quarta-feira, 15 de junho de 2016

Alexander Dugin: O Paradigma do Fim (Parte 4)

Por: Alexander Dugin
Tradução: Jean Augusto G. S. Carvalho



A última Fórmula


Chegaremos, finalmente, no curso de nossa análise. Nós percebemos que todos os níveis dos mais generalizados modelos reducionistas da teleologia histórica existem existem quase sempre as mesmas trajetórias e processos de desenvolvimento histórico. Agora, nós iremos simplesmente reunir todos os componentes revelados na última fórmula generalizante.

Então, dois sujeitos, dois polos, duas realidades agem através da história. Sua oposição, sua luta, sua dialética fazem o conteúdo dinâmico da civilização. Esses sujeitos se tornam mais e mais claros e evidentes, saindo da obscuridade, de uma existência velada e "fantasmagórica" para algo claro, avançado, uma forma estritamente fixada. Eles universalizam e absolutizam. 

O primeiro sujeito é o Capital = Mar (Ocidente) = Anglo-saxões (no amplo sentido do termo "romano-germanos") = confissões cristãs ocidentais. 

O segundo sujeito é o Trabalho = Terra (Oriente) = Russos (no amplo sentido do termo "eurasianos") = Cristianismo Ortodoxo.

O século XX é o ponto de culminação dessas duas forças de oposição em máxima tensão, a última batalha, o Endkampf. No momento em que nós estabelecemos esse fato, o primeiro sujeito se torna - quase que por todos os parâmetros - apto a superar o segundo. E o principal instrumento, o movimento tático da vitória do Ocidente, é repetido constantemente e em todos os níveis, usando algumas realidades intermediárias (terceiras), pseudo-sujeitos terciários da história, que, a cada momento, se transformam numa miragem incorpórea, destinada e ocultar a verdadeira essência da oposição escatológica.

A vitória do Ocidente (em sua completa extensão). As assertivas liberais otimistas, de que esse é o final e de que a "história foi vitoriosamente concluída". Os mais cuidadosos dizem que isso é só um estágio provisional, e que o gigante caído poderia se colocar novamente de pé sob certas circunstâncias.

Ainda mais: o lado vencedor encara uma nova situação, completamente incomum, a situação da falta de um inimigo, o duelo com o qual o conteúdo histórico havia sido construído. Consequentemente, o atual sujeito da história, tendo sido deixado sozinho, deveria resolver o problema da pós-história que lhe desafia - seria esse o sujeito remanescente da pós-história ou sua simples transformação em alguma outra coisa? Mas esse é um assunto absolutamente diferente. 

E o que aconteceu com o lado derrotado? É difícil esperar reflexões claras e imparciais disso. Em muitos casos, não há o entendimento sobre o que aconteceu com esse sujeito, e o órgão amputado - no dado caso, o coração - ainda dói e aperta, como num paciente após uma operação. Apenas poucas pessoas compreendem claramente aquilo que aconteceu no início dos anos 1990. 

Ou seja, não é possível explicar o fato de que Gorbachev pode andar calmamente pelas ruas, correndo apenas o risco de ser, talvez, esbofeteado por um trabalhador pobre e falido.


Texto original em: Arctogaia
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