sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O Homem pós-moderno é um eunuco metafísico


Por Cassiano Lopes Sotomaior


O Homem pós-moderno é um eunuco metafísico. Rejeitando aquilo que Aristóteles denominou como ''a filosofia primeira'', ele vagueia na materialidade, estéril, oco. É incapaz de possuir um Ser, pois homogeneizado nas torrentes democráticas, esvanece enquanto sujeito identitário para se tornar eterno identificante, um mero ''algo'' reciclável que nunca É. Ele existe enquanto travessia subjetiva e inerme, proclamando com seus discursos e atos um ''panta rei'' abissal. Ele não luta, não busca, mas apenas Está, em toda sua indigência ontológica, esfacelando-se como pó em cada fração fluídica no tempo. Ele é, indubitavelmente, o fracasso. Mas o fracasso é propriamente sua semente e seu vírus, alastrando-se e alterizando tudo aquilo que toca. Ele é, em suma, o Outro-Absoluto, a antítese de si, o Nihil por excelência.


Entretanto, brutalmente enraizado na força metafísica que o transcende, antagoniza o Homem sólido e fértil, que apoiado na concretude da matéria, alça-se à imensidão do espírito, contemplando assim, no lapso específico de abertura cognoscente, sua essência, seu Ser. Essa apreensão platônica fulgurante é o acontecimento de fronteira, do mais agudo contraste entre o Homem-Espelho, incapaz e imerso na instantaneidade, e o Homem integral, vivificante em memória e sangue. Enquanto o primeiro nada retém, o Homem capaz tudo absorve, hierarquiza e avança, derramando de Si em prol do que Era e virá a Ser. Nele mora a chama da tradição, do poder e da vida.
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