sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Alexander Dugin: Conservadorismo Revolucionário

Tradução: Jean Augusto G. S. Carvalho



Há ainda outro - porém muito interessante - tipo de conservadorismo. É usualmente chamado de Revolução Conservadora, e conecta o conservadorismo dialeticamente com o modernismo. Essa tendência foi adotada por Martin Heidegger, Ernst e Friedrich Jünger, Carl Schmitt, Oswald Spengler, Werner Sombart, Othmar Spann, Friedrich Hielscher, Ernst Niekisch e outros. 

O paradigma filosófico do conservador revolucionário flui da visão de mundo geral do conservadorismo como um processo objetivo de degradação, que atinge seu auge com o modernismo (uma visão compartilhada com os tradicionalistas). 

Porém, diferentemente dos tradicionalistas, os conservadores revolucionários pensam o seguinte: “Por que Deus, que criou esse mundo, fecha os olhos para o mal, e por que os inimigos de Deus vencem? Alguém deve suspeitar que a bela Era de Ouro, que os conservadores fundamentalistas defendem, já continha o gene que culminou nessa degradação. Os conservadores revolucionários querem descobrir como a própria infecção se originou e quando foi que o homem começou a tossir”. “Nós acreditamos” – dizem os conservadores revolucionários – “em Deus e na Providência. Mas nós achamos que a fonte original, O Próprio Deus, a Fonte Divina, tem a intenção de organizar esse drama escatológico”.

Com essa visão, o modernismo adquire um caráter paradoxal. Não é somente uma doença do mundo moderno, mas uma descoberta feita no mundo moderno sobre um fenômeno que começou a tomar raízes no mesmo passado que é tão precioso aos tradicionalistas. 

O modernismo não é visto pelos conservadores revolucionários como o resultado dessa realização, enquanto a tradição perde sua positividade decisiva. A receita básica do conservador revolucionário Arthur Moeller van den Bruck é: “Os conservadores costumavam tentar impedir a revolução, mas, agora, nós devemos liderá-la”. Isso significa que, em relação às tendências destrutivas do modernismo, o conservador deve identificar e reconhecer o germe que serviu como a causa inicial dessas tendências destrutivas (o próprio modernismo em si) – em parte, deve fazer isso pelo pragmatismo. 

Então, o conservador deve cuidadosa e permanentemente se enraizar na existência e, fazendo isso, descobrir o desígnio secreto, paralelo, adicional e sutil de Deus. Os conservadores revolucionários querem não apenas desacelerar o tempo como os conservadores liberais desejam, nem somente voltar ao passado como os tradicionalistas, mas sim cortar a raiz de todo o mal na estrutura fundamental do mundo.   


Fonte: Putin versus Putin, Alexander Dugin 
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