminismo, a Revolução Francesa (quer queiram ou não).

Esse niilismo se define no sentimento de inferioridade e de derrota. O militante direitista médio acredita fazer parte de um grande grupo marginalizado, acredita lutar contra o Estado gigante e titânico, e se identifica com o personagem John Galt; apesar de considerar que faz parte de um grupo que ecoa as opiniões da maioria da população, tem o sentido de que luta contra um inimigo que jamais vencerá (o mesmo sentido do esquerdista que, no fundo, não acredita realmente no fim do capitalismo mesmo nas projeções mais otimistas).

Falso moralismo, materialismo, niilismo: esses são os componentes essenciais de uma Direita que nunca apresentou qualquer projeto consistente em oposição à Esquerda, que adota o superficialismo intelectual e que prefere a roupagem à essência. O mesmo espírito anti-abortista que condena jovens mães solteiras (que escolhem não abortar) como irresponsáveis.

A Direita é o agrupamento dos hipócritas, dos fracos de espírito, daqueles que, enxergando na Esquerda o maior inimigo, não observam as incríveis semelhanças e a mesmíssima moldura mental. É o conjunto de bonobos em torno da Sara Winter e de figuras como Patrícia Lélis, que elege mentecaptos como gurus intelectuais e que, em resposta à podridão que dizem combater, oferecem algo ainda mais fétido.

Não há vigor na Direita e é claramente injusto compará-los com macacos (injusto para os macacos, é claro). Superar a dicotomia é um passo essencial para superar a própria podridão representada por uma Esquerda que já perdeu o contato com a realidade e uma Direita que oferece, como alternativa, um devaneio tão ruim quanto.







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