sexta-feira, 29 de julho de 2016

Rhainer Cavalcanti: A Globalização e o poderio dos Bancos



Algo comum de vermos entre os libertários é o discurso sobre o poder que o Estado exerce. Realmente, o Estado tem o seu poder. Mas na Era pós-liberal, o capital está acima do Estado. Não é o capital que está de quatro para o Estado, mas sim que o Estado está de quatro para o capital. Mas claro, isso especificamente aos Estados liberais. O Estado liberal é diferente de um governo liberal. Um governo pode ser não-liberal, mas servindo a um Estado liberal e que esse Estado serve aos grandes nomes do capital. Entre eles os grandes empresários, as grandes corporações, multinacionais e os grandes bancos. 

O Estado Liberal não possui o controle sobre o mercado internacional. Os Estados que resistem ao domínio do mercado global são Estados voltados para a soberania nacional, que são intocáveis pelo sistema bancário e toda a classe parasitária do mercado internacional. 

É muita ingenuidade pensar que todos estes empresários e banqueiros que estão envolvidos ao financiamento de guerras, exploração dos mercados internos de países subdesenvolvidos e mão de obra escrava entre países-colônias, não exercem poder sobre os Estados. 
Vamos aos pontos. 

1- A GLOBALIZAÇÃO E O PODERIO DOS BANCOS

A globalização demonstra o seu fracasso ao permitir ações ilegais do sistema bancário e monetário, criando um o domínio geoeconômico nos mercados, nos setores industriais, empresariais e até militar.

O desequilíbrio entre a finança e a economia gerou a criação do atual sistema que se estabiliza por dívidas, amarrando as economias a um ciclo sem fim das finanças virtuais. Isso é próprio da base dos conceitos liberais, onde deixam claro que o sistema bancário deve manter-se independente do Estado, o que acaba por colocar os interesses do povo em um plano inferior, assim como a soberania nacional. 

Essa independência dos bancos faz com que nunca haja capital o bastante para suprir os interesses básicos da economia. Só assim ela torna os bancos como fator primordial do sistema de empréstimos a juros sob exigências financeiras usurárias. Uma das causas das dívidas públicas iniciadas em países nos quais não há administração da moeda nacional, por seguir um modelo economicamente liberal que lhes prendem à imensas dívidas infinitas, conectando-se aos agentes monetários e indo contra os interesses da nação.


Esse desenvolvimento do globalismo que abriu caminho para tal sistema financeiro permite que os bancos criem do nada um dinheiro virtual, cobrando juros através de um dinheiro que foi criado a partir do nada e que tecnicamente é inexistente. Todos os lucros apenas vão para os acionistas e os especuladores da bolsa de valores. E quando explode um colapso bancário ou crises financeiras, tudo é voltado contra o Estado, causando as hiperinflações, aumento da carga tributária e a quebra da economia. Os mais atingidos serão sempre a população de baixa renda, o microempresário que também é prejudicado pelo domínio bancário e a soberania nacional.

Países que buscam sua autonomia geralmente sofrem as perseguições geoeconômicas de grandes corporações e empresários que financiam golpes contra seus recursos naturais e sua soberania. Países que optam pela valorização de sua moeda nacional se tornam automaticamente inimigos número um do domínio global dos bancos, que querem a todo custo escravizar sua moeda, seu Estado e seu povo a seus interesses econômicos que giram em torno de uma pequena parcela de pessoas. E é por isso que guerras são fomentadas constantemente em países contra-hegemônicos, onde o povo é dono de si e não escravos do dinheiro.

O liberal não quer a liberdade do indivíduo. Ele quer a sua própria liberdade, nem que para isso tenha que tirar a liberdade os outros.


2- A ECONOMIA COSMOPOLÍTICA COMO AGENTE DESTRUTIVO DOS ESTADOS-NAÇÕES

Da economia cosmopolítica, surge a ideia do "comércio universal". Onde dissolve-se as nações, formando apenas uma. Já, a economia política por outro lado, alinha a nação para o caminho da prosperidade. A sociedade e o poder político respeitam os limites das fronteiras, priorizando a agricultura e o comércio nacional. A economia cosmopolítica encontra meios de como a humanidade pode alcançar essas questões.

A economia nacional analisa como as nações, de acordo com as circunstâncias que se encontram, podem chegar a um pleno desenvolvimento, que ao mesmo tempo permite a união com outras nações que também sejam desenvolvidas, respeitando seus espaços.
As ideias libertárias estão conectadas ao cosmopolitismo econômico.

Não aceitam fronteiras, pois não compreendem como um mundo "dividido"por culturas, raças, nacionalidades e religiões diferentes possam adotar uma agenda econômica global. Para isso, é necessário criar uma única nacionalidade e uma única cultura, para o funcionamento da economia global. Ignora-se toda a natureza humana, produzindo uma política econômica anti-natural. As nações em seus respectivos espaços, prejudicam os lucros do mercado internacional. 


E é por essa questão que a humanidade vem em primeiro lugar para as ideias libertárias, enquanto a nação ocupa uma escala inferior. A total liberdade do comércio se resume em colocar as nações menos desenvolvidas sob suas ordens. Essa liberdade não criaria de fato uma república universal, mas faria das nações subdesenvolvidas escravas da maior potência industrial/econômica.

Logo, se posicionar contra o nacionalismo, é aderir parte de uma agenda libertária, é desrespeitar a natureza humana, tornando os povos escravos de uma potência. Esse anti-nacionalismo se encontra equivocado em muitos grupos de esquerda e que é um pensamento perigoso, principalmente estando presente em uma era pós-liberal.

3- A SOCIEDADE SOB AS ORDENS DO MERCADO

A economia teve sua autonomia sobre os valores morais e tudo em que ela esteja englobada, como na sociedade e na política. O liberalismo fez dos valores comerciais, uma característica suprema à vida. Houve a passagem da economia baseada nos conceitos mercadológicos, à sociedade sob as ordens do mercado. As leis comerciais foram subistituídas pelo individualismo moderno, aquele que pertence ao mundo e pertence a todos os povos. Sendo assim, indo contra os próprios valores naturais.
As injustiças do mercado, dão o surgimento de um papel importante do Estado. E o Estado basicamente submete as trocas internas, não-comerciais, às ordens do dinheiro, transformando assim os agentes econômicos homogêneos ferramentas de seu poder.
As intervenções do Estado democrático-liberal, permitem o avanço e desenvolvimento da ideologia liberal. Ele tem o papel de evitar um possível colapso do mercado, dando assim uma segurança e equilíbrio às trocas comerciais.

O papel desse Estado consegue ir além, como moldar a sociedade para que se torne dependente, fornecendo os serviços adequados. Assim, a sociedade se acomoda, sem interesse em derrubar o sistema econômico, permitindo que o Estado continue fazendo a sua manutenção. Os serviços públicos se deterioram dentro da esfera macroeconômica e todo o modelo democrático do Estado é resumido a um mercado que limita todo o seu fornecimento.
A ideologia liberal, nessa era globalizante, se apresenta não apenas como um sistema econômico, mas sim uma ideologia que abrange os valores políticos, morais e sociais, reduzindo todos eles à mercadorias. Em todas as civilizações antes da modernidade, a questão econômica estava em um camada inferior às atividades humanas. É simplesmente anti-natural o mercado ser universalizado. Antes do mercado ser um instrumento, ele é uma organização, uma entidade que não pode ser retirada de toda a história cultural dos povos.

E foi na sociedade moderna que a economia com mercado passou a ser baseada em uma economia de mercado, reduzindo o indivíduo a um produto mercadológico. E o resultado disso é o caos global, tanto financeiro, como social, político e cultural.

4- O DOMÍNIO DAS MULTINACIONAIS SOBRE OS MERCADOS

Não é da natureza do livre mercado permanecer intacto, favorecendo a moeda nacional e garantindo a soberania. Ele precisa se expandir, para automaticamente criar um mercado global. O objetivo é de que tudo possa ser produzido e vendido em qualquer território do globo. Esse mercado internacional tornou-se a religião da economia liberal moderna.

A mídia faz o seu trabalho, nos passando as falsas informações de uma economia saudável que é gerada pelo mercado global. Nos fazem acreditar que os lucros das grandes multinacionais, suas ações e toda a especulação que ocorre por trás são benéficas para a sociedade. Nos fazem crer que os eventos desses mercados e os lucros maximizados pelos acionistas, de alguma forma fortalecem as economias das nações, dando assim uma melhor qualidade de vida a seu povo.
O que acontece de fato é que o mercado internacional não possui o controle, mas é controlado pelos interesses das multinacionais. Ele não serve às nações ou aos povos, procurando o desenvolvimento nacional, mas serve à uma casta parasitária. A economia mundial é organizada para os benefícios das multinacionais e para todo o capital usurário. Ela não é utilizada para suprir as necessidades básicas da sociedade.
As multinacionais simplesmente deslocam suas produções para territórios onde existem menores salários, causando assim o aumento do desemprego em sua economia nacional. Quem sai perdendo é o trabalhador que ficou desempregado, ou o funcionário que teve o seu salário reduzido devido às competições com países de salários mais baixo. Quem vence, é quem pode obter enormes lucros, usando de mão de obra barata inesgotável. Seus objetivos é investir onde exista um trabalho mais barato, tendo um melhor retorno.
Os bens de cada país são dominados pelo sistema financeiro rentista. Se encontra nas mãos de uma casta de parasitas, que sugam até a última gota as riquezas pertencentes a cada povo. Isso da início às guerras, gera a imigração ilegal e a miséria mundial. É isso que cria desemprego e dívidas infinitas.
É claro que tudo dependerá do governante. O governante que se rende aos interesses dessas oligarquias, estará fadado a servi-las até os últimos momentos. Caso ele não se curve ao sistema financeiro parasitário, será perseguido e aniquilado pelo próprio sistema. Assim foi com muitos líderes que se recusaram a servir as elites do globalismo liberal.

5- A CRISE MUNDIAL PROMOVIDA PELO SISTEMA BANCÁRIO

Podem até tentar esconder, mas a crise mundial já atingiu um nível que beira ao colapso econômico. Não há como a oligarquia global continuar a esconder que o caos já se instalou na humanidade. Os povos já estão notando os efeitos colaterais causados pelo desenvolvimento do capitalismo liberal. Não há mais volta e não há conserto. O máximo que se pode fazer e o que estão tentando, é atrasar o caminho da autodestruição do sistema financeiro internacional.
Mas o que ocorre é algo natural. É o grau atingido pelo sistema econômico mundial. O capitalismo se desenvolveu a ponto de colocar tudo entregue ao domínio dos bancos. Esse capitalismo moderno desprendeu-se dos conceitos de oferta e demanda. Agora, temos toda a riqueza mundial concentrada nas mãos da oligarquia financeira, capaz de controlar todo o capital e gerar modelos comerciais insustentáveis. Essa oligarquia que manipula o capital e o mercado internacional, desvalorizou o sentido de "trabalho" e o próprio capital que é conectado ao mercado substancial. Não só isso, mas todas as forças econômicas se encontram enjauladas pela elite liberal.
As civilizações já estão perto de esgotarem seus recursos naturais. Os recursos mais básicos estão prestes a serem eliminados. E isso gera um grande aumento dos problemas que estão aparecendo como a fome, a imigração acelerada, epidemias, guerras, criminalidade... A ideia de liberdade do indivíduo, a ideia de não haver fronteiras, de não haver tribos, tornou o indivíduo uma mera mercadoria. O indivíduo se tornou nômade, onde este não pertence a uma tribo ou a algum grupo cultural. O indivíduo agora é do mundo e ele é um só.
O cosmopolitismo liberal acaba por dissolver os laços culturais existentes. Ele dissolve as identidades culturais, transformando o indivíduo em sua mercadoria, para que atenda a toda oligarquia liberal, gerando lucros aos detentores da riqueza mundial. 
A liberdade individual deixa de ser liberdade quando esta aniquila o coletivo. E por conseguinte, elimina os valores da família, os valores culturais e tradicionais dos povos, para dar valor ao lucro. Até mesmo a propriedade e o capital perderam o seu sentido. Antes a propriedade estava acima do capital. Hoje ela se encontra abaixo dele.

6- O PODER DOS BANCOS SOBRE OS ESTADOS

A estatização dos bancos não necessariamente seria o mesmo de uma soberania econômica. Sendo que bancos estatais existem no modelo capitalista keynesiano. Esses bancos servem para que o Estado possa pedir emprestado dos setores privados e dos setores de finanças internacionais. Tanto que em meio a crise de 29, os bancos centrais tiveram a atividade de garantir a estabilidade entre a economia e as finanças nos EUA.
Muitos destes bancos estatais surgiram como meio de emprestar de setores privados. A intenção desses bancos sempre foi a de formar um sistema financeiro homogêneo, um monopólio dos bancos, capaz de abranger uma escala global e se expandir em territórios, tendo assim a capacidade de manipulação da circulação do dinheiro, podendo obter controle sobre os governos e os setores industriais.
Ou seja, a nacionalização acaba por ser um fator mínimo que não altera em muita coisa se o banco estatal agir utilizando das ferramentas de empréstimos de crédito, sendo este criado privadamente. Portanto, simplesmente ampara a dívida acumulada no sistema bancário global.
Quando se fala em "Soberania nacional", se fala de uma nação independente, uma nação autônoma. Essa soberania se estende em diversos aspectos. No entanto, a soberania nacional só pode existir com a soberania econômica.
No capitalismo, tudo é subordinado pela moeda, inclusive o próprio valor do indivíduo. E o indivíduo só pode ser livre se o Estado tiver a manipulação dos próprios créditos e de sua moeda. Quem tem o controle sobre sua própria moeda, tem o controle sobre o desenvolvimento do país.

7- A USURA COMO FORMA DE LUCRO AOS ESPECULADORES E À QUEBRA DAS ECONOMIAS DOS ESTADOS

É pura ilusão pensar que o consumidor está livre para escolher os melhores produtos e os melhores preços. Segundo os conceitos liberais, o sistema só pode funcionar se houver a concorrência no mercado, através da oferta. Entretanto, o capitalismo liberal visa a concentração do surgimento de monopólios que acabam por eliminar a concorrência, gerando assim a elevação dos preços que acarreta na redução da escolha do consumidor e baixando a qualidade dos produtos.
Não é o mercado capaz de determinar os preços das matérias-primas e das empresas. Pois o mercado é dirigido pela especulação e pelo maior alcance de lucro em um curto espaço de tempo. As flutuações da bolsa são por muitas vezes desmedidas e dominadas por manipulação. Essas oscilações intensas no mercado são destrutivas que resulta na quebra das economias. No entanto, geram grandes lucros aos especuladores.
A prática da usura colocou a importância da terra e do coletivo em uma camada inferior, dando o surgimento rápido de uma economia monetária. O dinheiro perdeu-se o total sentido humanitário, onde apenas era utilizado como meio de trocas, para transforma-se em uma ideologia do consumo, com características homogêneas, servindo mais ao comércio externo do que à sua própria terra.
Foi-se o tempo em que civilizações haviam o controle sobre o dinheiro, em um sentido não só econômico, mas social e moral. Hoje, a manipulação do dinheiro se tornou ampla em todos os campos. O dinheiro não está apenas na esfera material, mas ele se apropriou da essência do indivíduo. O que se combate agora não é um papel ou um mecanismo econômico, mas sim uma ideologia destrutiva baseada no consumo.

8- O CONTROLE EMPRESARIAL SOBRE O MERCADO NACIONAL E O ESTADO 

Já não se fala mais em oferta e demanda. A evolução do capitalismo liberal que tomou proporções a níveis globais, já superou seus princípios básicos propostos por Adam Smith. Oferta e demanda na era da pós-modernidade se resume ao micro-negócio. Hoje, a estrutura do capitalismo liberal, abriu as portas para o surgimento de monopólios e oligopólios no campo internacional. Certos setores já não dependem do Estado, mas sim de uma seleção de empresas. Incluindo as próprias indústrias nacionais que dependem de um time de empresários.
A regulamentação dos preços efetivado pelo surgimento de cartéis, prejudica não só o trabalhador, mas também o empresário familiar, o micro-empresário, que acaba tendo seus produtos com preços definidos por estes cartéis, além da quantidade de produção determinada por eles.
Esses mecanismos econômicos utilizados pelos cartéis, apenas elevam os lucros dos grandes empresários que traçam acordos entre si, rendendo até mesmo os setores industriais nacionais. Se trata dos esquemas oligárquicos introduzidos pelas democracias ocidentais. O próprio Estado democrático se prostra de joelhos aos interesses do capital liberal hegemônico.
O fato é que, o Estado democrático, o Estado que serve ao sistema da democracia liberal, não tem poder sobre o capital. Ele não tem poder sobre o próprio modelo econômico do qual pertence. Pode haver regulamentação em alguns setores, mas nunca algo que prejudique os princípios econômicos do liberalismo.
Isso nos faz lembrar sobre o que libertários costumam dizer sobre o poder absoluto do Estado. Não, não existe poder absoluto do Estado dentro do liberalismo. Esse poder absoluto não existe quando um número de empresas tem o controle sobre os preços e a produção de bens de uma grande empresa nacional.
A livre concorrência se mostra falha. Podemos pegar o exemplo da era das máfias nos EUA, onde existia a livre concorrência dentro do mercado negro. Nem o Estado conseguia ter o poder absoluto sobre a máfia, quando até mesmo os mafiosos "compravam" o Estado. Al Capone por exemplo, cometeu inúmeros crimes, de assaltos e contrabando até homicídios. Mas o único crime pelo qual conseguiu ser julgado foi sonegação de imposto. Ou seja, um crime que alfineta a alma do Estado.
O livre-mercado dentro da máfia gerava conflitos constantes. As guerras entre mafiosos eram na maioria das vezes geradas quando os interesses de uma família se chocava com os interesses de uma outra família. Uma consequência da livre concorrência entre eles, que acabava por afetar o cidadão de bem, quando este estava no meio do fogo cruzado. 

Não só as legítimas famílias mafiosas, mas os empresários atuais que possuem o micro-empresário a seus pés, afim de concorrerem com os seus rivais, podem ser encaixados em um novo sentido da palavra "mafioso". Até porque, a livre concorrência entre esses monopólios, causa conflitos físicos. Não à toa que já vimos casos de sabotagem de uma empresa com a outra ou tentativa de assassinato entre empresários rivais. Essa é a maravilha da livre concorrência.

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