quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Guillaume Faye: Unidos em torno de ideais claros contra um inimigo em comum

Por: Guillaume Faye
Tradução: Jean Augusto G. S. Carvalho



As piores guerras são aquelas não declaradas. Elas rompem silenciosamente, como uma brisa inquieta, e são as mais mais ásperas e mortais. Hoje, a Europa enfrenta o maior perigo de sua história, um perigo que ameaça a própria existência de sua civilização. A Europa está em guerra e sequer sabe disso. Ela pode sentir o perigo, mas se recusa a enxergá-lo, enterrando sua própria cabeça na areia, como um avestruz, na esperança de afastar o perigo.

Nós, europeus, estamos rápida e massivamente sendo invadidos e colonizados por povos do Sul e pelo Islã. Nós somos submetidos à nova ordem mundial estadunidense e suas estruturas econômicas, estratégicas e culturais. As duas, Europa e América, marcham de mãos dadas. Nós fomos efeminados por ideologias de declínio e por aqueles que são facilmente sujeitos ao otimismo, nós somos ameaçados pela regressão da cultura e da educação para o primitivismo e pelo enfraquecimento do simulacro de prosperidade.

A Europa é o homem doente do mundo. Isso é algo que se torna óbvio em seu declínio demográfico, em sua desvirilização psicológica e em sua ideologia reinante de etno masoquismo imposto por censores politicamente corretos e pela mídia controlada. Somos atormentados por dentro e atacados por fora. Nós somos atacados por assaltantes, invasores e colaboradores, que compõe a maior parte das classes políticas, midiáticas e intelectuais, seja na Direita ou na Esquerda.

O povo ainda terá de ver isso, já que seus carros de compra ainda estão cheios.  E, mesmo que todos possam suspeitar em segredo que a guerra começou, a maioria nega isso, já que, no momento, ninguém tem coragem para lutá-la. No momento...

A crise profunda e a marcha para o caos envolvente são requisitos para um despertar e uma revolta. E nós ainda não vimos nada. A tragédia ainda está no início de seu primeiro ato. Assim como todas as guerras, os defensores da liberdade de expressão estão comprometidos. De nada adiantam as reclamações: essas são as regras do jogo. Através da Europa, nós dispomos de imensos recursos. Nada foi perdido ainda, e o pessimismo não é uma opção.

Na história, são sempre as minorias que se esforçam aquelas que fazem a diferença, não as massas amorfas. E isso não é mais uma questão de Esquerda ou Direita, mas sim de você fazer ou não parte da resistência. 

Dado que a tragédia que cai sobre os europeus e as disputas fúteis que dividem os identitários, há uma necessidade evidente para uma visão mundial poderosa o suficiente para reunir o continente - para unir nossa pátria, a família de espíritos aparentados mas fragmentados, que é unida nas essências, favorecendo a defesa de nossa civilização e de nossa identidade que está em perigo, mas favorecendo especialmente os princípios de nossa regeneração. 

Em toda parte, se espera por uma mobilização baseada em um discurso claro e federativo de resistência e reconquista - livre de ideias ultrapassadas, sectarismo e paralisia da nostalgia. Nunca antes essa urgência para tal discurso foi tão grande. O que mais importa nesse aspecto é uma plataforma ideológica unificadora que ultrapasse o sectarismo com sinceridade e lucidez em suas reflexões. Quando há um incêndio numa casa, disputas domésticas são deixadas de lado.

Uma nova base ideológica é necessária - uma nova base tanto da síntese de afirmação de uma doutrina geral e, ao mesmo tempo, uma definição rigorosa dos conceitos, dos argumentos e da propaganda. Confusão doutrinal, debates falsos, oposições artificiais, aproximações intelectuais e má compreensão, escaramuças sectaristas, o embotamento de ideias pelo desejo de decência - essas coisas já se foram há muito tempo. 

O que é necessário é uma linha clara. Um mínimo de formulação forte que o maior número de sensibilidades e desejos podem aderir. Nós entramos num período onde as coisas não precisam mais ser ditas pelas metades, enquanto nos divertimos com discursos de "duas caras". O que nós precisamos agora é um pensamento radical - não na forma de aspectos de gestos extremistas, mas um que vá às raízes das coisas. A verdade sempre vence e é a estratégia mais efetiva. 

É chegado o tempo no qual o identitarismo, no sentido mais amplo, deve se reafirmar como a mais lúcida e ambiciosa forma de pensamento. A visão de mundo identitária é simplesmente mais realista e mais bem adaptada ao futuro do que o igualitarismo dominante e a ideologia cosmopolita, que afeta todo mundo, desde os mais flexíveis direitistas até os mais loucos neo-trotskistas. 


Todos os fatos, sejam históricos, geopolíticos, demográficos, étnicos, econômicos ou sociais fundamentam a visão de mundo identitária e anti-igualitarista. Essa visão - a única forma de pensamento rebelde e dissidente - é determinada a prevalecer em todos os lugares da Europa, já que o século XXI sucumbe diante das crises que se aproximam, e a mesa será limpa - conforme revisões ideológicas, desígnios inesperados e radicalizações surpreendentes aparecerem com a força das circunstâncias.


Disputas estéreis e divisões sectárias dividem e neutralizam aqueles que deveriam ser solidários uns aos outros. Isso contrasta com o inimigo que, mudando constantemente, sabe como cerrar fileiras. Nossas disputas e divisões são superficiais - e nos causam divisões com pessoas que aspiram os mesmos objetivos, mas que ainda está preso nos ideais obscuros, conflitos emocionais, debates mal posicionados ("França ou Europa", "soberania ou federalismo", "catolicismo ou paganismo", etc.).

Sem ideias bem definidas, conceitos claros e unificantes, reflexões serenas e um senso de urgência, fica difícil ser compreendido e, como consequência, será difícil estabelecer uma linha ideológica efetiva. De acordo com um antigo provérbio, cuja origem não vou revelar, nós precisamos definir as bases através da Europa, para uma "ordem positiva, intencional, e um pensamento criativo".    
    

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